Destaque Tudo de Bio

sábado, 31 de outubro de 2009

Halloween Contra Infecções

Casca de abóbora protege contra infecções, diz estudo

As abóboras, tradicionalmente esculpidas e iluminadas para espantar os fantasmas e duendes no Halloween, ou Dia das Bruxas, feriado de origem pagã celebrado amanhã em toda a América do Norte, contêm uma substância que poderia assustar, na verdade, os micróbios que causam, a cada ano, milhões de casos de infecções fúngicas em adultos e crianças. Pelo menos, é o que sugere um novo estudo conduzido por cientistas coreanos e publicado na última edição da revista especializada Journal of Agricultural and Food Chemistry.

No estudo, um time de pesquisadores liderados por Kyung-Soo Hahm e Yoonkyung Park explica que alguns micróbios causadores das doenças fúngicas estão se tornando mais resistentes aos antibióticos existentes. Como resultado, cientistas em todo o mundo estão à procura de novos antibióticos com propriedades variadas. Estudos anteriores já haviam sugerido que a casca da abóbora, muito utilizada na medicina popular de países como o México, Cuba e Índia, pode impedir o crescimento de microorganismos.

Os cientistas extraíram proteínas de cascas de abóbora, para descobrir se estas inibem o crescimento de micróbios, incluindo o perigoso Candida albicans, uma espécie de fungo associado a alguns tipos de infecção oral e vaginal.

Resultado
Uma das proteínas estudadas, a Pr-2, teve efeitos potentes em inibir o crescimento do C. albicans em experimentos de cultura de células, sem efeitos tóxicos evidentes. O estudo sugere que a proteína da abóbora pode ser incorporada em remédios naturais para combater infecções fúngicas. A proteína também retardou o crescimento de vários fungos que atacam plantações e, assim, pode ser útil como uma fungicida agrícola, acrescenta o estudo.

Fonte: Terra Ciência

Células Germinativas Criadas

Cientistas dizem ter criado células da reprodução humana

Cientistas da Universidade de Stanford, na Califórnia, anunciaram ter conseguido criar em laboratório células germinativas - que podem dar origem aos gametas (células sexuais), óvulos e espermatozoides - a partir de células-tronco embrionárias. Algumas dessas células chegaram a evoluir e se tornar espermatozoides em seus primeiros estágios de formação, segundo artigo publicado na revista Nature.

Ao acompanhar cada passo do desenvolvimento dos gametas, os cientistas esperam identificar potenciais problemas que poderiam causar a infertilidade ou defeitos no nascimento. O avanço poderia também ajudar cientistas a desenvolver novos tratamentos para infertilidade.

Meiose
Cientistas da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, haviam anunciado em julho passado que criaram espermatozoides em laboratório pela primeira vez, mas o estudo foi questionado por especialistas.

Durante a pesquisa da Universidade de Stanford, os cientistas separaram células-tronco embrionárias às quais acrescentaram um gene que produziria uma proteína que levaria à emissão de uma luz verde quando fosse "ativado" outro gene, presente apenas em células germinativas.

Com a luz, é como se as células germinativas levantassem a mão para dizer que estavam lá, explicou Renee Reijo Pera, principal autora do estudo. Depois que as células-tronco cresceram e se desenvolveram por duas semanas, os cientistas separaram aquelas que emitiram o sinal verde.

Em seguida, a equipe da Universidade de Stanford conduziu uma série de testes para confirmar que as células se comportavam como germinativas. Uma vez convencidos de que elas eram de fato as células que buscavam, os pesquisadores ativaram e desativaram três genes - DAZ, DAZL e BOULE - para determinar que papel eles desempenham no desenvolvimento das células-tronco em células germinativas imaturas.

Pesquisadores já haviam descoberto que homens inférteis que não têm células germinativas normalmente também não têm o gene DAZ. Os cientistas concluíram que o gene DAZL é necessário para transformar as células-tronco embrionárias em células germinativas.

Os genes DAZ e BOULE, em contraste, agem na maturação das células germinativas, "empurrando" as células para o processo de meiose, em que elas reduzem o número de cromossomos pela metade.

Os pesquisadores chegaram a observar células germinativas masculinas que completaram o processo de meiose, se transformando em espermatozoides em seus primeiros estágios.

Modelos
Estudos anteriores sobre o tema foram prejudicados porque, ao contrário de muitos outros processos biológicos, o ciclo de reprodução humana não pode ser estudado adequadamente com cobaias.

E como essas células germinativas se formam nas primeiras semanas de vida de um embrião (de 8 a 10 semanas), há escassez de material humano para se estudar.

"Este estudo abre uma nova janela sobre o que era, até agora, um estágio escondido da evolução humana", disse Susan B. Shurin, diretora interina do Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development, que financiou o estudo.

"A observação de células humanas germinativas em laboratório tem potencial de produzir importantes pistas sobre as origens das infertilidades não explicadas e sobre a gênese de muitos defeitos de nascimento e desordens de ordem cromossômica", afirmou.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Genética do Albinismo

Mutação gênica antiga está na origem do albinismo

O albinismo é uma doença genética que provoca perda parcial ou total da pigmentação ou coloração da pele, olhos e cabelo. Segundo Raymond Boissy, professor de dermatologia da Faculdade de Medicina da University of Cin¬cinnati, decorre de mutações que afetam as células ─ chamadas melanócitos ─ que produzem a melanina dos pigmentos que colorem partes do corpo.

Nas pessoas albinas, as alterações genéticas interferem na produção de pigmento dos melanócitos ou na sua capacidade de distribuí-lo aos queratinócitos ─ tipo de célula majoritário das camadas externas da pele. As formas mais comuns de albinismo são oculocutâneas tipo 1 (OCA1) e tipo 2 (OCA2). O termo oculocutâneo significa que a doença afeta os olhos (óculo) e a pele (cutâneo).

Portadores de OCA1 apresentam mutações no gene TYR, responsável pela produção da enzima tirosinase, utilizada pelas células para converter o aminoácido tirosina em pigmento.

A OCA2 ─ forma mais comum de albinismo na África ─ se deve a mutações no gene OCA2, que codifica a proteína P, cujo papel ainda não é completamente conhecido. Essa mutação é provavelmente a mais antiga causa de albinismo que surgiu durante o desenvolvimento da espécie humana na África. Portadores de OCA2 podem produzir uma pequena quantidade de pigmentos e assim podem ter sintomas visuais um pouco menos pronunciados.

Fonte: Scientific American

O Veneno do Dragão

O veneno dos dragões de Komodo
Lagartos gigantes (Varanus komodoensis) da Indonésia não têm uma mordida tão poderosa quanto crocodilos, nem são tão grandes quanto ursos cinzentos, mas matam presas enormes, incluindo seres humanos

O poder destruidor desses animais está na mordida e numa dose de veneno ─ mas não de bactérias, como sugeriam pesquisas anteriores. Os dragões de Komodo, que habitam algumas ilhas na Indonésia central, usam seus dentes serrilhados para segurar e rasgar a presa, criando uma ferida profunda. Em seguida é inoculada uma mistura especial de veneno, de acordo com os resultados de um estudo que recém publicado on-line no Proceedings of the National Academy of Sciences.
“O dragão é de fato peçonhento” observa Stephen Wroe, pesquisador associado de biologia da University of New South Wales, na Austrália, e autor do estudo.

Os biólogos sempre acreditaram que esses enormes lagartos ─ que medem entre dois e três metros e pesam até 100 quilos ─ matavam suas presas infectando-as com bactérias patogênicas. Mas esse novo estudo revela que a saliva desses dragões transporta diferentes patógenos, mas a maior parte dos microrganismos encontrados era comum.

Ao contrário do que se supunha, os pesquisadores descobriram que os dragões de Komodo podem ter, na verdade, o sistema de inoculação de veneno mais complexo já encontrado em répteis, o que não havia sido notado antes, porque os dentes desses animais diferem completamente dos exibidos pela maioria das criaturas peçonhentas.

Os dragões produzem proteínas tóxicas ─ não muito diferentes daquelas produzidas pelos monstros de Gila e por algumas cobras ─ que provocam queda na pressão sanguínea e diminuem a coagulação das presas. Dutos especiais transportam a peçonha de cinco compartimentos separados para aberturas entre os dentes serrilhados. Depois de o veneno ser introduzido na ferida produzida pela poderosa mordida, as vítimas podem entrar em choque e morrer em consequência de hemorragia.

A descoberta do sistema venenoso dos dragões de Komodo levou os pesquisadores a acreditar que seu parente extinto, o Megalania (Varanus priscus), que chegava a pesar até duas toneladas, pode ter sido o maior animal peçonhento da Terra.

Fonte: Scientific American

Um Ecossistema Chamado Pele

Pele humana saudável é vista como um ecossistema

Há muito tempo cientistas e germófobos sabem que a pele humana, literalmente, da cabeça aos pés, está sempre repleta de bactérias e outros microrganismos. Um novo estudo, publicado em 28 de maio na Science, mostra que a pele hospeda muito mais desses pequenos organismos que se pensava.

No corpo de um adulto saudável estima-se que células microbiais superem o numero de células humanas de um fator de dez para um. Essas comunidades, no entanto, são pouco estudadas, e seus efeitos no desenvolvimento da fisiologia, imunologia e nutrição humanas são praticamente desconhecidos.

Numa tentativa de aproveitar avanços tecnológicos recentes e desenvolver novos métodos, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, da sigla em inglês), iniciou recentemente o Projeto do Microbioma Humano (HMP, na sigla em inglês). A intenção,neste caso, é gerar recursos que permitam uma caracterização abrangente da microbiota humana e uma análise do papel que ela desempenha na saúde e nas doenças.

