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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Diminuindo Riscos

Gel pode reduzir contaminação por HIV em 54%, diz teste

Um gel de aplicação vaginal contendo uma concentração de 1% do remédio antirretroviral tenofovir pode reduzir o risco de uma mulher contrair o vírus causador da aids, o HIV, em até 54%, de acordo com estudo que será publicado na edição desta semana da revista Science e que foi divulgado nesta tarde.
Realizado com 889 mulheres sul-africanas sexualmente ativas de idade entre 18 e 40 anos, o gel mostrou uma eficácia média de 39% em todo o grupo estudado, chegando a 54% entre as mulheres que seguiram as orientações de aplicação ao pé da letra. Num benefício colateral inesperado, o gel também reduziu em mais de 50% a incidência de herpes.
Para a realização do experimento, o conjunto de mulheres foi dividido em dois grupos, sendo que 445 receberam o gel de tenofovir e 444, um placebo - um gel idêntico ao medicamento, mas sem ingrediente ativo. Nem as mulheres, nem os pesquisadores, sabiam quem estaria recebendo o quê. A instrução era que uma dose fosse aplicada na vagina menos de12 horas antes da relação sexual e outra, no máximo 12 horas depois.
As voluntárias foram acompanhadas por 30 meses, período em que receberam visitas mensais, quando eram testadas para o vírus da aids e orientadas sobre o uso de preservativo e a prevenção de outras doenças sexualmente transmissíveis. Ao final do período, 98 mulheres haviam se tornado HIV positivas: trinta e oito do grupo que havia usado o gel com antirretroviral e 60 das que haviam usado o placebo.
Os principais autores do estudo, o casal Quarraisha Abdool Karim e Salim S. Abdool Karim, advertem que mais estudos serão necessários para confirmar os resultados obtidos. O gel, se tiver a eficácia confirmada, não deve chegar ao mercado antes de dois anos. Segundo cientistas, é preciso confirmar o resultado deste estudo, expandir suas conclusões e entender por que a proteção oferecida não foi maior que a verificada.
Os pesquisadores reconhecem que poderão enfrentar críticas quanto à ética de reproduzir o experimento com placebo, já que isso envolverá negar a parte das voluntárias - todas mulheres em risco de contrair aids - o acesso a um produto que poderia ser capaz de protegê-las, mas ponderam que não é incomum que um resultado positivo inicial acabe desmentido quando se tenta reproduzi-lo.
"Espero que esse não seja o caso aqui", disse Salim Abdool Karim, em entrevista coletiva.
"Eu gostaria de ver estudos confirmatórios com placebo, gostaria de ver que estes resultados são replicáveis", disse ele. "O desafio é ver se a necessidade de replicação supera a necessidade real de deixar sito disponível para as mulheres que estão sendo infectadas. São desafios em que nós teremos de pensar, bem como o comitê de ética".
De acordo com os autores, todas as participantes do experimento foram instruídas sobre a natureza do estudo e o que significa um controle com placebo. O artigo científico que apresenta os resultados destaca a importância de dar às mulheres, que podem se ver "incapazes de negociar o uso de preservativos ou a monogamia mútua", um meio de controlar o contágio da aids.
Estatisticamente, a eficácia do gel parece cair com o tempo: o risco de infecção reduziu-se em 50% nos primeiros 12 meses do estudo, mas voltou a subir depois. Os cientistas atribuem isso a um relaxamento na aderência das voluntárias. "Nós dizíamos repetidamente a essas mulheres que não sabíamos se o gel iria funcionar, e nem se ele seria seguro", lembrou Salim Abdool Karim.
Em termos de segurança, o gel não causou efeitos negativos. Apenas casos de diarreia leve pareceram se tornar mais comuns entre as mulheres que usaram o produto com o ingrediente ativo.
Das participantes do estudo, 68% contaram aos parceiros do sexo masculino o que estavam fazendo, de acordo com questionário aplicado pelos pesquisadores. Dos homens informados, 6% não gostaram da ideia, mas nenhuma mulher abandonou o experiemento por causa disso.
Este é o primeiro gel antimicrobiano a se mostrar eficaz contra o HIV. Fórmulas diferentes já haviam sido testadas anteriormente, sem sucesso. Os autores do trabalho atribuem o resultado ao fato de este ser o primeiro gel baseado num antirretroviral, o mesmo tipo de droga que compõe os "coquetéis" usados para controlar o vírus em pessoas infectadas.
Uma simulação matemática citada pelos autores do estudo indica que, se os níveis de eficácia do gel de tenofovir se confirmarem, apenas na África do Sul seu uso poderia salvar pelo menos 820.000 vidas ao longo de 20 anos. O estudo foi realizado numa parceira entre África do Sul e Estados Unidos, envolvendo pesquisadores dos dois países.
Fonte: Estadão

Colando Neurônios

Pesquisadores da Unicamp usam 'cola' para restabelecer conexão entre neurônios

A realização de reparos eficientes em lesões do sistema nervoso é um desafio para a medicina. Compreender o rearranjo dos circuitos neurais provocado por essas lesões pode ser um passo fundamental para otimizar a sobrevivência e a capacidade regenerativa de neurônios motores e restabelecer os movimentos de pacientes.
A partir de investigações sobre esses mecanismos de rearranjo dos circuitos nervosos, um grupo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está desenvolvendo um modelo inovador que associa terapia celular ao reimplante das raízes nervosas.
Para restabelecer a conexão entre o sistema nervoso periférico e o central, os pesquisadores utilizam células-tronco mononucleares de medula óssea e uma “cola” desenvolvida a partir do veneno de serpentes.
O projeto é coordenado por Alexandre Leite Rodrigues de Oliveira, professor do Departamento de Anatomia, Biologia Celular e Fisiologia e Biofísica, e conta com apoio da Fapesp por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular.
Oliveira, que coordena o Laboratório de Regeneração Nervosa da Unicamp, apresentou na última segunda-feira, durante o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, em São Paulo, modelos utilizados por sua equipe para investigar os mecanismos de regeneração do sistema nervoso central e periférico.
Este ano, o grupo já publicou artigos sobre o tema nas revistas científicas Neuropathology and Applied Neurobiology, Journal of Comparative Neurology e Journal of Neuroinflammation.
“Após uma lesão no sistema nervoso - periférico ou central -, ocorre um rearranjo considerável dos circuitos neurais e das sinapses. Entender esse rearranjo é importante para determinar a sobrevivência neural e a capacidade regenerativa posterior”, disse Oliveira à Agência Fapesp.
Para estudar os mecanismos de regeneração, os cientistas utilizam técnicas que unem microscopia eletrônica de transmissão, imuno-histoquímica, hibridação in situ e cultura de células gliais e de neurônios medulares.
“Procuramos associar a terapia celular ao reimplante das raízes nervosas. Para isso, temos usado células-tronco mesenquimais e mononucleares no local da lesão ou nas raízes reimplantadas. A ideia não é repor neurônios, mas estimular troficamente essas células e evitar a perda neural, de modo a conseguir otimizar o processo regenerativo”, explicou Oliveira.
O projeto mais recente do grupo envolve o uso de um selante de fibrina - uma proteína envolvida com a coagulação sanguínea -, produzido a partir de uma fração do veneno de jararaca pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.
“Os axônios dos neurônios motores saem da medula espinhal e entram na raiz nervosa, dirigindo-se aos nervos. O nosso modelo emprega essa ‘cola’ biorreabsorvível para reimplantar as raízes nervosas na superfície da medula, onde o sistema nervoso periférico se conecta ao sistema nervoso central. Associamos essa adesão às células-tronco, que produzem fatores neurotróficos - isto é, moléculas proteicas capazes de induzir o crescimento e a migração de expansões das células neurais”, afirmou Oliveira.
Quando as raízes motoras são arrancadas, cerca de 80% dos neurônios motores morrem duas semanas após a lesão. Mas os motoneurônios que sobrevivem têm potencial regenerativo após o reimplante de raízes nervosas.
“Porém, na maioria das vezes, o reimplante das raízes não é suficiente para se obter um retorno da função motora, porque a lesão causa uma perda neuronal grande demais. Por isso, é preciso desenvolver estratégias para diminuir a morte neuronal após a lesão. Achamos que o uso do selante de fibrina pode auxiliar nesse processo”, indicou.
Segundo Oliveira, quando há uma lesão periférica - comum em acidentes de trabalho, por exemplo -, com transecção ou esmagamento de nervos, ocorre uma resposta retrógrada, ou seja, uma reorganização sináptica visível na medula espinhal, onde se encontram os neurônios.
“O interessante é que, quando a lesão é periférica, o neurônico sinaliza de alguma forma para a glia - o conjunto de células do sistema nervoso central que dão suporte aos neurônios -, que se torna reativa. Essa reatividade está envolvida no rearranjo sináptico por meio de mecanismos ainda pouco conhecidos. Nosso objetivo é compreender e otimizar esse processo de rearranjo sináptico para, futuramente, criar estratégias capazes de melhorar a qualidade da regeneração neuronal”, afirmou.
Rearranjo sináptico
No laboratório da Unicamp, os cientistas induzem em ratos e camundongos doenças como a encefalomielite autoimune experimental - um modelo para estudar a esclerose múltipla. Após a indução de uma forma aguda da doença, os animais apresentam todos os sinais clínicos, tornando-se tetraplégicos de 15 a 17 dias após a indução.
“Por outro lado, eles se recuperam da tetraplegia muito rapidamente, entre 72 e 96 horas. O rearranjo sináptico induzido pela inflamação é tão grande que paralisa completamente a funcionalidade tanto sensitiva como motora, mas de forma transitória”, disse Oliveira.
No entanto, a esclerose múltipla destrói a bainha de mielina, uma substância que isola as terminações dos nervos e garante o funcionamento dos axônios. Segundo Oliveira, porém, essa bainha se recupera em surtos temporários: em alguns momentos há desmielinização; em outros, a resposta imune fica menos ativa, permitindo que a bainha de mielina se recomponha.
“O paradoxal é que, mesmo que a remielinização não tenha se completado, o animal volta a andar normalmente. Nossa hipótese é que o processo autoimune causa lesões cuja repercussão no sistema nervoso central é similar àquela que ocorre após uma injúria axonal. Transitoriamente, os neurônios param de funcionar. Quando a inflamação cede, as sinapses retornam muito rapidamente. No modelo animal, em algumas horas a função é retomada e os sinais clínicos vão desaparecendo”, disse.
Além do modelo da esclerose múltipla, os cientistas trabalham também com um modelo de lesão periférica dos nervos e na superfície da medula espinhal.
“Quanto mais perto da medula ocorre a lesão, mais grave é em termos de morte neuronal. Todas são graves, mas aquela que ocorre perto da medula causa perda neuronal, e aí não há perspectiva de recuperação. Mesmo com as vias íntegras, o neurônio que conecta o sistema central com o músculo morre e nunca mais haverá recuperação”, explicou o professor da Unicamp.
“Tanto no animal como no homem, ocorre uma perda grande de neurônios, mas, da pequena porcentagem que resta, apenas cerca de 5% consegue se regenerar. No homem, entretanto, há uma demora de mais de dois anos para que se recupere alguma mobilidade. No rato, a mobilidade é recuperada em três ou quatro meses”, afirmou Oliveira.
“Uma vez que isso foi descoberto, começou-se a tentar reimplantar as raízes, desenvolvendo estratégias cirúrgicas e tratamentos com drogas que evitem a morte neuronal nesse período em que há desconexão. Essa parece ser a saída mais promissora para evitar a perda neuronal e otimizar a regeneração”, destacou o pesquisador.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Imagem da Semana