Pesquisadores envolvidos no HMP sequenciaram genes provenientes de amostras da pele de voluntários e encontraram 19 filos e 205 gêneros diferentes de bactérias, e mais de 112 mil sequências de gene distintas. Estudos anteriores de cultura epitelial indicavam a existência de apenas um tipo de bactéria (Staphylococcus, cepa virulenta responsável pelas infecções estafilocócicas) como habitante principal da pele humana. Mas não há necessidade de exagerar nos bactericidas, pois a maior parte desses organismos é inofensiva.

Fonte: Scientific American

Eliminando Infecções

Bactéria é despertada para a morte

Pesquisadores israelenses anunciaram no mês passado o desenvolvimento de uma nova técnica que pode eliminar bactérias obstinadas que escapam dos antibióticos. Algumas infecções como a tuberculose (TB) podem permanecer latentes nos pulmões por décadas, antes de se tornarem ativas e provocarem os sintomas — mesmo depois de a maioria das bactérias ter sido debelada por antibióticos.


Cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém relataram no Proceedings of the National Academy of Sciences USA, a descoberta de uma forma de erradicar esses microrganismos e evitar que, votem a atacar, quando o sistema imunológico do portador estiver fragilizado. O novo método tira partido da necessidade que as bactérias adormecidas têm de absorver nutrientes como ferro e magnésio. Esses microrganismos podem evitar os antibióticos quando estão com “fome” e se tornam inativas. Os pesquisadores conseguiram reduzir populações de bactérias persistentes em até 99% inicialmente revigorando-as com nutrientes e depois destruindo-as com antibiótico.

No estudo, o grupo saturou uma linha de Escherichia coli - bactéria comum, inofensiva, que vive no trato intestinal humano e de muitos animais, embora algumas cepas possam provocar envenenamento alimentar - com antibióticos. Parte dela morreu, mas muitas obstinadas permaneceram ativas. Quando os pesquisadores mergulharam as sobreviventes em uma infusão de nutrientes (incluindo uma fonte de carbono, ferro e magnésio), elas parecem ter despertado do estado de latência por cerca de uma hora, mas não se replicaram como as bactérias normais. Posteriormente, os pesquisadores ofereceram nutrientes, acompanhados de uma boa dose de antibióticos; elas se reanimaram, mas morreram em seguida.

Fonte: Scientific American

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Celular e Câncer

Estudo da OMS relaciona uso do celular com câncer

O uso do telefone celular pode ter relação com vários tipos de câncer, segundo um estudo internacional supervisionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cujos resultados preliminares foram publicados nesta segunda pelo jornal The Daily Telegraph.

Com um orçamento de 20 milhões de libras (22 milhões de euros), a pesquisa - que durou uma década e será divulgada até o fim do ano - oferece provas de que as pessoas que abusam do celular se arriscam a sofrer tumores cerebrais a longo prazo.
As conclusões preliminares indicam que existe "um risco significativamente maior" de ter um tumor cerebral "relacionado ao uso de telefones celulares durante um período de dez anos ou mais", afirma o jornal.

De acordo com o Daily Telegraph, o estudo Interphone questionará as garantias que os Governos costumam dar sobre a segurança desses aparelhos e aumentará a pressão para que as autoridades de saúde divulguem conselhos mais claros.

A diretora da pesquisa, a doutora Elisabeth Cardis, professora do Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (Creal) de Barcelona, disse que, apesar da "falta de resultados definitivos, vários estudos, embora sejam limitados, sugerem um possível efeito de radiação de radiofrequência" gerada pelos celulares.

"Portanto, estou de acordo, em geral, com a ideia de restringir o uso (de celulares) a crianças, embora não iria tão longe em proibir os telefones celulares, já que podem ser uma ferramenta muito importante (...)", disse Cardis, citada pelo jornal.

A especialista também defende "meios para reduzir a exposição" aos celulares, como a utilização de dispositivos handset - que permitem usar o telefone sem as mãos - e o uso moderado do aparelho.

Uma porta-voz da Creal em Barcelona afirmou à Agência Efe que o estudo coordenado por Cardis inclui vários dados de cidadãos de vários países, e acrescentou que é um trabalho muito complexo que "só será divulgado no final deste ano".

O estudo Interphone realizou pesquisas em 13 países e entrevistou a 12,8 mil pessoas - entre saudáveis e pacientes com tumores -, a fim de investigar se a exposição aos celulares está vinculada a três tipos de tumores cerebrais e um tumor da glândula salivar.

Pesquisas anteriores sobre os efeitos dos celulares na saúde foram pouco conclusivas, mas o projeto supervisionado pela OMS indica, por exemplo, que seis em oito estudos Interphone revelam um maior risco de sofrer de glioma (o tumor cerebral mais comum).

Um porta-voz da Agência de Proteção da Saúde (HPA) do Reino Unido disse que, "por enquanto, não há provas sólidas" sobre os efeitos nocivos do uso de celulares.

Já um porta-voz da associação de operadores de telefonia celular indicou que mais de 30% dos estudos científicos sobre esse assunto não encontraram nenhum impacto negativo para a saúde.

Papéis dos Microorganismos


Microorganizmos são coadjuvantes na extração de petróleo

Aparentemente não há nada que os microorganismos não possam fazer. Participam desde a fotossíntese até ciclos de vida que não precisam de luz solar, sobrevivem em ambientes extremos e resistem a bombardeios de radiação.


Os microorganismos mais radicais proliferam praticamente em qualquer lugar. E agora os microbiologistas acrescentaram duas habilidades ao arsenal microbiano relacionadas à energia. No encontro da Sociedade Geral de Microbiologia ocorrido no início de setembro, Richard Johnson e outros cientistas da University of Essex apresentaram sua pesquisa, onde demonstraram que um ecossistema misto de bactérias específicas pode sobreviver em um dos ambientes mais letais criados pelo homem: resíduos da extração de petróleo de areias betuminosas. E, mais que isso, elas se encarregam da limpeza.


A extração e o refino desse óleo pesado produzem uma grande quantidade de lixo tóxico, em particular, água com ácido naftênico (um dos ingredientes secretos das bombas napalm).


Na região de Athabasca, no Canadá ─ onde está localizada boa parte da indústria de extração de areias betuminosas ─ há pelo menos 1 bilhão de metros cúbicos de águas poluídas armazenadas em tanques.Como atacar esse problema? Liberando bactérias, sugere Johnson. Os microorganismos conseguem decompor o ácido naftênico em subprodutos menos tóxicos em poucos dias, o que leva dez anos ou mais em processos naturais. Essa descoberta pode diminuir o impacto ambiental da produção de petróleo a partir das areias betuminosas, cujas reservas são estimadas em 3,6 trilhões de barris (o dobro da quantidade conhecida de petróleo convencional).


Não foi mencionado, porém, um outro efeito associado: as mudanças climáticas provocadas pelos gases estufa emitidos quando o petróleo é queimado. Talvez os microorganismos também possam ajudar nessa questão (afinal, foram responsáveis pela composição da atmosfera até o aparecimento dos seres humanos).


Os pesquisadores também descobriram que a Escherichia coli ─ mais conhecida por seu papel na contaminação de alimentos ─ é excelente na limpeza de outra fonte de energia potencialmente importante, porém letal: resíduos radioativos. Lynne Macaskie e seus colaboradores da Universidade de Birmingham apresentaram na mesma conferência um estudo que mostra como a Escherichia coli, aliada a uma substância química barata e facilmente obtida (fosfato de inositol), pode recuperar urânio de águas poluídas de minas.


Basicamente, a E. coli decompõe a substância liberando fosfato, que se liga ao urânio formando um precipitado no exterior da célula, que pode ser recuperado. Os pesquisadores estimam que o urânio obtido dessa maneira custaria cerca de US$ 0,15 por grama. O processo também oferece uma vantagem ambiental, pois remove o material radioativo dos rejeitos de mineração. O processo poderia até ser empregado em combustível nuclear usado e outros resíduos nucleares.


Fonte: Scientific American

Malária: O Homem e o Chimpanzé

Parasita da Malária Humana veio de chimpanzé

De onde veio a malária humana: de frangos ou chimpanzés? Essa questão tem sido debatida nos últimos 50 anos: qual a origem do parasita da malária humana mais comum, o Plasmodium falciparum, que provoca a morte de no mínimo 1 milhão de pessoas anualmente. Uma nova pesquisa aponta para nossos parentes, os primatas.“Esse é um dos extraordinários desafios médicos da humanidade”, observa Nathan Wolfe, diretor do Programa Global de Previsão Viral, com sede em São Francisco, Califórnia, e coautor do trabalho publicado recentemente on-line no Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Estamos diante talvez da mais devastadora doença da humanidade, mas sua origem permanece desconhecida.”Alguns investigadores teorizam que o P. falciparum seja uma variante de um parasita encontrado em frangos, mas a maioria argumenta que as malárias de humanos e símios coevoluíram de um ancestral comum há vários milhões de anos.Isso tudo aconteceu antes de Wolfe e sua equipe descobrirem a variedade surpreendente do parasita Plasmodium que infecta chimpanzés, chamado P. reichenowi, cuja variedade genética é muito maior que da espécie que ataca humanos.
Como os parasitas mais antigos tiveram mais tempo para desenvolver variantes, a forma humana, menos diversificada, parece ser bem mais jovem que a dos chimpanzés.Essa precocidade relativa foi confirmada quando pesquisadores dissecaram os detalhes do genoma da espécie. “O parasita da malária humana veio dos chimpanzés”, destaca Stephen Rich, coautor do trabalho e geneticista da University of Massachusetts, em Amherst. De fato, os dados genéticos sugerem que o P. falciparum é uma forma mutante do P. reichenowi. “Quando observamos os padrões de ramificação, verificamos que humanos e chimpanzés tinham um ancestral comum há cerca de 5 a 7 milhões de anos. No entanto, não havia um exemplo em que a malária humana estivesse mais fortemente relacionada com pássaros ou frangos que com a malária dos chimpanzés”.