Criaturas das profundezas são destaque em mostra em Londres

Uma exposição aberta na sexta-feira pelo Museu de História Natural de Londres mostra ao público as pouco conhecidas criaturas das profundezas dos oceanos, que vivem em um ambiente menos explorados pelo homem do que a superfície da Lua.

As criaturas bizarras da exposição The Deep se adaptaram à vida a até 11 mil m de profundidade, na escuridão, com temperaturas abaixo de zero e com uma pressão até mil vezes superior à pressão atmosférica. Acredita-se que, apesar de todas essas dificuldades, a biodiversidade existente no fundo dos oceanos possa ser tão rica quanto a existente nas florestas tropicais ou nos recifes de coral.

Para viver nas profundezas, algumas das criaturas mostradas na exposição desenvolveram habilidades incomuns - como a de produzir a própria luz ou mesmo aparentar invisibilidade. Um dos destaques da exposição são uma carcaça e uma maquete de uma baleia cachalote. Os restos de uma baleia morta no fundo do oceano podem servir para alimentar outras criaturas por até 50 anos.

A exposição The Deep, que fica em cartaz até setembro em Londres, faz parte das comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade e tem a intenção de destacar as ameaças à sobrevivência das criaturas do fundo do mar e a necessidade de preservá-las.

Fonte: Terra Ciência

Hominídeo ou não?

Cientistas questionam posição de 'Ardi' na evolução humana

No ano passado, um esqueleto fossilizado chamado "Ardi" abalou o campo da evolução humana. Agora, alguns cientistas levantam dúvidas sobre o que essa criatura da Etiópia realmente era, e em que tipo de paisagem vivia.

Novas críticas questionam se Ardi realmente pertence ao ramo humano da árvore evolutiva, e se ele realmente vivia em florestas. A segunda questão tem implicações para as teorias sobre o tipo de ambiente que desencadeou a evolução humana.

O novo trabalho aparece na revista Science, que em 2009 declarou a apresentação original do fóssil de 4,4 milhões de anos a principal descoberta do ano.

Ardi, abreviação de Ardipithecus ramidus, é um milhão de anos mais velho que o fóssil Lucy. Ano passado, foi saudado como uma janela para os primórdios da evolução humana.

Pesquisadores tinham concluído que Ardi andava ereto e não sobre os nós dos dedos das mãos, como os chimpanzés, e que vivia em florestas, não em campos gramados. Ela não se parece muito com os chimpanzés atuais, nossos parentes mais próximos ainda vivos, embora estivesse ainda mais perto que Lucy do ancestral comum entre humanos e chimpanzés.

Esses questionamentos são comuns; grandes descobertas científicas costumam ser saudadas dessa maneira. Até que mais cientistas possam estudar o fóssil, um amplo consenso sobre seu papel na evolução humana pode continuar indefinido.

A descoberta em 2003 dos pequenos "hobbits" na Indonésia, por exemplo, desencadeou um longo debate sobre eles seriam uma espéci à parte da humanidade ou não.

Tim White, um dos cientistas que descreveram Ardi no ano passado, disse que não se surpreende com o debate atual. "Era totalmente esperado", disse ele. "Sempre que se tem algo tão diferente quanto Ardi, provavelmente haverá isso".


Esteban Sarmiento, da Fundação de Evolução Humana, escreve na nova análise que não está convencido de que Ardi pertence ao ramo da árvore da vida que conduz à espécie humana.

Em vez disso, argumenta, ele pode ter vindo mais cedo, antes que o ramo humano se separasse dos ancestrais de gorilas e chimpanzés.

As características anatômicas específicas de dentes, o crânio e outras partes citadas pelos descobridores simplesmente não são indício suficiente de participação no ramo humano, diz ele. Algumas, como certas peculiaridades do pulso e da conexão da mandíbula indicam que Ardi surgiu antes que os humanos se separassem dos macacos africanos.

Em uma réplica por escrito na Science e em entrevista, White discorda de Sarmiento. "A evidência é muito clara de que no Ardipithecus há características encontradas apenas nos hominídeos posteriores e em humanos", disse ele. Se Ardi ainda fosse um ancestral dos chimpanzés, várias características teriam tido de" evoluir de volta" para uma forma mais simiesca, o que White considera "altamente improvável".

Outros especialistas, no entanto, disseram em entrevistas que acham que é muito cedo para dizer onde Ardi se encaixa.

Will Harcourt-Smith, do Museu Americano de História Natural e do Lehman College, disse que não poderia afirmar se Sarmiento está certo ou errado. "Estamos no início" da análise de Ardi, disse ele.

"Até que haja uma descrição mais completa do esqueleto, é preciso ser cauteloso ao interpretar a análise inicial de um jeito ou de outro". Mas ele disse discordar da avaliação de que Ardi seria velho demais para fazer parte do ramo humano.

Fonte: Estadão Ciência

Álcool x Células-tronco

Estudo: álcool mata células-tronco de cérebros de adolescentes

Um estudo em cérebros de macacos produziu a melhor evidência de que grandes bebedeiras podem causar danos duradouros a cérebros de jovens. O maior problema ocorre nas células-tronco destinadas a se tornarem neurônios no hipocampo, a área do órgão responsável pela memória e a noção espacial. As informações são do New Scientist.

Segundo a pesquisa, os cérebros de macacos se desenvolvem da mesma maneira que os de humanos, o que indica que os mesmos resultados seriam encontrados em adolescentes.

O estudo
Chitra Mandyam, do Instituto de Pesquisas Scripps, no Estado americano da Califórnia, e sua equipe deram drinks durante uma hora por dia durante 11 meses a macacos. Dois meses depois, os animais eram mortos e seus cérebros comparados com os de macacos que não consumiram álcool.

Os primeiros tinham 50% a 90% menos células-tronco nos seus hipocampos comparados com os que não beberam. "Nós vemos um profundo decréscimo em células vitais", diz Mandyam à reportagem.

Além dos possíveis problemas de memória e de habilidades espaciais, os pesquisadores acreditam que o consumo prematuro de álcool pode levar mais facilmente à dependência quando esses jovens chegarem à idade adulta. Estudos anteriores já indicaram que 41% dos adolescentes que começam a beber aos 12 anos desenvolvem dependência, enquanto que, entre aqueles que começam a beber aos 18 anos, a dependência chega a 11%.

Fonte: Terra Ciência

Bem escondidinhos

Veja a "lagarta cobra" e outros incríveis animais disfarçados

Em uma cena do filme Jurassic Park - Parque dos Dinossauros, os personagens reclamam que durante o passeio pelo parque eles não conseguem ver nenhum dos répteis pré-históricos. Momentos depois, eles descobrem que os gigantes não podiam ser vistos, mas estavam lá o tempo todo. Pois não são apenas os animais ancestrais que sabiam se esconder bem na natureza, hoje em dia muitas espécies são capazes de fazer inveja aos melhores espiões internacionais em matéria de disfarce, capazes até de ficar, literalmente, invisíveis. Conheça alguns dos disfarces mais singulares da natureza.

A lagarta que se disfarça de cobra
À primeira vista, pode parecer uma cobra, mas é apenas uma pequena lagarta com um hábil meio de se defender dos predadores. A Papilio troilus desenvolveu um par de falsos olhos amarelos e azuis para assustar outros animais. Quando se desenvolve, ela perde a camuflagem e se transforma em uma borboleta de asas negras com bolinhas claras. Há lagartas no Brasil que usam o mesmo tipo de imitação que a Papilio troilus.

Sorriso
A Theridion grallator tem apenas alguns milímetros, mas é capaz de confundir seus predadores com um belo "sorriso". "Existem diversas teorias sobre o motivo pelo qual a aranha desenvolveu os traços, um deles é que se pode confundir os predadores" afirma Geoff Oxford, um estudioso em aranhas da Universidade de York. "O predador pensa antes de decidir se quer ou não comer algo que ele não conhece ou está vendo pela primeira vez. A aranha pode ter desenvolvido as variações para escapar no momento em que o predador está decidindo se vai ou não atacar" completa Oxford. O animal vive no Havaí.

A cobra com duas cabeças
Descoberta por uma pesquisa dinamarquesa na Ásia, a Laticauda colubrina finge ter duas cabeças para enganar os predadores. Na verdade ela torce o rabo de uma forma que dá a ilusão de ser outra cabeça. Os estudiosos acreditam que esse "disfarce" seja uma evolução que protege a cobra marinha de ataques enquanto procura por suas presas. Apesar de serem extremamente venenosas, estas cobras são vulneráveis a vários predadores, incluindo tubarões e outros peixes.

"Isto (a estratégia de fingir ter duas cabeças) pode aumentar as chances de (as cobras) sobreviverem a ataques de predadores, ao expor uma parte do corpo 'menos' vital", afirmou Arne Rasmussen, que liderou a pesquisa. "Mas, mais importante, pode impedir o ataque se (os predadores) acharem que o rabo é tão venenoso quanto a cabeça da cobra", acrescentou.

O tubarão invisível
Na verdade, esse animal não se disfarça, e sim desaparece completamente. O truque do "caçador fantasma dos fiordes", como é chamado pelos cientistas, é emitir luz da parte inferior do corpo. Em certa profundidade, onde não há escuridão total, mas também não há muita luz, ele ajusta a emissão da parte inferior com a luz que vem de águas que estão acima dele. Quando a luminosidade do corpo é igual à que vem de cima, ele fica invisível para aqueles que o veem por baixo. Além disso, o animal tem a boca para baixo, o que diminui ainda mais a chance de sobrevivência da vítima.

"Clone"
Outra especialista em disfarces é a aranha Cyclosa mulmeinensis, que vive em Taiwan. O animal costuma "decorar" sua teia com detritos, partes de plantas, restos de presas ou sacos de ovos. Contudo, os cientistas ficavam intrigados com o fato dessas "decorações" terem o tamanho aproximado do animal. Após notarem que as "decorações" também reproduziam as cores da aranha, eles perceberam que elas eram na verdade réplicas. Ela pode ser o primeiro animal no mundo a criar uma réplica de si mesmo em tamanho real para escapar de ataques de predadores.

Disfarce de pedra
O lagarto Cnemaspis neangthyi imita tão bem seu ambiente que fica quase imperceptível em fendas de rochas e árvores. Descoberto em uma região inóspita do Camboja, ele foi descoberto em uma expedição da Universidade La Sierra e pela ONG Fauna & Flora International (FFI).

Fonte: Terra Ciência

Origem da Vida

Estudo brasileiro reforça hipótese de que vida na Terra veio do espaço

Quantos escudos protetores você precisaria para sobreviver a uma viagem interplanetária de milhões de anos, agarrado a um pedaço de rocha, congelado, sem água nem oxigênio e bombardeado incessantemente por radiação ultravioleta? Se você é uma bactéria da espécie Deinococcus radiodurans, uma superfície rugosa e uma camada de poeira já seriam suficientes. É o que indica o primeiro estudo experimental de astrobiologia feito por cientistas brasileiros.

Os resultados, publicados na última edição da revista científica Planetary and Space Science, dão suporte à teoria da panspermia, segundo a qual a vida pode não ter se originado na Terra, mas em outro ponto do universo, e caído aqui já pronta, trazida por um cometa, meteorito ou coisa parecida. Para isso, uma forma de vida primordial - representada nos experimentos por bactérias - precisaria sobreviver às intempéries do espaço por milhares ou até milhões de anos, dormente, para então renascer na superfície de algum planeta amigável. Como a Terra.

Por mais difícil que isso possa parecer, vários experimentos realizados nos últimos anos demonstram que determinadas bactérias, em determinadas condições, poderiam sobreviver a uma aventura espacial dessa natureza. A isso soma-se, agora, o trabalho do biólogo brasileiro Ivan Gláucio Paulino-Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele submeteu colônias de Deinococcus radiodurans a condições similares às encontradas no espaço e comprovou que elas sobrevivem, com relativa facilidade, a doses altíssimas de radiação.

"Uma mínima proteção contra raios ultravioleta é suficiente para aumentar significativamente a sobrevivência desses microrganismos", afirma Lima, que fez o trabalho para sua tese de doutorado. "Do ponto de vista da biologia, os resultados não são tão extraordinários. Colocados num contexto astronômico, porém, as implicações tornam-se importantíssimas."

A mais importante delas é que microrganismos primitivos resistentes, semelhantes à Deinococcus radiodurans, poderiam, sim, sobreviver a uma viagem interplanetária, presos a grãos de poeira ou rocha (micrometeoritos). A simulação foi feita utilizando o acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, capaz de produzir feixes contínuos de radiação em vários comprimentos de onda e diferentes intensidades.

As bactérias foram colocadas sobre uma fita de carbono, cuja superfície rugosa forma uma série de "caverninhas" microscópicas nas quais as bactérias podiam se esconder da radiação - algo bem semelhante à superfície de um micrometeorito, segundo os pesquisadores. Associado a isso, bastou uma camada de poeira, matéria orgânica ou um leve empilhamento de células para que as bactérias mais abaixo sobrevivessem.

No teste mais rigoroso, as bactérias foram expostas a 16 horas contínuas de radiação ultravioleta de vácuo, numa dose equivalente ao que elas receberiam ao longo de 1 milhão de anos viajando no espaço. "É uma radiação de altíssima energia, muito mais forte do que os raios ultravioleta que chegam à superfície da Terra", aponta a pesquisadora Claudia Lage, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, que orientou o trabalho de Lima na UFRJ. A atmosfera terrestre filtra os comprimentos de onda mais nocivos da radiação solar. Caso contrário, a superfície do planeta seria esterilizada.

Em média, só 2% das bactérias sobreviveram às sessões de radiação. Parece pouco, mas numa amostra de 100 mil células, isso significa 2 mil bactérias. Mais do que suficiente para inseminar um planeta, como gostam de dizer os astrobiólogos. "É praticamente uma invasão alienígena", compara Claudia.

Na surdina. Uma invasão tão silenciosa que passaria facilmente despercebida mesmo nos dias de hoje. Além de sobreviver às intempéries do espaço, para desembarcar aqui, os micróbios extraterrestres precisariam sobreviver à entrada na atmosfera.

Em 2003, uma rachadura no escudo protetor do ônibus espacial Columbia foi suficiente para destruir completamente a nave, matando seus sete tripulantes. Da mesma forma, o calor criado pelo atrito com o ar seria mais do que suficiente para pulverizar qualquer organismo preso à superfície de um meteoro ou outro meio de transporte espacial.

Por isso, os pesquisadores especulam que as "invasão" teria ocorrido por meio de micrometeoritos - fragmentos microscópicos de rocha -, grandes o suficiente para transportar bactérias, mas pequenos o suficiente para passar pela atmosfera sem se aquecer. Estudos feitos na Antártida indicam que até 10 mil toneladas de micrometeoritos caem anualmente sobre a Terra, segundo o astrônomo Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia (IAG) da Universidade de São Paulo, que também assina o estudo. "Formas de vida alienígenas podem estar caindo sobre o planeta agora mesmo", especula Janot.