A teoria decorrente supõe que um mosquito picou um chimpanzé e depois um humano, introduzindo o parasita na nossa linhagem há cerca de 10 mil anos, explica Rich.Pesquisas recentes indicam que a malária é menos virulenta em seus hospedeiros chimpanzés. Essa observação também é consistente com a descoberta de que a versão simiana já existe há mais tempo. “Parasitas geralmente evoluem no sentido de obter uma associação vantajosa com seus hospedeiros”, observa Rich. “Tendo tempo suficiente, parasitas e hospedeiros equilibram suas armas de forma a viverem em paz”. Os chimpanzés e sua forma de malária tiveram, portanto, bastante tempo para chegar a bom termo.Essa conclusão “é compatível com o que se sabe sobre a evolução do vetor da malária”, avalia Greg Lanzaro, diretor do Laboratório de Genética de Vetores da University of California, em Davis. “Mas é preciso juntar todas as peças para se entender o que acontece: a genética humana, a biologia dos mosquitos vetores que fazem a transmissão, e, certamente, o próprio parasita”.

A descoberta é mais uma peça do quebra-cabeças.Rich e seus colegas continuam coletando dados e sequenciando genomas na esperança de entender melhor como a malária afeta os chimpanzés e determinar quando ela se transferiu para os humanos. Enquanto isso, sua descoberta já tem repercussão na pesquisa médica. Sarah Tishkoff, geneticista da Escola de Medicina da University of Pennsylvania, acredita que as diferenças entre a suscetibilidade de humanos e primatas “pode fornecer pistas importantes para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos mais eficazes”. Wolfe concorda e acrescenta que a descoberta “não se restringe apenas aos registros históricos”.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Enquete: Terapia Genética

Terapia Genética

Heytor Victor


Saudações, visitantes do TudodeBio. Estamos de volta com uma nova enquete sobre Terapia Genética.
Para saber mais sobre o assunto, postamos uma matéria retirada do site da Scientific American logo abaixo. Gostaríamos da opinião de vocês sobre tal tema, que envolve uma questão ética e até religiosa por parte de muitas pessoas.
A enquete terá duração de um mês, e logo após esse prazo, publicaremos uma matéria especial escrita por nós, fazendo um resumo de cada opção selecionada na enquete.
A enquete está localizada na barra ao lado direito. Participem!

Agradecemos desde já.

Um Outro Lado Da Terapia Gênica

Terapias experimentais podem deixar lições amargas

Há dez anos fracassou completamente a possibilidade de usar genes normais para curar defeitos congênitos, quando Jesse Gelsinger, jovem de 18 anos de Tucson, Arizona, morreu de falência múltipla dos órgãos durante uma terapia genética experimental na University of Pennsylvania (normalmente chamada de Penn). Hoje a sala de reunião do Laboratório de Pesquisas Translacionais da universidade está repleta de objetos que lembram aquela experiência. Exemplares do livro intitulado Construindo a Confiança Pública e Biossegurança no Laboratório são encontrados nas prateleiras e no quadro branco está escrito “IL-6” e “TNF-α”, abreviações que representam alguns dos fatores imunológicos que ficaram fora de controle no corpo de Gelsinger.

Essas alusões ao passado não surpreendem, considerando que a experimentação clínica mudou drasticamente a terapia genética e, em particular, a vida de James M. Wilson, médico geneticista que chefiava o Instituto para Terapia Genética Humana da University of Pennsylvania, responsável pelo teste. A Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) proibiu a realização de experimentos com seres humanos e Wilson deixou seu posto no instituto, hoje extinto, embora tenha continuado a fazer pesquisa na Penn. Ele evitou aparecer em público até 2005, quando foi autorizado a fazer testes clínicos sob a supervisão de um pesquisador designado pela FDA, pois ficou impedido de chefiar experimentos por cinco anos. A agência também solicitou que escrevesse um artigo ─ publicado, em abril, na Molecular Genetics and Metabolism ─ sobre as lições aprendidas. Desde então começou a fazer palestras em universidades sobre a importância do exercício cuidadoso das ciências médicas, particularmente quando se trata de terapia com células-tronco, que hoje substituiu a terapia genética.

O tom de Wilson, ao discorrer sobre os fatos de 1999, mostra que o assunto ainda é doloroso. “Não teria prosseguido com os testes se soubesse o que sei hoje”, observa. Nos anos 1990, cientistas como ele estavam muito envolvidos com as perspectivas da terapia genética para perceber que seus conhecimentos sobre o assunto não eram suficientes para obter sucesso com seres humanos. “Fomos seduzidos pela simplicidade do conceito: coloca-se o gene lá e pronto.”

A experiência realizada testava uma terapia para deficiência de ornitina transcarbamilase (OTC, na sigla em inglês), doença rara em que falta no fígado uma cópia funcional do gene OTC. Esse defeito impede o corpo de eliminar amônia, derivado tóxico resultante do metabolismo de proteínas. Os cientistas da Penn desenvolveram um adenovírus (vírus do resfriado) enfraquecido para transportar uma cópia normal do OTC para o fígado.

Dezessete pacientes passaram pelo tratamento antes de Gelsinger, integrante do grupo que recebia a dose mais alta da terapia. Muitos cientistas, bem como a FDA, questionaram por que Gelsinger estava sendo tratado, uma vez que diversos pacientes de outros grupos já haviam sofrido sérias reações hepáticas. Wilson alega que “esse tipo de toxicidade era esperada”, com base nos experimentos feitos em animais, e acreditava que a experiência estava sob controle. De acordo com Mark Batshaw, diretor do Instituto de Pesquisa da Criança do Centro Médico Nacional da Criança, em Washington, D.C., Wilson e demais membros da comunidade científica tiveram de aprender da maneira mais difícil “que os resultados obtidos com animais não predizem necessariamente o que ocorrerá com seres humanos”. Batshaw também estava envolvido na experiência de 1999.

A FDA questionou a decisão de tratar Gelsinger também por outras razões. Pouco antes do início do tratamento, Gelsinger ─ que sofria de uma forma branda da doença ─ tinha altos níveis de amônia no sangue, indicando que o fígado não funcionava bem. Os níveis estavam dentro de valores aceitáveis quando ele se inscreveu para participar do teste, três meses antes, mas os cientistas prosseguiram assim mesmo. Wilson, responsável pelo protocolo e sua execução, admite que “no protocolo não ficava suficientemente claro que nível a amônia poderia atingir, e quando, o que era uma falha importante”.

Os altos níveis de amônia contribuíram para a morte de Gelsinger? Essa pergunta deixa Wilson pensativo durantes alguns instantes, antes de responder: “Bem, acho que não, mas em biologia as coisas raramente são provadas.” Ninguém sabe exatamente como o processo ocorreu. As funções do fígado de Gelsinger e sua resposta imunológica estavam relacionadas, no entanto. Hoje Wilson acredita que o jovem morreu de um fenômeno raro conhecido como aumento da dependência de anticorpos (ADE, na sigla em inglês). O rapaz pode ter sido exposto ao mesmo adenovírus no passado, o que fez com que seu corpo criasse anticorpos. Normalmente os anticorpos controlam um vírus que invade novamente o corpo, mas ocasionalmente provocam resposta imunológica perigosa. Wilson admite, no entanto, que não há como provar isso, porque não restou nenhuma amostra de sangue de Gelsinger coletada antes do tratamento.

Wilson observa que, se Gelsinger de fato morreu por causa de uma complicação rara e imprevisível, ele não pretende se esquivar da responsabilidade. “A universidade, a comunidade científica e as famílias que confiavam no nosso sucesso, ficaram desapontadas”, desabafa. “Sinceramente não encontro outra forma de dizer isso. Lamento muito, estou arrependido, sinto-me péssimo; Sinto muito.” A universidade pagou um valor, não divulgado, para encerrar um processo de morte por negligência, instaurado pela família de Gelsinger.

No artigo sobre “as lições aprendidas”, Wilson aconselha os pesquisadores a evitarem situações que possam acarretar problemas financeiros (em 1992 Wilson fundou uma empresa de biotecnologia dedicada à terapia genética). Ele também argumenta que os cientistas pesquisadores de terapias não devem ser os mesmos a fazer os testes em seres humanos. “Não se pode ser a pessoa que age em benefício do objeto da investigação”, comenta. E acrescenta que cientistas clínicos devem sempre se perguntar: “No pior cenário possível – não no provável ou potencial, mas no pior – isso seria aceitável?” Segundo ele, se tivesse feito a si mesmo essa pergunta, em 1999, não teria continuado.

Essa tem sido uma década difícil para a terapia genética, mas Wilson acredita que a perda de prestígio era inevitável. A morte de Gelsinger “foi certamente um acontecimento deflagrador”, afirma, mas “os astros estavam se alinhando e esse campo da ciência estava prestes a enfrentar tempos difíceis”. Embora alguns experimentos com terapia genética tenham tido certo sucesso, podem ter produzido reações adversas nos voluntários.

Apesar de tudo, Wilson não desistiu da área ─ está tentando torná-la mais segura. Desde 1999, subvencionado pela GlaxoSmithKline, seu laboratório identificou 120 novos vírus associados à adenovírus, que podem penetrar facilmente no sistema imunológico e introduzir genes terapêuticos com riscos menores, e os distribuiu para 700 pesquisadores de todo o mundo para mais estudos. Ele e outros esperam que casos como o de Jesse Gelsinger não se repitam.

Fonte: Scientific American

Raridade: Planta Insetívora no Pará

Encontrada espécie rara de planta insetívora no Pará

Durante expedição aos municípios de Mocajuba e Igarapé-Miri, no nordeste do Pará, os pesquisadores do MPEG Leandro Ferreira, Samuel Almeida e Luiz Carlos Lobato observaram ocorrência de uma espécie de planta insetívora na região, cientificamente conhecida como Drosera cayennensis Sagot. Ex Diels.

A espécie é popularmente conhecida como uma planta carnívora e pode ser encontrada em vegetações abertas, como campinas, cerrados e campos de altitude. Segundo Leandro Ferreira, da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia da instituição, o termo apropriado para esta planta é insetívora. “Ela tem pêlos recobertos com uma substância viscosa, usada para atrair e prender insetos que servem para sua alimentação, explica o pesquisador”.

Além disso, a descoberta da Drosera cayennensis Sagot. Ex Diels na região é importante para reforçar a necessidade da preservação dessas vegetações no Pará. “Isso será possível por meio da criação de novas unidades de conservação que estamos propondo aos gestores públicos”, complementa o pesquisador Leandro Ferreira.

Os pesquisadores foram às cidades de Mocajuba e Igarapé-Miri para realizar inventários sobre a vegetação dos cerrados e campinas no leste do Pará. Esses inventários fazem parte do Projeto Zoneamento Ecológico-Econômico da Zona Leste e Calha Norte realizado pelo MPEG, em parceria com a Secretaria Especial de Projetos Especiais do Estado do Pará.

Outras expedições já foram realizadas em alguns municípios do Pará com o objetivo de conhecer mais sobre os tipos de vegetações abertos no estado para subsidiar a criação de novas unidades de conservação. Durante as visitas aos municípios de Mocajuba e Igarapé-Miri, os pesquisadores constataram que a região está se deteriorando devido à intensa retirada de areia e seixo para a construção civil.

Segundo o pesquisador Samuel Almeida, da Coordenação de Botânica do MPEG, a situação da vegetação de cerrados e campinas no Estado é preocupante. As vegetações que ocorrem em solo que sofre inundações periódicas, já foram, segundo Almeida, “completamente destruídas em outras regiões do Estado”, como no distrito de Mosqueiro e no município da Vigia.

Baleias Encalhadas e Doença

Doenças podem provocar encalhe de baleias

Segundo a neuroetologista, Darlene Keetten, do Instituto Oceanográfico Woods Hole, Massachusets, “só é possível determinar a causa de um encalhe de baleias em cerca de 50% dos casos,” e neles, às vezes, a causa é óbvia: choque com uma embarcação que deixa o animal com diversas fraturas e cortes profundos. “Eu costumo usar como analogia uma batida de carro: uma série de motivos pode provocar o choque, mas o resultado final é sempre o mesmo”.

No nordeste americano, pneumonia e trauma após tempestades, são causas comuns. No entanto, há outros tipos de trauma, incluindo o ataque por membros da mesma espécie. Poluentes produzidos pelo homem e toxinas naturais, como neurotoxinas produzidas por algas, estão provocando encalhes em massa. Anomalias do campo magnético e tsunamis também têm sido apontados como agravantes.

Os casos mais interessantes, no entanto, decorrem de doenças e fatores congênitos. “Encontramos nas baleias, parasitas e patologias muito mais graves que em animais domésticos e humanos. É surpreendente que os animais sobrevivam tanto tempo nessas condições,” comenta Keetten.

Sonares militares certamente contribuíram para encalhes recentes, mas nenhuma evidência garante que todas as baleias estão sendo afetadas por sonar. “É interessante que somente baleias de bico parecem ser afetadas e somente em alguns locais, o que poderá facilitar a solução do problema”, avalia a pesquisadora.

Dessa forma, há casos em que não existe uma resposta única e clara. Técnicas de diagnóstico comuns em medicina humana como tomografia, ressonância magnética e estudos moleculares estão sendo usados para ajudar a entender melhor as causas dos encalhes.

Baleias encalhadas são relatadas desde a época de Aristóteles e, portanto, devem representar um fenômeno natural. Isso suscita uma questão: se você insistir em devolver um animal para o mar, poderá estar prejudicando toda a população. Se o animal está doente, que benefício você traz para o grupo? “Defendo a reabilitação dos animais, desde que isso seja possível”, afirma Keetten, mas o assunto é uma questão importante a ser discutida.

“Se uma atividade humana provoca um encalhe, precisamos conhecer suas causas — para tomar decisões sobre poluentes, rotas de embarcações e ruídos” comenta Keetten. Tudo isso contribui para piorar a saúde de espécies críticas como as baleias do nordeste americano, com menos de 400 espécimes restantes. O número de ocorrências está, de fato, aumentando, mas o que os pesquisadores estão tentando descobrir é se o aumento é generalizado ou se está ocorrendo somente em áreas especificas.

Às vezes, a única opção possível é sacrificar o animal — como aconteceu em maio, depois que um provável assassino de baleias deixou os animais na areia, perto da Cidade do Cabo, na África do Sul. Foi desafiador colocá-las de volta no mar, no inverno.

Apesar de grandes, num certo sentido são bastante frágeis. Por exemplo, não se deve permitir a entrada de areia ou água no orifício de respiração ao manipulá-las; o efeito é o mesmo que aspirar água pelo nariz. Se você recolocar o animal na água e ele nadar, mas ainda se sentir fraco e voltar duas ou três vezes para a praia, é preciso verificar se ele tem condições de sobreviver ou está sofrendo e nesse caso, um veterinário deve abreviar a morte animal.

Micro no Espaço

Sonda Phobos-Grunt levará microorganismos ao espaço

Na exploração do espaço, o Planeta Vermelho sempre é o destaque das missões científicas. Mas há boas razões também, para se observar Phobos ─ a mais interna e maior das pequenas duas luas de Marte. A Agência Federal Espacial Russa (Roscosmos) pretende lançar no próximo mês, a bordo de um foguete Zenit, a sonda Phobos Grunt exatamente com essa finalidade. A missão, de três anos, consiste em fazer pousar uma sonda na lua distante, colher amostras do solo para análise e trazê-las de volta à Terra para uma análise detalhada. O nome da sonda em russo, significa “solo de Phobos”.

Se bem-sucedida, a Phobos-Grunt será uma vitória para a Roscosmos. Por muito tempo a Rússia se esforçou para chegar a Marte, mas não conseguiu realizar uma missão interplanetária com sucesso por décadas. Em 1996, a Rússia lançou o Mars 96 para explorar o Planeta Vermelho, mas ocorreu uma falha do foguete ainda em órbita da Terra. A Phobos-Grunt será pioneira, também, ao trazer a primeira amostra de uma superfície planetária desde a Luna 24, da antiga União Soviética, em 1976.

Como lua, Phobos é estranha. Com a forma de uma batata, mede somente 27 km em sua parte mais larga e orbita Marte a uma distância de somente de 6 mil km. Os pesquisadores acreditam que Phobos e sua companheira ainda menor, Deimos, surgiram como asteroides que foram gravitacionalmente empurrados para a órbita de Marte. As agências espaciais querem saber se o interior poroso dessas luas contém água, que seria ultilizada por futuros visitantes de Marte.

A Rússia já tentou chegar a esse destino antes. Falhas de computador fizeram com que as naves Phobos 1 e 2, ambas lançadas em julho de 1988, fossem abandonadas antes que pudessem completar suas missões. Nos últimos meses, surgiram rumores de que o lançamento da Phobos-Grunt será adiado para 2011, na melhor das hipóteses, quando a janela de vôo se abrir novamente.

Com esse atraso, os pesquisadores poderiam ter mais tempo para excluir itens desnecessários da carga útil da sonda. A Planetary Society ─ um grupo de defesa e exploração do espaço sediado na Califórnia ─ trabalhando em conjunto com o Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências, conseguiu que a Phobos-Grunt transporte o Experimento de Voo Interplanetário Vivo (Life, na sigla em inglês), um grupo de amostras de vida terrestre que deverá seguir para Phobos e voltar na nave russa.

O objetivo, segundo Bruce Betts, gerente do experimento para a Planetary Society, é procurar evidências da transpermia, a ideia de que a vida pode ter surgido em um outro corpo do Sistema Solar e sido transportada, via meteoritos, para semear vida em outro corpo. “A vida pode ter se desenvolvido primeiro em Marte, ter sido expulsa de lá e depois ter vindo para a Terra.”

Embora o Life não possa investigar um cenário tão detalhado, Betts acredita que os resultados serão acrescentados a outros semelhantes já obtidos por naves espaciais. Bactérias sobreviveram em órbitas baixas da Terra por até seis anos, mas rara, e momentaneamente, saíram da proteção da magnetosfera terrestre, que desvia os raios cósmicos prejudiciais provenientes das profundezas do espaço. (Quando o Apollo 12 voltou à Terra, em 1969, com a câmara da sonda não tripulada Surveyor 3, que passou mais de dois anos sobre a superfície lunar, os cientistas acharam o Streptococcus mitis, um possível passageiro clandestino embarcado antes de a sonda ser lançada. Mas a procedência da bactéria não é clara, e alguns suspeitam que a câmara foi contaminada depois de seu retorno à Terra).