As evidências fósseis mais antigas de vida microbiana no planeta datam de 2,5 bilhões de anos, segundo Claudia. "O planeta já era perfeitamente habitável naquela idade", diz ela, caso algum microrganismo alienígena tenha mesmo desembarcado por aqui naquele momento.

Talvez a própria Deinococcus radiodurans - que seria, neste caso, o ancestral comum de todas as formas de vida na Terra -, ou algo parecido com ela.

Conan, a bactéria. A Deinococcus radiodurans foi selecionada para o estudo porque, como diz seu nome, é uma espécie naturalmente resistente à radiação extrema. A razão evolutiva para isso, ninguém sabe, pois ela aguenta doses muito mais elevadas do que se registra em qualquer ambiente da Terra. E também é resistente à desidratação - outra características necessária para sobrevivência no espaço.

É encontrada em todo lugar, desde desertos até comidas enlatadas. Já apareceu no Guiness Book como "a bactéria mais durona do planeta", e às vezes atende pelo apelido de Conan. "Ainda bem que não é uma espécie patogênica, senão estaríamos em apuros", conclui Janot.

PARA ENTENDER

A busca pela origem da vida

Evidências genéticas associadas à teoria da evolução (em especial, o fato de que todos os seres vivos têm DNA), indicam que todas as espécies do planeta originaram-se de um ancestral comum, bilhões de anos atrás. Essa forma de vida primordial seria um organismo extremamente simples - muito mais simples do que uma bactéria. Mas como ela se formou? Ninguém sabe. Estudos mostram que algumas moléculas essenciais das células podem se formar espontaneamente na natureza, mas ninguém foi capaz de produzir vida dessa forma até agora em laboratório. A teoria da panspermia não resolve esse problema - apenas desloca-o para outro lugar do universo.

Fonte: Estadão on line

Bronzeado Perigoso

Bronzeamento artificial duplica risco de câncer, diz estudo

O bronzeamento artificial quase duplica o risco do grave câncer de pele melanoma - e quanto mais horas são passadas no bronzeamento, maiores os riscos, de acordo com um novo estudo.

Aqueles que usaram máquinas de bronzeamento tinham 1,74 vezes mais chances de desenvolver melanoma do que os que não usaram. Usuários frequentes - que tiveram mais de 100 sessões ou 50 horas de bronzeamento artificial durante 10 anos - tinham riscos 2,5 vezes maiores do que os não-usuários, segundo o estudo.

Essa correlação, chamada de reação a dosagem, "é muito importante para ajudar na defesa de que esta é uma influência causal", disse DeAnn Lazovich, um epidemiologista da Universidade de Minnesota que é o principal autor do estudo, publicado online na última semana em Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention.

No ano passado, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, parte da Organização Mundial de Saúde, classificou as câmaras de bronzeamento como carcinogênicas a seres humanos, e a agência FDA dos Estados Unidos está considerando rever as exigências para câmaras bronzeadoras e fortalecer os rótulos de advertência a respeito dos riscos.

O novo estudo comparou 1.167 moradores de Minnesota que tiveram um diagnóstico de melanoma invasivo de 2004 a 2007 com 1.101 indivíduos saudáveis. Sessenta e dois por cento dos pacientes com melanoma haviam utilizado o bronzeamento artificial, contra 51,1% do grupo de comparação.

Fonte: Terra Ciência

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Base Científica da Traição

Ciência pode explicar por que homens e mulheres traem

Por que alguns homens e mulheres traem seus parceiros enquanto outros resistem à tentação? Para encontrar a resposta, número crescente de pesquisas vêm se concentrando nos aspectos científicos do relacionamento. Os cientistas estão avaliando tudo, dos fatores biológicos que parecem influenciar a estabilidade marital à resposta psicológica da pessoa depois de flertar com um desconhecido.

As constatações sugerem que embora algumas pessoas possam ser mais naturalmente resistentes à tentação, homens e mulheres também podem se treinar para proteger seus relacionamentos e estimular seu senso de devoção. Estudos recentes indicaram a possibilidade de que fatores genéticos influenciem a fidelidade e a estabilidade marital. Hasse Walum, biólogo do Instituto Karolinska, na Suécia, estudou 552 duplas de gêmeos para descobrir mais sobre um gene relacionado à regulagem do vasopressin, um hormônio cerebral de adesão.

Em termos gerais, os homens que portavam uma variação do gene apresentavam menor probabilidade de casamento; entre os casados, essa variante do gene denotava maior probabilidade de problemas conjugais sérios e esposas infelizes. Um terço dos portadores de duas cópias da variação genética haviam passado por séria crise de relacionamento nos 12 meses precedentes, o dobro da proporção encontrada entre os homens nos quais a variante não existe.

Mesmo que o traço seja ocasionalmente definido como "gene da fidelidade", Walum desaprova o nome: a pesquisa dele se refere à estabilidade conjugal e não à fidelidade. "É difícil empregar essa informação para prever comportamento masculino futuro", disse. Agora, ele e os colegas estão trabalhando para conduzir pesquisas semelhantes com as mulheres. Embora possam existir diferenças genéticas que influenciam a fidelidade, outros estudos sugerem que é possível treinar o cérebro de modo a resistir à tentação.

Uma série de estudos incomuns conduzidos por John Lydon, psicólogo da Universidade McGill, em Montreal, estudam as reações de pessoas envolvidas em relacionamentos estáveis diante da tentação. Um dos estudos envolvida homens e mulheres em relacionamentos estáveis que eram convidados a avaliar os atrativos de pessoas do sexo oposto, por meio de uma sequência de fotos. As classificações mais altas, nada surpreendentemente, couberam às pessoas usualmente vistas como mais atraentes.

Mais tarde, lhes foram exibidas fotos semelhantes, acompanhadas pela informação de que aquela pessoa desejava conhecer o participante. Nessa situação, as notas dadas pelos participantes se provaram consistentemente inferiores às do primeiro teste. Quando atraídas por alguém que poderia ameaçar o relacionamento, as pessoas pareciam decidir instintivamente que "ele/a não é tudo isso". "Quanto mais firme o compromisso", diz Lydon, "menos atraente será a pessoa que pode ameaçar um relacionamento".

Mas algumas das pesquisas na McGill demonstram diferenças entre os sexos, na resposta às ameaças de traição. Em estudo envolvendo 300 homens e mulheres heterossexuais, metade do grupo foi estimulado a trair, ao imaginar um flerte verbal com alguém que considerassem atraente, e os demais foram estimulados a imaginar uma conversa normal. Depois disso, os participantes foram convidados a resolver testes verbais simples.

Sem que os participantes soubessem, os fragmentos de palavras usados no teste constituíam um teste psicológico para revelar sentimentos inconscientes quanto à fidelidade. (Testes semelhantes são usados para estudar sentimentos inconscientes de preconceito e estereotipagem.)

Entre os participantes que imaginaram uma conversa normal, não surgiu qualquer padrão discernível. Mas havia diferenças entre os homens e mulheres que haviam fantasiado um flerte. Nesse grupo, os homens apresentavam maior probabilidade de responder aos testes com termos neutros como "local" e "amealha", enquanto as mulheres que imaginaram flertes apresentavam maior propensão a escolher "leal" e "ameaça", o que sugere que o exercício havia acionado suas preocupações inconscientes quanto à lealdade conjugal.

É claro que isso não necessariamente prevê comportamento no mundo real. Mas a diferença pronunciada nas respostas levou os pesquisadores a imaginar que mulheres talvez tenham desenvolvido uma espécie de sistema de alerta antecipado quanto a ameaças ao relacionamento. Outros estudos da McGill confirmaram as diferenças nas reações masculinas e femininas a essas ameaças. Em um deles, atores ou atrizes atraentes foram usados para flertar com os participantes em uma sala de espera. Mais tarde, os participantes responderam a perguntas sobre seus relacionamentos, especialmente como reagiriam ao mau comportamento de um parceiro, por exemplo atrasos ou esquecer de telefonar como combinado.

Os homens que tivessem acabado de flertar se mostravam menos tolerantes quanto a deslizes hipotéticos de suas parceiras, o que sugere que as atrizes atraentes atenuaram sua devoção às parceiras, por algum tempo. Mas as mulheres que tivessem flertado mostravam maior disposição a perdoar e a encontrar desculpas para seus parceiros, o que sugere que os flertes anteriores deflagram uma resposta protetora quando o relacionamento estável é discutido.

"Nossa impressão, nesses estudos, é a de que os homens podem ter compromisso firme, mas as mulheres têm planos de contingência - uma alternativa atraente aciona o alarme", disse Lydon. "As mulheres classificam essa atração como ameaça automaticamente, e os homens não". A questão seria determinar a possibilidade de treinar alguém a resistir a essa tentação. Em outro estudo, a equipe propôs a universitários homens envolvidos em relacionamentos estáveis que imaginassem encontrar uma mulher atraente em um final de semana no qual suas namoradas estivessem ausentes. Alguns dos homens foram convidados, depois, a criar um plano de contingência, completando a frase: "Se ela me abordar, eu ______ para proteger o meu relacionamento".