Os microrganismos do Life foram escolhidos tendo esse risco em mente. Entre as quatro bactérias que farão a viagem estão as Deinococcus radiodurans resistentes à radiação. Tardígrados, invertebrados microscópicos octópodes ─ também conhecidos como ursos d´água ─ foram selecionados por sua capacidade de restaurar danos do DNA. Fechando o grupo há três espécies de archaea, também conhecidas como extremófilos, por sua capacidade de proliferar em condições adversas a outras formas de vida na Terra ─ juntamente com outras leveduras, sementes da planta, e uma amostra de solo coletada do deserto Negev, em Israel. A maioria das amostras será liofilizada e conservada para a viagem, para resistirem melhor ao frio do espaço.

A coleção Life será acondicionada em frascos individuais dispostos em um disco de titânio com a espessura de um cartão de crédito. Betts observa que a embalagem foi testada para ser submetida a forças de aceleração de 4.000 g, ou 100 vezes a aceleração prevista durante o retorno da nave.

No entanto, alguns cientistas espaciais estão tentando entender por que colocar micro-organismos terrestres perto de Marte, num primeiro momento, levando em conta que as vantagens científicas são bastante modestas. “Meteoritos sobrevivem por milhões de anos ─ porque uma viagem de três anos seria relevante," questiona Daniel Glavin, astrobiólogo do Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, em Greenbelt, Maryland.

Por mais estranho que possa parecer, o experimento atende às proibições internacionais sobre contaminação de Marte ou de outros corpos que possam ter vida, comenta Catherine Conley, funcionária da proteção planetária da Nasa. Ao contrário do planeta que orbita, e sem ar, Phobos certamente é estéril e, portanto, desde que a Roscosmos forneça informações detalhadas do voo, confirmando que Phobos-Grunt vai atingir a lua alvo ─ uma distância segura de Marte ─ a missão estará autorizada.

“É desagradável,” observa Conley, “mas temos regras. E regras claras”.

Fonte: Scientific American Brasil

Ribossomo "Fotografado"

Modeladores da proteína celular rendem um Nobel

O Prêmio Nobel de química de 2009 será dividido entre três pesquisadores que nas últimas duas décadas estudaram detalhadamente ─ ao nível atômico ─ a função do ribossomo como aglutinador de proteínas.

O prêmio será igualmente dividido entre o biofísico Venkatraman Ramakrishnan, do Laboratório de Biologia Molecular MRC em Cambridge, Inglaterra, o bioquímico Thomas Steitz, da Yale University, e a bióloga molecular Ada Yonath, do Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot, Israel, pelo seu trabalho na utilização de cristalografia de raios X para obter imagens precisas em escala atômica do ribossomo ─ a máquina produtora de proteínas em todas as células com núcleo procriadoras de vida.

Segundo Mans Ehrenberg, biólogo da universidade de Uppsala, Estocolmo, Suécia, o trabalho dos pesquisadores se refere a modelos da estrutura do ribossomo em resolução tão alta que é possível visualizar seus detalhes atômicos.

Esse imageamento é possível graças à cristalografia de raios X. Por essa técnica, o feixe incide sobre um cristal preenchido com ribossomos, criando uma figura de difração que revela aspectos internos (detectadas por câmaras CCD). Yonath mostrou ser isso possível construindo cristais preenchidos com ribossomos de bactérias que gostam de calor e archeas que tem afinidade com sal. O cristal é estabilizado ao ser submetido a temperaturas muito baixas.

Steitz produziu as primeiras imagens de alta resolução do ribossomo em 1998, refinando a técnica até chegar ao nível dos detalhes atômicos. Posteriormente, Ramakrishnan revelou que o ribossomo garante a precisão não só monitorando a estabilidade das ligações entre aminoácidos que junta em proteínas, mas também usando uma “régua” para verificar a geometria das ligações. “É possível obter uma precisão ordens de grandeza melhor”, explica Ehrenberg, ou um erro em cada 100 mil aminoácidos ligados.

Yonath é a quarta mulher a receber um Prêmio Nobel de química e a primeira desde 1964, quando Dorothy Hodgkin venceu por seu trabalho com cristalografia de raios X em penicilina e colesterol.

Além de revelar um dos processos mais importantes que possibilitam a vida, o trabalho também permite um estudo atômico detalhado sobre o funcionamento dos antibióticos. Aproximadamente metade dos antibióticos ataca ribossomos patógenos; assim, entender como as drogas se encaixam nos ribossomos e alteram seu funcionamento correto pode levar à descoberta de novos antibióticos que ajudem a impulsionar a maré crescente de cepas resistentes a antibióticos.

“Ao iniciar essa pesquisa nos anos 70, entendi que enveredava por um caminho muito importante da vida”, comenta Yonath. “Agora estamos investigando ligação por ligação, em busca de novos antibióticos. Isso é muito importante porque a resistência está aumentando e, cada vez mais, os antibióticos se tornam menos úteis e eficazes”.

Fibromialgia é Mal Físico

Pesquisas demonstram que fibromialgia é mal físico

Dor nos ombros, nos braços, nas costas, nas pernas, na cabeça, nos pés. Quem tem fibromialgia conhece bem o corpo, pois todo ele reclama. Em momentos de crise, até um toque delicado pode incomodar. Pessoas com esse quadro clínico sofrem duplamente, pois a doença demorou a ser reconhecida como um mal físico. “A fibromialgia já foi confundida com depressão e estresse.

Por falta de informação ─ e diagnóstico ─, os pacientes ainda tinham que sofrer na alma o transtorno que a dor já impunha ao corpo”, comenta o geriatra Eduardo Gomes de Azevedo, diretor da rede de Clínicas Anna Aslan.

Atualmente, com o avanço dos estudos e pesquisas, as evidências comprovam que a fibromialgia é doença física, sim. Não se trata de uma síndrome invisível. Há trabalhos científicos mostrando que o portador apresenta alterações na anatomia cerebral. Um desses estudos apresentado no fim do ano passado, na França, mostrou que graças a um exame por imagem chamado Spect (tomografia computadorizada por emissão de fóton), os médicos do Centro Hospitalar Universitário de La Timone, em Marselha, constataram que no cérebro de 20 mulheres com esse tipo de hipersensibilidade havia um fluxo maior de sangue em regiões que identificam a dor.

Paralelamente, notaram uma queda de circulação na área destinada a controlar os estímulos dolorosos. Nas dez voluntárias saudáveis que participaram da pesquisa, nenhuma alteração foi detectada. Este trabalho se soma a inúmeros outros sobre a presença do distúrbio, como o aumento dos níveis de substância P, o neurotransmissor que dispara o alarme da dor e a menor disponibilidade de serotonina, molécula que avisa ao sistema nervoso que a causa da dor já passou.

Confirmada que a fibromialgia está longe de ser uma doença psíquica, a pergunta que ainda não foi respondida é por que a doença ataca. “Quando soubermos a sua origem, conseguiremos dominar a causa e encontrar a cura”, observa o médico. Por enquanto, o que se conhece são os gatilhos do terrível incômodo ─ fatores que desencadeiam a crise, como o estresse pós-traumático ─, além dos meios de minimizar o quadro e devolver qualidade de vida aos pacientes.

Muitos profissionais de saúde acreditam que, a associação de drogas como antidepressivos e neuromoduladores terão efeito sinérgico na briga contra a dor. É que, enquanto o antidepressivo eleva a oferta de serotonina e noradrenalina, sedativos naturais do sistema nervoso, os neuromoduladores alteram a transmissão do estímulo doloroso para o cérebro, diminuindo os níveis da tal substância P.

Já as drogas como os opióides, com exceção do tramadol, não são muito eficazes no tratamento fibromialgias. “O consenso é que no rol de cuidados não podem faltar remédios, atividade física aeróbica e uma boa alimentação. Um exemplo: caminhar de três a quatro vezes por semana, durante 30 minutos, libera substâncias prazerosas como as endorfinas e relaxa a musculatura. Alguns portadores que seguem esse receituário chegam até a dispensar a medicação”, avalia o geriatra.

Segundo Azevedo, que também é adepto da prática ortomolecular, durante o tratamento, é preciso “ensinar ao paciente algumas artimanhas para evitar os fatores estressantes, que são gatilhos para a dor. Técnicas de respiração, de relaxamento e de visualização, em que o indivíduo imagina caminhos para o alívio, são alguns exemplos”.

Fonte: ScientificAmerican

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mais Células-Tronco

Novo método produz mais células-tronco com tecidos adultos

Pesquisadores americanos anunciaram a descoberta de um método para aumentar a produção de células-tronco a partir de tecidos adultos. A técnica é mais um passo no caminho de conseguir a produção de um grande número de células-tronco sem a utilização de embriões humanos.

O uso de embriões para o cultivo de células-tronco é polêmico porque muitos ativistas alegam que é antiético destruir embriões em nome da ciência. Em um artigo publicado na última edição da revista especializada Nature Methods, a equipe de pesquisadores americanos relata como conseguiu, com o uso de químicos, produzir células-tronco a partir de tecidos adultos de maneira 200 vezes mais eficiente e duas vezes mais rápida que nos métodos anteriores.

As células-tronco são capazes de se desenvolver em qualquer outra célula do organismo e, por isso, são consideradas promissoras para futuros tratamentos de doenças degenerativas ou de acidentes com danos permanentes.

Vírus
A possibilidade da criação de células-tronco a partir de tecidos adultos foi descoberta pela primeira vez em 2007 por pesquisadores japoneses e americanos. Eles haviam usado vírus para inserir quatro genes nas células que as levavam a ligar e a desligar outros genes para revertê-las ao estado de células-tronco. Mas o processo levava semanas, e a taxa de sucesso era de apenas uma em 10 mil células.

A nova pesquisa avança sobre a de 2007 ao adicionar alguns elementos químicos para melhorar o processo. O coordenador do estudo, Sheng Ding, disse que os pesquisadores conseguiram manipular um processo "fundamental" nas células.

"Tanto em termos de velocidade como de eficiência, nós conseguimos grandes melhorias sobre as condições convencionais", afirmou. "Acredito que este método será rapidamente adotado pelos estudos futuros, acelerando as pesquisas significativamente", disse.

Olazapina contra câncer

Drogas antipsicóticas são usadas contra tumores

A observação de que a incidência de diversos tipos de câncer é menor em pacientes tratados com medicamentos antipsicóticos abre uma nova linha de pesquisa na oncologia. Um estudo publicado no periódico International Journal of Cancer mostra que a droga pimozida, usada no tratamento da esquizofrenia e na síndrome de Tourette, foi efi caz contra tumores de mama, pulmão e cérebro, em experimentos realizados in vitro. Os pesquisadores da Universidade do Sul de Gales, no Reino Unido, suspeitam que o princípio ativo mate as células cancerígenas por meio do bloqueio da síntese e do transporte de colesterol, componente essencial para a divisão celular acelerada dos tumores. Os cientistas obtiveram resultados semelhantes em testes com outro antipsicótico, a olazapina. Segundo os autores do estudo, as doses usadas nos experimentos foram bem menores que as indicadas para pacientes psiquiátricos, o que pode resultar em efeitos adversos mais amenos. A próxima etapa da pesquisa deve ser realizada em animais.

Águas-Vivas Gigantes!

Superpopulação de águas-vivas atrapalha pesca no Japão

A superpopulação de águas-vivas gigantes está trazendo prejuízos para a indústria da pesca no centro do Japão. Entre setembro e outubro, pescadores chegaram a fisgar duas mil águas-vivas gigantes.

Com 150 kg e mais de 1 m de diâmetro, as águas-vivas arrebentam as redes, dificultando o trabalho dos pecadores. Ainda não se sabe o que tem causado o aumento do número de águas-vivas, mas especialistas suspeitam que o aquecimento da água nesta área pode ser a razão.

domingo, 18 de outubro de 2009

Imagem da Semana

Exposição no Rio mostra maravilhas da natureza

O sapo-venenoso azul (Dendrobates tinctorius) faz parte dos animais surpreendentes exibidos na exposição. De tão tóxicas que são suas excreções, eram usadas por tribos indígenas para envenenar flechas e zarabatanas. O animal fotografado foi encontrado no Pará e, segundo a Conservação Internacional, a presença do anfíbio é um indicador de meio ambiente preservado. (Foto: Adriano Gambarini-Conservação Internacional/Divulgação)

Migração de Enguias

Um pouco menos de mistério na migração das enguias

A enguia europeia passa a maior parte de sua vida em rios e lagos, mas em algum momento ela ruma corrente abaixo, para o oceano.

Cientistas estão bastante certos de que as enguias, assim como suas parentes americanas, viajam ao Mar dos Sargaços no Atlântico para se reproduzirem, mas a verdade é que pouco se sabe a respeito da migração das enguias.

"Quando as enguias estão deixando as áreas costeiras, não sabemos nada", afirmou Kim Aarestrup, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Recursos Marítimos da Universidade Técnica da Dinamarca. "Elas praticamente desaparecem".

Porém, Aarestrup e seus colegas conseguiram eliminar parte do mistério dessa migração. Usando pequenos dispositivos ligados a enguias, eles as rastrearam da costa oeste da Irlanda durante parte da viagem de 3 mil milhas até o Mar dos Sargaços.

Aarestrup contou que eles usaram protótipos de uma pequena etiqueta que se liberava em datas específicas, disparando para a superfície e transmitindo dados a um satélite. As etiquetas têm 4 polegadas de comprimento, então os pesquisadores examinaram cerca de 100 mil enguias para encontrar 22 que pesassem aproximadamente 2,3 quilos, o que é cinco vezes maior que uma enguia comum.
As enguias deixam a costa no outono e supostamente chegam ao mar dos Sargaços na primavera. Assim, os pesquisadores ajustaram as etiquetas para se soltarem no primeiro dia de abril. Conforme relato publicado na Science, isso foi cedo demais: o mais longe que as enguias haviam chegado eram 1.287km.

Aarestrup afirmou ser possível que as etiquetas tivessem se tornado uma força de resistência, o que acabou atrasando os peixes. Se não for isso, e as enguias simplesmente levem naturalmente mais tempo para chegar lá, disse ele, as ideias sobre quando elas se reproduzem "teriam de ser adaptadas".

Os dados também mostraram que as enguias nadam em profundidades de aproximadamente 198 metros durante a noite, mas submergem a 609 metros durante o dia. A descida a águas mais frias, segundo sugerem os pesquisadores, retarda a maturação sexual das enguias até que atinjam o Mar dos Sargaços – quando quer que seja.

Fonte: G1

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Aranha "Vegan"

Pesquisador descobre espécie de aranha vegetariana

Em estudos de campo conduzidos no México dois anos atrás, Christopher Meehan, então aluno na Universidade Villanova, dedicou seu tempo a observar uma aranha saltadora que vivia em uma acácia. A planta também abrigava grande número de formigas, já que acácias e formigas oferecem um exemplo conhecido de mutualismo - os insetos oferecem proteção à planta e em troca a acácia produz pontas de folhas saborosas com as quais as formigas podem se alimentar.
Meehan compreendeu que a aranha estava provavelmente caçando em busca de um jantar. "Fiquei esperando que ela tomasse uma formiga como presa", ele disse. Em lugar disso, para sua surpresa, a aranha, da espécie Bagheera kiplingi, manobrava para passar pelas formigas e preferia se alimentar das pontas de folhas.
Meehan, hoje na Universidade do Arizona, descobriu o primeiro exemplo de uma aranha em larga medida vegetariana. Ele e Eric Olson, da Universidade Brandeis, que observou comportamento semelhante entre a B. kiplingi na Costa Rica, publicaram um estudo sobre o assunto na revista Current Biology.
Algumas aranhas ocasionalmente se alimentam de pólen ou néctar, mas apenas como suplemento para sua dieta típica formada por insetos. Por meio de observações e análises isotrópicas, os pesquisadores observaram que a B. kiplingi prefere folhas a formigas, como alimento - especialmente no México, onde cerca de 90% da dieta do animal consistia de tecidos vegetais.
As aranhas caçam sua presa vegetal de maneira ativa. "Cada episódio de alimentação traz novos obstáculos", disse Meehan. "A aranha contempla um alvo, e ocasionalmente recua e volta a observar. Depois, usar diversas manobras acrobáticas para passar pelas formigas".
Meehan diz que o comportamento era um exemplo de exploração de mutualismo por terceiros organismos. "Está bem estabelecido que a interdependência entre as formigas e acácias permitiu o surgimento das folhas saborosas", disse. "E agora a única aranha herbívora conhecida depende dessa interdependência".

Simplesmente Aspirina

Aspirina pode ter influenciado epidemia de gripe de 1918

A epidemia de gripe de 1918 foi provavelmente a mais mortífera praga da história humana, causando mais de 50 milhões de mortes em todo o mundo. Agora, parece que um pequeno número de mortes pode ter sido causado não só pelo vírus como pelo medicamento usado em seu tratamento: a aspirina.

A Dra. Karen Starko, autora de um dos primeiros estudos que vincula o uso de aspirina à síndrome de Reyes, publicou um artigo no qual sugere que overdoses do novo "remédio miraculoso" podem ter tido consequências fatais.

O que despertou as suspeitas de Starko é que altas dosagens de aspirina, hoje consideradas como perigosas, eram usadas comumente no tratamento da gripe, e pode ter sido difícil distinguir entre os sintomas de overdose de aspirina e os da gripe, especialmente para pacientes que morriam rapidamente depois da infecção.

Algumas dúvidas já foram ventiladas na época. Pelo menos um patologista da era, que trabalhava para o Serviço de Saúde Pública, reportou que os danos pulmonares que encontrara em autópsias de mortes rápidas eram pequenos demais para que se pudesse atribui-los a uma pneunomia viral, e que o grande volume de um líquido sangrento e aquoso encontrado nos pulmões poderia ter tido outra causa.

Starko reconheceu que não dispunha de relatórios de autópsia ou outros documentos que possam provar que a aspirina era o problema. "A situação naqueles lugares era caótica", ela disse, "e não estou certa de que os registros fossem precisos em todas as instituições".

Mas dos muitos fatores que podem ter influenciado o desfecho de qualquer caso específico, escreveu Starko, a overdose por aspirina se destaca por diversos motivos, entre os quais uma confluência de acontecimentos históricos.

Em fevereiro de 1917 a Bayer perdeu sua patente sobre a aspirina nos Estados Unidos, o que abriu o mercado de um medicamento lucrativo a muitos fabricantes. A Bayer contra-atacou com copiosa publicidade, na qual celebrava a pureza de sua marca, enquanto a epidemia se agravava.