Porque os pesquisadores não podiam usar uma mulher real como tentação, criaram um jogo de realidade virtual no qual duas das quatro salas exibiam imagens subliminares de mulheres atraentes. Os homens que haviam planejado como resistir à tentação gravitavam para essas salas 25% do tempo, enquanto os demais o faziam 62% do tempo.

No entanto, podem não ser os sentimentos de amor e lealdade que mantêm os casais unidos. Cientistas especulam, em lugar disso, que o nível de dedicação pode depender de até que ponto o parceiro melhora sua vida e amplia seus horizontes - conceito que Arthur Aron, psicólogo e pesquisador sobre relacionamentos na Universidade de Stony Brook, define como "autoexpansão".

Para medir essa qualidade, casais tiveram de responder a uma série de perguntas: seu parceiro é fonte de experiências interessantes? Conhecer seu parceiro fez de você uma pessoa melhor? Até que ponto você considera que seu parceiro possa levá-lo a expandir suas capacidades?

Os pesquisadores de Stony Brook conduziram experiências usando atividades que estimulavam a autoexpansão. Alguns casais recebiam tarefas corriqueiras e outros participavam de um exercício bobo no qual eram amarrados juntos e instruídos a andar de rastos sobre almofadas, empurrando um cilindro de espuma com as cabeças. O estudo era manipulado de maneira a que os casais estourassem o tempo previsto nas duas primeiras tentativas, e vencessem por pouco na terceira, o que resultava em forte comemoração.

Os casais responderam a testes sobre seus relacionamentos antes e depois da experiência. Os que participaram de atividades competitivas mostravam amor e satisfação mais intensos do que aqueles que não haviam compartilhado de uma vitória.

Agora os pesquisadores vão iniciar uma série de estudos que medem até que ponto a autoexpansão influencia um relacionamento. A teoria é de que casais explorem novos lugares e descubram novas coisas, o que vai intensificar seu sentimento de autoexpansão e tornar os integrantes mais devotados um ao outro.

"Entramos em relacionamentos porque a outra pessoa se torna parte de nós, e isso nos expande", disse Aron. "É por isso que quem se apaixona vira noites conversando com a pessoa amada e se sente muito animado. Acreditamos que os casais possam recuperar parte dessa sensação ao fazer coisas desafiadoras e excitantes juntos".

Fonte: Terra Ciência

Butantã

Espécimes importantes escapam de incêndio no Butantã

Uma semana após o incêndio que destruiu o Prédio das Coleções do Instituto Butantã, na capital paulista, aumenta a esperança de que muitos exemplares importantes de cobras tenham escapado das chamas. Professores e alunos passaram os últimos dias resgatando o que puderam dos escombros. Milhares de espécimes foram recuperados do chão e de armários que não queimaram completamente. Alguns intactos, outros bastante danificados.

Isso, talvez, represente 5% da coleção original, que tinha próximo de 85 mil exemplares. O tamanho exato da perda só poderá ser calculado ao fim de uma triagem minuciosa, que levará meses para ser concluída. Mas sabe-se que algumas pérolas da coleção, ao menos, sobreviveram. Como um dos únicos espécimes de Corallus cropanii, uma serpente raríssima da Mata Atlântica, parente da jiboia, da qual há apenas quatro exemplares conhecidos no mundo: três na coleção do Butantã e uma, que foi doada para o Museu Americano de História Natural, em Nova York.

Outro bicho importante que escapou intacto do fogo foi o primeiro exemplar descrito (holótipo) de Bothrops alcatraz, ou jararaca-de-alcatrazes, que só existe numa ilha homônima do litoral norte paulista. Ele estava dentro de um armário fechado, do tipo compactador. A tampa do pote onde ele ficava guardado com álcool derreteu, mas o vidro não chegou a estourar.

Centenas de outros espécimes "tipo" (os mais importantes da coleção) que estavam no mesmo armário foram recuperados e agora estão armazenados em baldes e sacos, aguardando identificação. Entre eles está o espécime número 1.922, de Bothrops insularis, uma outra espécie rara de jararaca que só existe na Ilha de Queimada Grande, também no litoral norte paulista.

Fonte: Estadão

As 10 descobertas de 2009

Peixe "psicodélico" está na lista

O Instituto Internacional da Exploração de Espécies, sediado na Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, anunciou sua lista das 10 principais descobertas de 2009. Entre os animais que mais se destacaram estão o peixe "Drácula", o peixe "psicodélico" e o verme "bombardeiro".

Peixe "Drácula"
O Danionella Drácula entrou para a lista exatamente pelos longos dentes dos machos que são utilizados durante as brigas. É o primeiro registro desse tipo de dente na família Cyprinidae, a maior de peixes de água fresca. A espécie foi descoberta em Mianmar.

Verme "bombardeiro"
O Swima bombiviridis tem guelras modificadas que podem ser lançadas. Essas "bombas" se iluminam por muitos segundos com uma cor verde. Como essa estrutura pode ser encontrada em animais jovens, acredita-se que seja um sistema de defesa, e não tenha relação com a reprodução da espécie. Encontrado na Califórnia, Estados Unidos.

Peixe "psicodélico"
O Histiophryne psychedelica parece exatamente o que o nome diz, um corpo com uma incomum "pintura" psicodélica. Chama a atenção ainda a sua face plana. O animal foi localizado na Indonésia.

A esponja "assassina
A Chondrocladia (Meliiderma) turbiformis pertence a uma família de esponjas (Cladorhizidae) que surpreendeu a ciência ao ser descoberta há anos por ser carnívora. O que chamou a atenção nessa espécie foi uma espícula, formas similares eram vistas em fósseis do Mesozoico, época em que viveram os dinossauros, o que indica que as esponjas carnívoras já existiam nessa época. Encontrada na Nova Zelândia.

O peixe elétrico uruguaio
O Gymnotus omarorum na verdade já era conhecido há décadas, modelo de estudos, era erroneamente nomeado como sendo um Gymnotus carapo, mas neurofisiologistas uruguaios descobriram que na realidade era uma espécie diferente. Segundo o instituto, esse caso é um exemplo de como conhecemos pouco sobre a biodiversidade, já que um "modelo de estudos" passou décadas sem ser corretamente descrito.

A lesma comedora de insetos
A Aiteng ater faz parte de uma família recentemente descoberta, a Aitengidae, mas ao contrário dos parentes - que se alimentam, na maioria, de algas e alguns preferem ovos de gastrópodes -, ela come insetos. Encontrada na Tailândia.

Planta carnívora
O que chama a atenção na Nepenthes attenboroughii é o tamanho de seu "jarro", um dos maiores conhecidos, com 30 cm por 16 cm. A planta consome insetos que caem no fluido do jarro. É encontrada nas Filipinas e corre grande risco de extinção.

O inhame bizarro
O Dioscorea orangeana é um inhame de Madagascar, mas completamente diferente dos demais inhames do país, tendo vários lobos, em vez de um só. Os autores da descoberta sugerem sua inclusão na lista vermelha de espécies em risco de extinção, já que é altamente explorado pelos moradores da ilha e é encontrado em um habitat desprotegido.

A aranha fêmea gigante e o macho minúsculo
A Nephila komaci é uma aranha que apresenta uma grande diferença entre o tamanho do macho e da fêmea - 8,7 mm para 39,7 mm, respectivamente. É a primeira dessa espécie descoberta desde 1879. As Nephila são conhecidas por terem as maiores teias - com 1 m de diâmetro em média -, mas a teia da nova espécie não foi encontrada. Achada em Madagascar.

Cogumelo homenagem
A Phallus drewesii é uma das duas espécies de cogumelos que homenageiam o doutor Robert Drewes, da Academia de Ciências da Califórnia. O pesquisador trabalhou por mais de 30 anos em São Tomé e Príncipe, onde foram encontrados os cogumelos.

Fonte: Terra Ciência

sábado, 22 de maio de 2010

Som e Imagem

Corujas têm capacidade de ligar o som à imagem

Imagens e sons povoam o mundo, oferecendo um grande leque de possíveis focos para o cérebro. No entanto, a maioria dos animais tem a visão como principal percepção. Em seguida, os sons associados a essa visão – sejam de um ente querido ou de sua refeição andando pela mata. Uma nova pesquisa voltada para essa combinação de percepções mostra como o cérebro de uma coruja estabelece esse estado.

Os neurologistas Daniel Winkowski e Eric Knudsen, da Stanford University, realizaram testes com 12 corujas e colocaram eletrodos em áreas dos cérebros que correspondem aos processos de visão e audição. Cada região é literalmente um mapa do mundo do som ou da visão. O envio de uma pequena carga elétrica na região visual do cérebro da coruja – chamada de arco palial – causou o movimento da cabeça e dos olhos em uma determinada direção. Quando um estímulo simultâneo de áudio corresponde nesse sentido, o cérebro da coruja responde fortemente ao ruído e bloqueia barulhos concorrentes de outras direções.