As embalagens de aspirina não continham informações sobre toxicidade e poucas instruções de uso. No final de 1918, diante de uma doença mortífera e que estava se espalhando sem controle, o serviço de saúde pública e a marinha dos Estados Unidos passaram a recomendar a aspirina para tratamento dos sintomas, e as forças armadas adquiriram largo volume do medicamento.

O Journal of the American Medical Association sugeria dosagem de mil miligramas a cada três horas, o equivalente a quase 25 tabletes padrão de 325 miligramas a cada 24 horas. Essa dosagem é cerca de duas vezes mais alta do que o máximo considerado seguro hoje em dia.

O estudo de Starko, publicado na edição de 1° de novembro da Clinical Infectious Diseases, despertou certo interesse, ainda que não tenha sido endossado entusiasticamente, entre os demais especialistas.

"Creio que o estudo seja criativo e faça perguntas pertinentes", disse John Barry, autor de um livro sobre a epidemia de gripe de 1918. "Mas não sabemos quantas pessoas de fato receberam dosagens de aspirina como as discutidas no artigo".

A farmacologia da aspirina é complexa e só passou a ser compreendida em sua plenitude nos anos 60, mas a questão da dosagem é crucial. Dobrar a dose ministrada a intervalos de seis horas por causar elevação de 400% no nível de medicamento que permanece no organismo. Até mesmo doses diárias razoavelmente baixas - de seis a nove tabletes padrão de aspirina a cada dia, por alguns dias - pode causar pressão arterial perigosamente alta em algumas pessoas.

Peter Chyka, professor de farmácia na Universidade do Tennessee, disse que considera a teoria de Starko "intrigante". Na época, diz, pouco se conhecia sobre dosagens seguras, e os médicos muitas vezes iam aumentando a dose até que percebessem sinais de toxicidade.

"No contexto do que hoje conhecemos sobre a aspirina e outros produtos assemelhados à aspirina, Starko fez um esforço interessante para montar esse cenário", disse Chyka. "Existem outras coisas que não apenas a gripe que podem complicar uma doença como essa".

Ainda que duvide que mais que um pequeno número de mortes possa ser atribuído a overdoses de aspirina, o Dr. David Morens, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, disse que o estudo era importante porque "faz uma tentativa de estudar fatores ambientais ou de hospedagem que podem ter influenciado a situação". Ele disse que "não fomos capazes de explicar pelo vírus da gripe em si todas as mortes de jovens adultos registradas naquela época".

Starko hesita em estimar o número de mortes que podem ter sido causadas por overdoses de aspirina, mas sugeriu que os arquivos das forças armadas podem ser uma fonte de informações interessante. "Espero que outros pesquisadores sigam o caminho que abri", disse, "com o exame dos registros de tratamento disponíveis".

Economia, Ecologia e Ética

Coelhos são queimados para gerar biocombustível na Suécia


Coelhos estão sendo usados como matéria-prima para a produção de biocombustível para o aquecimento de casas na Suécia.
Os corpos de milhares de coelhos são queimados em uma usina de geração de energia na região central da Suécia.
Os animais vem da capital sueca, Estocolmo. A Prefeitura mata milhares de coelhos anualmente para proteger parques e campos na cidade.
As espécies de coelhos não são nativas da Suécia. De acordo com as autoridades, os coelhos sujam muitos dos espaços verdes da capital.
Como não há animais predadores de coelhos em Estocolmo, a Prefeitura contrata caçadores para matá-los.
PolêmicaUm dos caçadores, Tommy Tuvunger, disse ao site da revista alemã Spiegel que seis mil coelhos foram mortos no ano passado. Neste ano, três mil já foram caçados.
"Eles são um problema muito grande", diz Tuvunger. "Depois de mortos, os coelhos são congelados e, quando temos números suficientes, uma empresa vem e os leva."
Os coelhos são levados para a usina na cidade de Karlskoga, que os queima para fornecer energia para o aquecimento de casas.
Leo Virta, diretor da empresa Konvex, que fornece os coelhos para a usina, desenvolveu uma forma de processar os restos dos animais para a produção de biocombustível com financiamento da União Europeia.
Com a técnica, o corpo do coelho é esmagado, ralado e depois levado a uma caldeira, onde é queimado junto com pedaços de madeira e lixo para geração de calor.
"É um bom sistema, porque resolve o problema de lidar com o lixo animal e gera aquecimento", disse Virta à BBC.
O editor do jornal The Local, de Estocolmo, disse à BBC que a notícia do uso de coelhos para produção de biocombustíveis gera polêmica no país.
"Na cidade onde eles estão sendo queimados, a reação dos moradores é bastante calma", disse o editor James Savage.
"Mas em Estocolmo, existe a preocupação de que os coelhos são bonitinhos. Isso entre algumas pessoas, em especial ativistas de direitos animais, que pensam que esta não é uma boa forma de se tratar coelhos."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Câncer Congênito

Mãe pode passar câncer para o bebê no útero, diz estudo


Em casos raros, células cancerosas da mãe podem atravessar a placenta e "infectar" bebês saudáveis ainda no útero materno, de acordo com um novo estudo do Instituto de Pesquisa do Câncer da Grã-Bretanha.

A pesquisa foi publicada na última edição da revista médica Proceedings of the National Academy of Sciences e prova que em pelo menos um caso, o sistema imunológico do bebê não foi capaz de evitar o contágio das células cancerosas de leucemia.

Este tipo de "infecção" é objeto de estudos médicos há mais de cem anos, e acreditava-se que as defesas imunes do bebê fossem capazes de destruir as células doentes que porventura atravessassem a placenta.

No entanto, existem 17 casos documentados de mães e filhos que parecem ser vítimas do mesmo câncer: leucemia ou melanoma. O estudo recém-publicado examina o caso de uma japonesa e de seu neném, ambos com leucemia.

Através de sofisticadas técnicas de identificação genética, os especialistas chegaram à conclusão de que o câncer da criança foi passado pela mãe ¿ as células tinham uma mutação genética cancerosa idêntica.

Invisíveis
Os pesquisadores também teriam conseguido comprovar que esse gene não poderia ter sido herdado da mãe, ou seja, o bebê não teria desenvolvido leucemia se tivesse crescido isolado da mãe. Os cientistas também tentaram entender por que o sistema imunológico da criança não reconheceu as células cancerosas como ameaça e, por isso, não as destruiu.

A resposta, segundo a pesquisa, estaria na ausência de determinado material genético nas células cancerosas que seria essencial para a identificação delas por parte do sistema imunológico da criança.

"Parece que nesse caso e, presumimos, que em outros também em que o câncer passou de mãe para filho, as células cancerosas maternas atravessaram a placenta do feto em desenvolvimento e foram bem-sucedidas em se implantar, porque eram invisíveis ao sistema imunológico", afirmou o professor Mel Greaves, que coordenou a equipe de pesquisadores.

O médico ressaltou, no entanto, que a transferência de câncer de mãe para filho é extremamente rara e que as chances de uma mãe passar a doença para o seu filho são remotas.

A pesquisa também foi financiada pela organização Pesquisa de Leucemia. Um representante do grupo, David Grant, afirmou que os resultados devem ajudar a concentrar os esforços em primeiro reforçar o sistema imunológico e depois tentar curar pacientes com este câncer.

Extinção Dulcícola

Extinção de espécies de água doce preocupa cientistas

Cientistas alertaram que a extinção de espécies de água doce atingiu níveis alarmantes, tornando os animais destes ecossistemas os mais ameaçados do mundo. Peixes, sapos, tartarugas e crocodilos que vivem em rios, lagoas e mangues estão desaparecendo em um ritmo entre 4 e 6 vezes mais acelerado que as espécies terrestres ou marinhas, segundo especialistas internacionais que se reúnem a partir desta terça-feira, na Cidade do Cabo, na África do Sul, para a Conferência do programa Diversitas sobre biodiversidade.

"Há evidências científicas claras e crescentes de que estamos à beira de enorme crise de biodiversidade em água doce. No entanto, poucos sabem do catastrófico declínio em biodiversidade em água doce tanto em escala local como global", disse Klement Tockner, do Instituto Leibniz de Berlim.

Segundo ele, as implicações disso para a humanidade são "imensas", porque a perda de biodiversidade afeta a purificação das águas, a regulação de doenças, e a agricultura e pesca de subsistência.

O problema teria sido causado pela poluição, pela construção de represas e sistemas de irrigação e pela crescente demanda por água fresca ao redor do mundo, além do aquecimento global.


Metas perdidas
De acordo com os cientistas, as metas de redução da perda de biodiversidade para 2010, estabelecidas na Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica em 2003, não vão ser atingidas.

"Nós certamente não vamos atingir as metas de reduzir as taxas de perda de biodiversidade até 2010 e, como consequência, também não vamos atingir os objetivos ambientais até 2015 dentro das Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU para melhorar a saúde e as vidas das pessoas mais pobres e vulneráveis do mundo", disse Georgina Mace, do Imperial College London, vice-diretora do programa internacional Diversitas.

Mace diz que a biodiversidade é fundamental para que as pessoas tenham comida, combustível, água limpa e um "clima habitável", ainda assim as mudanças dos ecossistemas e a perda de biodiversidade têm crescido continuamente.

"Desde 1992, mesmo as estimativas mais conservadores concordam que uma área de floresta tropical maior que o Estado americano da Califórnia foi transformada em comida e combustível. As taxas de extinção de espécies são pelo menos 100 vezes maiores do que eram antes do surgimento dos humanos e elas devem continuar aumentando."