“As corujas são extremamente talentosas para sintonizar um som”, segundo os autores do estudo em seu paper publicado na Nature, mas o emparelhamento de som com visão aumenta muito mais sua capacidade de caça. Se necessário, as corujas têm a capacidade de escutar apenas na direção onde olham, mas "os circuitos no cérebro que controlam a direção do olhar afetam a forma como o cérebro processa a informação auditiva".

Circuitos semelhantes já foram demonstrados em macacos e seres humanos, mas as corujas representam os primeiros não-primatas a mostrar isso. "Os mecanismos fundamentais são, provavelmente, os mesmos em todos os vertebrados, como em rãs e até mesmo em peixes", diz Knudsen. "Com os estudos em corujas, poderemos entender os mecanismos de funcionamento.”

Os pesquisadores esperam realizar novos testes com cérebros de corujas para determinar quais neurotransmissores e receptores estão envolvidos na sinalização da atenção. Em última análise poderia ajudar a melhorar o desempenho de alguns seres humanos que sofrem de distúrbios de atenção. "Depois de aprender sobre o funcionamento do circuito cerebral de atenção, planejamos usar isso para melhorar a aprendizagem de forma eficiente", acrescenta Knudsen. "Se você entender como funciona o mecanismo, então você vai saberá qual a melhor forma de manipulá-lo.”


Fonte: Scientific American Brasil

Cuspindo na hora certa

Serpentes cuspideiras de veneno calculam hora exata do ataque

Algumas cobras cospem venenos cheios de neurotoxinas ou outras substâncias nada agradáveis em seus inimigos, para evitar que cheguem muito perto. São incrivelmente precisas na hora do disparo e chegam a acertar o alvo a mais de 1 metro de distância.

Para descobrir como essas serpentes conseguem realizar tal feito, Bruce Young, do Departamento de Fisioterapia da University of Massachusetts e seus colegas realizaram testes em laboratórios, provocando as cobras. Depois de vestirem uma proteção adequada, os pesquisadores começaram os experimentos com as espécies Naja pallida, Naja nigricollis e a Naja siamensis. "Mal coloquei os óculos e as cobras já começaram a cuspir na direção dos meus olhos”, conta Young.

Os pesquisadores descobriram que as cobras não só seguem os movimentos da cabeça do alvo, como também parecem prever onde os olhos dele estariam com 200 milésimos de segundo de antecedência. Mudanças bruscas de movimentos do alvo muitas vezes deflagram o ataque de veneno das cobras. Como observam os pesquisadores em seu estudo, "no início do ataque elas prestam muita atenção aos movimentos do adversário e calculam a hora exata do disparo”.

"Como a cobra está em desvantagem de 200 milissegundos, terá de cuspir em um espaço de tempo de 200 milésimos de segundo mais cedo. Para compensar esse atraso, antes de cuspir a cobra acelera o movimento da cabeça”, dizem os pesquisadores. Cerca de 65 milissegundos antes da cuspida, a serpente começa a girar a cabeça, em movimento para aumentar o fluxo de veneno e acumular material suficiente para acertar o alvo em cheio. "Prevê onde o alvo está indo e então dispara na exatamente correta”, disse Young.

“Esses resultados concluem a discussão sobre como funciona a reação rápida e de alta precisão do disparo do veneno, sugerindo haver nas serpentes um maior nível de processamento neural, considerado ausente na maioria dos répteis”, afirmam os autores.

Fonte: Scientific American Brasil

DNA ancestral

Parte da humanidade tem DNA de neandertal

Os neandertais e os humanos modernos procriaram entre si, provavelmente quando os primeiros humanos começaram a sair da África, segundo um estudo genético divulgado nesta quinta-feira.

Pessoas de origem europeia, asiática e australasiana têm DNA neandertal, mas não os africanos, segundo artigo publicado na edição de sexta-feira da revista Science.

O estudo contribui com o prolongado debate sobre se os neandertais e os humanos modernos apenas viveram em proximidade na Europa e no Oriente Médio. "Os que vivem fora da África carregam um pouco de DNA neandertal", disse Svante Paabo, do Instituto Max Planck, em Munique, na Alemanha, quem comandou o estudo.

"A proporção de material genético herdado dos neandertais é de cerca de 1 a 4 por cento. É uma proporção pequena, mas muito real de ancestralidade nos não africanos hoje", disse a jornalistas por telefone David Reich, da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, que participou do estudo.

Embora as conclusões possam provocar piadas sobre o comportamento ou os traços "pré-históricos" de alguém, Paabo disse que isso não é verdade. "Até onde podemos dizer, são apenas peças aleatórias de DNA."

Os pesquisadores fizeram o sequenciamento completo do genoma de ossos de neandertais encontrados na Croácia, Rússia, Alemanha e Espanha, inclusive de ossos esmagados, achados numa caverna croata, que apontam para evidências de canibalismo.

"Nesses ossos de 30 e 40 mil anos de idade, há naturalmente pouquíssimo DNA preservado", disse Paabo. Segundo ele, 97 por cento ou mais do DNA extraído eram de bactérias e fungos.

As sequências genéticas dos neandertais foram comparadas ao DNA de cinco pessoas da Europa, Ásia, Papua Nova Guiné e África.

Os resultados, segundo Paabo, "são certamente uma indicação do que aconteceu socialmente quando os neandertais e os humanos modernos se encontraram."

"Houve um cruzamento em um pequeno nível. Eu prefiro deixar para outros que desejem brigar sobre chamar-nos de uma espécie à parte ou não. Eles (neandertais) não eram geneticamente muito diferentes de nós."

Os pesquisadores identificaram cinco genes exclusivos dos neandertais, sendo três da pele. "Isso sugere que algo na fisiologia e morfologia da pele mudou nos humanos", disse Paabo.

Em março, a equipe dele relatou a descoberta de uma espécie humana previamente desconhecida, que viveu 30 mil anos atrás junto com humanos modernos e neandertais na Sibéria.

Há anos cientistas especulam que várias espécies diferentes de humanos conviveram em vários momentos no último milhão de anos. Muitas, no entanto, teriam habitado zonas tropicais, onde a preservação dos ossos é pior.

Paabo disse que os africanos modernos podem portar parte desse DNA desconhecido, mesmo que não tenham antepassados neandertais.

Fonte: Estadão

Viagem espacial é prejudicial?!

Viajar ao espaço prejudica sistema imunológico, diz estudo

Uma equipe de pesquisadores da Universidade do Arizona, liderada por Ty Lebsack, descobriu que a viagem ao espaço afeta a atividade de genes que controlam o sistema imunológico e a resposta ao estresse.

Entre o fato de o espaço afetar a suscetibilidade dos astronautas a infecções e observações anteriores de que micróbios patogênicos se beneficiam da baixa gravidade, viagens espaciais longas poderão representar um grande desafio, acreditam os pesquisadores.

"Analisados em conjunto, nossos resultados apontam para a possibilidade de o sistema imunológico dos astronautas ficar comprometido no espaço", disse Lebsack, em nota.

Sua equipe focou o estudo no timo, uma glândula que os linfócitos T, parte fundamental do sistema imunológico. Eles compararam a expressão de genes no timo de quatro camundongos saudáveis que passaram 13 dias a bordo do ônibus espacial Endeavour e os de camundongos de controle que permaneceram na Terra.

Os cientistas determinaram que 970 genes individuais do timo mostraram diferenças de regulação, para mais ou para menos, em relação aos controles, sendo que 12 apresentaram variações significativas.

"os genes alterados que observamos afetam principalmente as moléculas sinalizadoras que têm um papel na morte celular programada e regulam como o corpo reage ao estresse", disse Lebsack. O trabalho será publicado no Journal of Cellular Biochemistry.

Fonte: Estadão OnLine

Célula Sintética

Cientistas conseguem ativar célula usando genoma sintético

Pesquisadores criaram a primeira célula controlada por um genoma sintético.O trabalho é descrito na edição desta semana da revista Science e, segundo seus autores, poderá levar à produção de micro-organismos especialmente criados para desempenhar funções específicas, como secretar biocombustíveis, retirar poluentes da atmosfera ou produzir vacinas.

A equipe de cientistas, liderada por J. Craig Venter, que chefiou o programa privado de sequenciamento do genoma humano, já havia sintetizado um genoma de bactéria, e já havia transplantado o genoma natural de uma bactéria para outra. Venter, ao apresentar o novo feito numa entrevista coletiva, referiu-se ao experimento do transplante, publicado em 2007, como "filosoficamente, um dos mais importantes que fizemos", por mostrar "como a vida pode ser dinâmica".

Agora, os cientistas uniram os dois avanços e criaram o que chamam de "célula sintética", introduzindo um genoma artificial, copiado de uma bactéria, numa estrutura celular natural.

Fonte: Estadão OnLine

Plástico Biodegradável

Cientistas peruanos inventam plástico biodegradável à base de batata

Um grupo de cientistas peruanos inventou um plástico à base de batata biodegradável, uma alternativa para minimizar os efeitos da poluição e agregar valor aos produtos agrícolas do país.

O produto, elaborado a base de amido de batata, um tubérculo originário da zona do Lago Titicaca, e outros tubérculos como a mandioca e a batata-doce, "é biodegradável e, além disso, é biocompostável (se decompõe e se transforma em adubo)", explicou à Agência Efe o coordenador geral do projeto da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP), Fernando Torres.

Um plástico fabricado com derivados do petróleo como as sacolas de supermercado e os produtos eletrodomésticos em geral, demora dezenas de anos para se desintegrar, e ainda assim não desaparece completamente. Um material biodegradável, no entanto, só demora dois anos.

Por isso a equipe da PUCP trabalha há anos na criação dos plásticos biodegradáveis a base de tubérculos, um projeto financiado pelo Programa de Ciência e Tecnologia (FINCyT) do Peru.

O plástico é produzido no laboratório, onde se extrai a umidade da batata, o material é filtrado e através de um processo de centrifugação o tubérculo é seco, obtendo-se assim o amido.

Desse momento em diante, o amido é trabalhado em um equipamento para processar plásticos convencionais até ser transformado em lâminas com aspecto similar às lâminas do material encontradas no mercado.

Salomón Soldevilla, do departamento de Agroindústria da FINCyT, afirma que o objetivo do projeto é "estabelecer os protocolos de desenvolvimento de tecnologia para que estas fontes naturais possam ser utilizadas de diversas formas".

A maior parte dos plásticos biodegradáveis é fabricada à base de milho, um produto abundante nos Estados Unidos, país que, além disso, conta com uma indústria capaz de produzir o alimento em grande escala, explica Torres.

A novidade deste plástico, que ainda está em fase de pesquisa, é o uso do amido da batata peruana.

Agora os pesquisadores comandados por Torres, doutor em ciência de materiais, tentarão precisar qual variedade de batata, entre as milhares existentes no Peru, "é a mais adequada".

Os cientistas já conseguiram produzir lâminas e filmes (de plástico de amido de batata) que podem servir de modelo para bandejas e sacolas, muito utilizadas no Peru, onde a consciência ecológica não é muito grande. No país são usadas muitas sacolas e é comum ver as pessoas descartando o material na rua.

Além disso, os cientistas da PUCP também enfrentam o desafio de passar para a próxima etapa da pesquisa e produzir o produto em grande escala em um país em que a indústria do plástico é inexistente.

"O Peru não tem indústria, não produz matéria-prima plástica", diz Torres. Ele explica que apesar de existirem milhares de variedades de batata, o amido deste tubérculo tem que ser importado dos Estados Unidos.

"Um produto deste tipo também pode criar um valor agregado para a agricultura do país", afirmou Torres.

O Peru é, sobretudo, um país exportador de matéria-prima e um terço da população vive em situação de pobreza, especialmente nas áreas rurais, apesar de um crescimento sustentado durante quase uma década.

Fonte: Terra Ciência

Imagem da Semana

Fotógrafo passa dez anos em árvores para captar espécies raras

O fotógrafo belga Guido Sterkendries passou os últimos dez anos no alto de árvores em florestas tropicais do Brasil e do Panamá, registrando imagens de espécies raras e pouco fotografadas.

Em estruturas de bambu ou madeira, Sterkendries chegou a passar até duas semanas a dezenas de metros de altura, à espera da imagem perfeita. O fotógrafo testemunhou os efeitos do desmatamento e da poluição sobre ecossistemas frágeis.

Em áreas ainda intocadas no Brasil e no Panamá, ele contou com a ajuda de moradores e tribos locais para encontrar o melhor local para montar acampamento.

Para subir ao topo das árvores, Sterkendries usou uma combinação de cordas e roldanas. Entre as fotos que tirou na floresta, duas se destacam: a de um sapo venenoso azul, no Panamá, que foi fotografado pela primeira vez por Sterkendries, e a do bugio do Pantanal, um macaco que habita o topo das árvores da região mato-grossense.

Em junho, o fotógrafo pretende viajar do delta do Rio Amazonas até sua nascente para observar os efeitos das áreas desmatadas ao longo do rio.

Fonte: Terra Ciência

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mamute Sangue Frio

Mamutes tinham sangue 'anti-congelamento', diz estudo

Cientistas australianos anunciaram a descoberta de que os mamutes possuíam um sangue "anti-congelamento" que os ajudava a manter o suprimento de oxigênio do corpo em baixas temperaturas.

Em artigo publicado na revista científica Nature Genetics, os estudiosos da Universidade de Adelaide afirmam ter "ressuscitado" a hemoglobina autêntica dos mamutes, o que os ajudou na descoberta.

A hemoglobina é a proteína das hemácias, as células vermelhas do sangue, e transporta o oxigênio nos mamíferos. Mas sua habilidade de lançar esse oxigênio nos órgáos e tecidos é inibida a baixas temperaturas.

Segundo os cientistas, os mamutes eram dotados de uma adaptação genética que permitia que o transporte de oxigênio ocorresse mesmo no extremo frio, o que não acontece nos animais de hoje.

Mutações

Os pesquisadores sequenciaram os genes da hemoglobina a partir do DNA de três mamutes siberianos preservados no chamado permafrost (tipo de solo do Ártico), onde eles morreram há dezenas de milhares de anos.

As sequências de DNA foram convertidas em RNA (molécula semelhante que é fundamental na produção de proteínas) e, em seguida, inseridas em bactérias, que então produziram perfeitamente a proteína do mamute.

Os cientistas então testaram essa proteína e confirmaram que três mutações altamente raras na sequência da hemoglobina permitiam seu funcionamento mesmo a baixas temperaturas.

"Tem sido extraordinário trazer de volta à vida uma complexa proteína de uma espécie extinta e descobrir mutações importantes que não são encontradas em nenhuma espécie viva de hoje", disse Alan Cooper, diretor do Australian Centre for Ancient DNA, da Universidade de Adelaide, e um dos autores da pesquisa.

Sem essa adaptação genética, os mamutes perderiam mais energia no inverno e seriam obrigados a comer mais.

Os mamutes, ancestrais dos atuais elefantes, se originaram na África equatorial. Mas entre 1,2 e 2 milhões de anos atrás, membros da linhagem dos mamutes migraram para latitudes mais altas.

Fonte: Estadão

Ancestrais Neandertais

Humanos de fora da África têm ancestrais neandertais, mostra genoma

As populações humanas de fora da África têm de 1% a 4% de DNA herdado do neandertal, uma espécie que existiu paralelamente ao homem moderno durante milhares de anos na pré-história. Os neandertais desapareceram cerca de 30.000 anos atrás. A evidência de reprodução entre as duas espécies foi encontrada graças ao primeiro rascunho do genoma neandertal, que levantou 60% do código genético da espécie extinta.

Tanto o sequenciamento quanto os resultados da comparação entre o DNA humano e neandertal são descritos na edição desta semana da revista Science.

De acordo com os autores do trabalho, o contato sexual entre as duas espécies teria ocorrido no Oriente Médio, depois que uma população humana original deixou a África para se espalhar pelo mundo. Com isso, os humanos que permaneceram na África não foram expostos aos genes dos neandertais, e por isso não revelaram traços do DNA da variedade extinta.

Os pesquisadores informam ainda que o genoma do cientista Craig Venter, que publicou sua sequência genética pessoal recentemente, tem trechos que são mais parecidos com o do neandertal que com o chamado genoma humano de referência, que inclui dados genéticos de várias origens, incluindo africana.

Homem das cavernas

"Isso não quer dizer que só os africanos é que não têm um pouco de 'homem das cavernas'", disse em entrevista coletiva Svante Pääbo, do Instituto Max Planck, um dos autores do estudo. "Pode haver formas arcaicas, de outras variedades, no genoma africano e que não foram detectadas ainda". Pääbo acrescenta ainda que a contribuição do genoma neandertal para as populações humanas modernas é aleatória.

"O sinal está esparsamente distribuído pelo genoma, como se fosse um rastro de migalhas de pão", disse Ed Green, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, outro autor do trabalho. "Se houvesse algo de vantajoso, provavelmente já teria aparecido na comparação entre genomas humanos".

David Reich, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, também autor do estudo, diz que não parece ter havido fluxo genético de humanos para neandertais, mas apenas na direção oposta, e que por enquanto ainda não foi possível determinar se o fluxo se deu de macho para fêmea ou vice-versa.

A contribuição do neandertal para o DNA humano foi determinada a partir da comparação do genoma da espécie extinta com o de cinco seres humanos contemporâneos. Traços de genoma neandertal foram encontrados em pessoas da Europa, China e Papua-Nova Guiné, mas não da África.

O fato de neandertais e humanos terem sido capazes de produzir descendentes férteis pode levantar a discussão, que Pääbo considera "infrutífera", sobre se faz sentido considerar o homem de neandertal uma espécie à parte. "Eu os veria como uma forma de humano", disse ele, referindo-se aos neandertais. "Um pouco mais diferentes de nós do que as pessoas são diferentes umas das outras hoje, mas não muito".