Para os especialistas reunidos na África do Sul, medidas para combater estes problemas precisam ser tomadas com urgência. Entre elas, eles sugerem a criação de um painel para monitorar as extinções similar ao IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Telômeros "dão" prêmio

Pesquisa sobre proteção dos cromossomos recebe Nobel de medicina

Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak receberam nesta segunda-feira (5) o Prêmio Nobel de Medicina por sua descoberta dos mecanismos de proteção dos cromossomos por meio dos telômeros. Essas estruturas de proteínas e DNA não codificante formam as extremidades dos cromossomos. Este é o 100º Nobel de medicina concedido. Ao todo, 192 cientistas já receberam o prêmio.

O trio trabalha nos Estados Unidos. Elizabeth pesquisa na Universidade da Califórnia; Carol, na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins; Szostak, no Instituto Médico Howard Hughes, na Faculdade de Medicina de Harvard e no Hospital-Geral de Massachusetts.
Os telômeros atuam como dispositivo protetor embutido nos cromossomos. Em 1984, Elizabeth e Carol, então sua aluna, descobriram e batizaram a telomerase, enzima reguladora dos telômeros que já chegou a ser chamada de "enzima da imortalidade".

Mas a telomerase também está presente nas células cancerígenas (que têm uma capacidade ilimitada de multiplicação). Ou seja: a enzima da imortalidade também tem sérios efeitos negativos. Compreendê-la lança luz sobre o processo de envelhecimento e também ajuda na luta contra o câncer.

Em 1999, por exemplo, cientistas do Centro Médico da Universidade do Texas conseguiram matar células tumorais humanas inibindo a telomerase . Eles desenvolveram pequenos inibidores sintéticos antitelomerase. Quando esses inibidores foram introduzidos nas células cancerígenas, causaram encurtamento progressivo dos telômeros e, finalmente, a morte celular. O estudo, publicado em dezembro daquele ano na "Proceedings of the National Academy of Sciences", validava a telomerase como alvo para drogas contra o câncer.


Elizabeth nasceu na Austrália em 1948. Graduou-se em em bioquímica na Universidade de Melbourne (Austrália) e fez pós-doutorado em biologia molecular e celular na Universidade Yale (EUA). Carol é americana, nascida em 1961. Fez doutorado na Universidade da Califórnia e é membro do departamento de biologia molecular e genética. Szostak é inglês, nascido em 1952. Estudou biologia celular na Universidade McGill, em Montreal, Canadá, e fez doutorado em bioquímica na Universidade Cornell (EUA). Cada um receberá um terço do prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,5 milhões).

Segundo o Instituto Karolinska, que anuncia o prêmio, o trio "resolveu um importante problema na biologia". Ainda segundo a instituição, "as descobertas adicionaram uma nova dimensão ao nosso entendimento da célula, clarificaram mecanismos de doenças e estimularam o desenvolvimento de novas terapias".

Contribuições

Elizabeth e Carol identificaram a enzima telomerase, que forma os telômeros. Enquanto isso, pesquisas de Szostak e Elizabeth elucidaram de que modo o encurtamento dos telômeros está vinculado ao envelhecimento. Desde então, os estudos sobre a telomerase se transformaram em um dos campos mais disputados do desenvolvimento de novos medicamentos, principalmente para câncer, uma vez que, acredita-se, que a enzima exerce um papel ao permitir que as células tumorais se reproduzam sem controle.


"(As pesquisas) têm amplas implicações médicas para (o tratamento) de câncer, certas doenças hereditárias e para o envelhecimento", afirmou Rune Toftgard, professor do Instituto Karolinska.

Carol afirmou hoje por meio de nota que a pesquisa que rendeu o Nobel de medicina deste ano ilustra a importância dos “descobrimentos motivados por pura curiosidade”. “Quando iniciamos este trabalho, não tínhamos ideia de que a telomerase estaria envolvida com o câncer, simplesmente tínhamos curiosidade sobre como os cromossomos se mantinham intactos.”

Criado em 1901, o prêmio tem o objetivo de reconhecer pessoas que tiveram atuações marcantes nas área da física, da química, da medicina, da literatura, da paz e, desde 1968, também da economia. O prêmio foi concebido pelo cientista e inventor sueco Alfred Nobel, criador da dinamite, que morreu em 1895. Todos os prêmios são concedidos em Estocolmo, capital da Suécia, a não ser o da paz, que é dado em Oslo, capital da Noruega.

Os premiados são escolhidos de uma lista de nomeados, que não é divulgada previamente. Portanto, apesar de haver sempre muitos palpites e "favoritos", é muito difícil saber quem vai vencer.

Concurso da Natureza

Concurso premia as melhores fotos de natureza

Finalistas amadores e profissionais de um concurso de fotografias retratando a vida selvagem terão suas obras expostas no Museu de História Natural de Londres a partir do fim deste mês. A exposição dos melhores trabalhos do prêmio 'Veolia Environment Wildlife Photographer of the Year 2009' será inaugurada no próximo dia 23 de outubro. A mostra fica em cartaz em Londres até abril do ano que vem, quando as fotos seguem em um roteiro itinerante.
Ao todo, 95 fotografias receberão prêmios de finalistas e menções honrosas. Os vencedores serão anunciados no dia 21 de outubro, dois dias antes da abertura da exposição.
A competição do Museu da História Natural e da revista BBC Wildlife, que ocorre pelo 46º ano consecutivo, recebeu mais de 43 mil inscrições de fotógrafos de 94 países. O prêmio é dividido em 17 categorias e há também uma premiação para dois vencedores gerais - um adulto e outro para jovens de até 17 anos.
Por causa do número crescente de visitantes curiosos para ver os trabalhos da premiação, neste ano o museu vai expor as fotografias em uma de suas maiores galerias.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Um Novo Parente

Hominídeo de 4,4 mi de anos pode esclarecer evolução humana

Uma equipe internacional de cientistas divulgou pela primeira vez um estudo abrangente e extenso sobre o Ardipithecus ramidus, um antigo hominídeo que, há 4,4 milhões de anos, habitava a região hoje conhecida como Etiópia. Ardi, como foi apelidado o esqueleto feminino estudado pela equipe de especialistas, vivia na África um milhão de anos antes de Lucy, a famosa Australopithecus afarensis.
Os especialistas em evolução humana estão constantemente à procura do ancestral comum entre o homo sapiens e o chimpanzé, a espécie mais parecida com humanos hoje existente. Ardi não é este ancestral comum, entretanto, esclarece muito - ao mesmo tempo que surpreende cientistas - sobre o que existiu entre Lucy e o chimpanzé.
"Ardi nos encheu de surpresas, pois apesar de ser um mosaico, apresenta características mais parecidas com às dos humanos do que com às dos chimpanzés", disse C. Owen Lovejoy, professor de antropologia da Kent State University e um dos autores do estudo. Segundo o professor, isto é uma prova de que os chimpanzés evoluíram tanto quanto os humanos nos últimos 6 milhões de anos. "A mão humana de hoje é mais primitiva que a do chimpanzé atual", afirma Lovejoy.
O estudo do Ardipithecus ramidus também sugere que, há quase 5 milhões de anos, estes hominídeos já cooperavam uns com os outros. Em praticamente todos os primatas machos, exceto no caso dos hominídeos, os dentes caninos são grandes, pois servem como armas para ameaçar e atacar oponentes. O Ardipithecus ramidus macho apresentava caninos pequenos que não eram usados como armas em conflitos dentro do grupo. Eles provavelmente viviam em uma sociedade formada por casais específicos. Os machos obtinham e compartilhavam alimentos com as fêmeas que, por sua vez, cooperavam umas com as outras nos cuidados dos bebês.

O ancestral de Lucy vivia em uma região silvestre que também era habitada por corujas, papagaios, camundongos, morcegos, ursos, elefantes, entre uma variedade de outros animais. Ardi provavelmente era omnívora e se alimentava de frutas, cogumelos, e, talvez, de alguns animais invertebrados pequenos.
O esqueleto de Ardi, que inclui crânio com dentes, braços, mãos, pélvis, pernas e pés, mostra que ela era uma fêmea grande, medindo cerca de 1,20 m e pesando aproximadamente 50 kg.
Apesar do corpo e do cérebro de Ardi serem semelhantes em tamanho com os de um chimpanzé, ela caminhava ereta e não se balançava entre árvores como os macacos de hoje. Embora fosse bípede, ela podia subir em árvores de modo mais eficiente que os humanos atuais. No entanto, Ardi não era capaz de fazer longas caminhadas.
O primeiro fóssil do Aripithecus ramidus foi descoberto em 1992, perto do vilarejo de Aramis, na Etiópia. Desde então, já foram encontrados 110 fósseis desta espécie, representando 36 indivíduos. Mas Ardi é formada por partes de um esqueleto de um só indivíduo. Os pesquisadores demoraram 17 anos para finalmente divulgarem suas descobertas na edição de outubro da revista Science.
"O que encontramos foi uma cápsula do tempo tão repleta de conteúdos que foi preciso todos estes anos para podermos analisar e relatar nossas descobertas", diz Tim White, professor do Centro de Pesquisa sobre Evolução Humana da Universidade da Califórnia em Berkeley e principal autor do estudo.
"Dois séculos depois do nascimento de Charles Darwin, podemos verificar que ele estava certo. Em ciência é preciso termos evidências e não especular. Valeu a pena esperar para sabermos mais sobre o hominídeo mais próximo do nosso ancestral comum com o chimpanzé até hoje conhecido", afirmou White.

Fonte: Terra Ciência

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