Essência humana

O sequenciamento do genoma do neandertal permitiu uma comparação entre o DNA dessa variedade extinta com o dos humanos atuais e dos chimpanzés, em busca de características que sejam essencialmente humanas. Os pesquisadores focaram a busca em partes do genoma onde existe variação entre humanos, mas não entre os neandertais.

"Frequentemente, a variação que existe entre dois humanos é antiga o bastante para ser partilhada com os neandertais", disse Green. "Mas agora, com o genoma neandertal, podemos vasculhar o genoma em busca de regiões onde esse não é o caso".

Essas regiões são importantes porque podem representar mutações benéficas, que se espalharam rapidamente pelas populações humanas e lhes conferiram vantagens a que os neandertais não tiveram acesso. "É um método poderoso para iluminar nossa história evolutiva e encontrar mudanças importantes que ocorreram num momento crucial".

Entre as 20 regiões já encontradas no genoma humano onde a comparação com o neandertal sugere forte pressão da seleção natural a favor dos humanos modernos estão três ligadas ao desenvolvimento cognitivo: genes que, quando defeituosos, aparecem relacionados a esquizofrenia, autismo e síndrome de Down.

Trabalho

O genoma neandertal foi obtido a partir de ossos de 40.000 anos, encontrados em uma caverna na Croácia. Amostras dos ossos foram pulverizadas e passaram por um processo de purificação para separar o DNA neandertal de contaminações, como DNA humano e de bactérias.

O trabalho levou quatro anos, e Pääbo disse que só foi possível graças a avanços tecnológicos recentes na área do sequenciamento genético.

"Eu não esperava ver o DNA do núcleo das células do neandertal sequenciado ainda durante a minha vida", disse ele, lembrando que o DNA mitocondrial dos neandertais já havia sido sequenciado na década de 90. Esse DNA fica na mitocôndria, uma estrutura externa ao núcleo da célula.

Na época, as diferenças entre o DNA mitocondrial de neandertais e humanos levou cientistas a afirmar que era improvável que tivesse ocorrido cruzamento entre as espécies.

Fonte: Estadão Ciência

Imagem da Semana

Peixe Tigre Golias

Imagens de um documentário de TV mostram o biólogo Jeremy Wade com um peixe tigre golias (Hydrocynus goliath) com mais de 36 kg encontrado no rio Congo, na África. No documentário River Monsters, produzido pelo Animal Planet, o animal parece falso, mas é real e chama a atenção pelos longos e afiados dentes mostrados pelo aventureiro. As informações são do Live Science.

De acordo com a reportagem, peixes mortais, como as piranhas, são muito retratados em documentários e filmes de cinema. Mas a produção mostra outros animais que são encontrados no rio e que normalmente não são vistos por quem está em suas águas.

Dois dos animais mais mortais da África costumam se esconder nas águas turvas de seus rios: os crocodilos e os hipopótamos, ambos responsáveis por centenas de mortes todos os anos.

Por outro lado, a reportagem afirma que apesar do aspecto, o peixe tigre golias não é tão monstruoso assim e, quando pescado, briga tanto quanto uma grande truta.

Fonte: Terra Ciência

Pra quê Talidomida?

Pesquisadores identificam proteína alvo da talidomida

Meio século atrás, em 46 países, milhares de mulheres grávidas tomaram medicamento para enjôo, que viria a se revelar grande causador de graves más formações no desenvolvimento fetal. Em todo o mundo, cerca de 10 mil crianças foram afetadas pelo medicamento (antes de interrupção do uso em 1961, após quatro anos no mercado). Apelidadas de “bebês da talidomida”, nasceram com defeitos múltiplos, incluindo a característica dos membros superiores serem curtos (condição conhecida como focomelia, do grego “phoke”-foca e “melos”-membros).

Recentemente, a talidomida retornou. Na década de 1990 a Food and Drug Administration aprovou sua utilização no tratamento contra o mieloma múltiplo (câncer nas células do plasma) e contra as complicações de lepra. Potente anti-inflamatório e antiangiogênico (formador de vasos sanguíneos), a droga apresenta resultados terapêuticos efetivos, apesar dos efeitos colaterais desagradáveis. (Obviamente, não é recomendado para mulheres grávidas.) Hoje, os testes com talidomida ocorrem com mais de 30 doenças, incluindo artrite, câncer de mama e esclerose lateral amiotrófica, de acordo com a Adis R&D Insight (um banco de dados on-line sobre a evolução desse medicamento). Detalhes sobre o funcionamento da droga, porém, ainda permanecem desconhecidos.

Novo estudo publicado no dia 12 de março na revista Science identificou o alvo primário de teratogenicidade da talidomida (potencial causador de má formação fetal), uma proteína chamada cereblon. Usando peixes-zebra e embriões de galinha, Takumi Ito e seus colegas do Instituto de Tecnologia de Tóquio mostraram que a ligação entre talidomida e cereblon causou má formação na nadadeira peitoral do peixe-zebra e a ausência completa dos membros anteriores nos pintos. Os pesquisadores concluíram que a talidomida exerce esses efeitos devido à inibição de cereblon, pois indução desta proteína impediu que ocorressem más formações. A função natural dessa proteína ainda permanece desconhecida, mas as mutações no gene que codifica estão relacionadas ao retardo mental leve.

Estudos anteriores sugerem que efeitos terapêuticos da talidomida na inflamação, na formação de vasos sangüíneos e nas células de estresse possam ser parcialmente responsáveis por sua teratogenicidade, ou seja, eliminar os seus efeitos secundários tóxicos também pode reduzir sua eficácia. Porém, pouco foi relatado sobre uso direto de talidomida em alvos moleculares. Ito e seus colegas esperam que a identificação de cereblon como um alvo para a teratogenicidade da talidomida levará a detecção rápida de semelhantes, as alternativas mais seguras. “Agora a talidomida é usada para o tratamento do mieloma múltiplo e hanseníase, a identificação do seu alvo direto pode permitir que a concepção racional de derivados da talidomida seja mais eficaz sem atividade teratogênica”, relatam.

Um substituto seguro para a talidomida seria bem recebido, embora a FDA tenha aprovado o uso limitado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda seu uso, citando preocupações sobre a fiscalização ineficaz e uso indevido do medicamento. “O número de ‘bebês de talidomida’ continuará a crescer a cada ano, refletindo a insuficiência de regulamentação e uso difundido sob supervisão inadequada”, afirma a organização do website. Em relatório anterior, a WHO Global Leprosy, equipe do programa coordenado por Vijaykumar Pannikar, alertou: “Não é demais enfatizar que qualquer potencial benéfico com talidomida deve ser equilibrado com a toxicidade conhecida e as restrições de acompanhamento jurídico e ético sobre seu uso.”

Fonte: Scientific American Brasil

Vida Ácida

Menores seres vivos do planeta vivem em poça de ácido

Pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, descobriram que dois micro-organismos encontrados em uma poça de ácido em uma mina de cobre podem ser os menores seres vivos do nosso planeta. Os micróbios, do grupo Archaea, têm apenas uma célula e são capazes de viver em um ambiente tão inóspito quanto fluido de bateria. As informações são do Live Science.

Os seres foram encontrados há quatro anos, mas agora os cientistas reconstruíram seus genomas e descobriram que eles estão entre as mais simples e menores formas de vidas já vistas. Segundo os pesquisadores, muitos vírus são menores que esse micro-organismo, mas os vírus não são considerados seres vivos.

Um deles, nomeado de Arman (abreviatura em inglês para nano-organismos acidofílicos archaeal da mina de Richmond e também uma homenagem ao dono da mina onde foram encontrados, Ted Arman) são rivais em tamanho de outro Archaea encontrado no local que vive como parasita.

Os pesquisadores encontraram em 10% dos Arman protuberâncias originários do rival, nominado como Thermoplasmatales. "É realmente notável e sugere um tipo de interação nunca vista antes na natureza", diz Brett J. Baker, de Berkeley.

Os cientistas afirmam que esses "espinhos" podem indicar que os Thermoplasmatales vivem foram de outros micróbios como parasitas ou seres simbióticos boa parte de sua vida.

Inicialmente, os cientistas acreditavam que o Arman era um parasita devido ao seu tamanho minúsculo (ele tem cerca de um terço do tamanho da bactéria E. Coli e é tão pequeno que em um microscópio comum parece apenas com um grão de poeira) e um genoma compacto - tem 1 milhão de pares, quase nada comparado com os centenas de bilhões de pares nos humanos.

Apesar da simplicidade, 45% dos genes do Arman são desconhecidos, mais do que outros organismo que tiveram o genoma sequenciado. Muitos dos seus genes ele divide com outros Archaea, mas muitos outros não foram vistos em nenhum grupo desses animais, o que sugere que dois ramos se dividiram durante a evolução dos Archaea.

Fonte: Terra Ciência

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