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A Amídala e o ato de correr riscos!

Dano na área do cérebro que toma decisões encoraja riscos

Imagine que você perdeu o emprego. Mas tem algum dinheiro guardado e a chance de duplicá-lo com uma aposta. Mas, se perder a aposta, perde tudo. O que faria?


A maioria das pessoas não arriscaria suas economias, de acordo com Benedetto De Martino, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, autor de um estudo publicado em 8 de fevereiro em Normas da Academia Nacional de Ciências. Pessoas tendem a preferir evitar perdas em vez de tentar ganhar – comportamento conhecido como aversão à perda.

Mas pessoas com danos na amídala – parte do cérebro com forma de uma amêndoa, envolvida com emoções e tomada de decisões – são mais propícias a encarar grandes riscos, mesmo com pequenos potenciais de ganhos, segundo descobriu o estudo de De Martino. Duas mulheres com danos bilaterais na amídala mostraram redução dramática na aversão à perda quando comparadas com um grupo da mesma idade em uma série de apostas experimentais, apesar de entenderem totalmente valores e riscos envolvidos.

De Martino já suspeitava que a amídala era crucial para a aversão à perda, baseado em estudos anteriores com imagens de ressonância magnética funcional (FMRI – Functional Magnetic Resonance Imaging). Mas esses dois casos raros com danos na estrutura em questão permitiram a De Martino testar diretamente sua hipótese. “Nas imagens da ressonância magnética funcional, você nunca sabe se a resposta está refletindo alguma outra coisa. Com a lesão na amídala, você tem uma resposta direta”, diz De Martino.

Enquanto sujeitos equilibrados que ganhassem US$ 20, mas perdessem US$ 15, apresentam menos tendência a apostar do que se ganhassem US$ 50, mas perdessem US$ 10, as duas pacientes com danos na amídala se afetavam muito menos por grandes diferenças entre potenciais de ganhos e perdas. Em alguns casos, elas optam por apostar mesmo quando o potencial de perdas supera o potencial de ganhos.

O conceito de aversão à perda pode ser aplicado a muitas coisas. Considere, por exemplo, alguém avaliando se submeter a uma cirurgia eletiva. Quanto mais sérias as possíveis complicações – não importando a probabilidade – é menos provável que a pessoa aceite fazê-la. Mas De Martino é especialmente interessado em determinar como a aversão à perda se aplica ao dinheiro. “Meu sonho seria formular uma teoria econômica que pudesse capturar as complexidades do comportamento humano, baseada em pessoas reais e cérebros reais em vez de suposições”, explica. O campo de estudos de De Martino é adequadamente nomeada neuroeconômia. “É uma visão mais biológica das ciências sociais”, diz ele. “Muitos teóricos da economia pensam nos humanos como máquinas e esquecem do processo emocional.”

Em trabalho anterior, De Martino mostrou que danos na amídala fazem as pessoas se comportarem mais como essas máquinas teóricas. “É estranho, mas pessoas com dano no sistema emocional são, paradoxalmente, mais racionais ao tomar certos tipos de decisões. Não levam em consideração nenhum processo emocional.”

De forma interessante, a mais velha das duas mulheres não só não manifestou aversão à perda, como estava até com perda de procura. Essa diferença entre as duas mulheres foi espelhada pelas diferenças entre os grupos de mesma idade. “Conforme você fica mais velho, tem menos aversão à perda”, diz De Martino, explicando que mesmo os sujeitos do grupo de controle mais velhos receavam menos a perda. “Sua perspectiva de vida muda, porque você tem menos anos para viver.” Esse efeito poderia ser consequência das reduções no volume da amídala relacionadas ao envelhecimento – conforme a idade, nosso cérebro diminui. De Martino diz que, somados à idade, outros fatores como renda e educação também estão em jogo.

O dano na amídala não pareceu afetar a aversão ao risco – comportamento similar com uma importante diferença. Pessoas com aversão ao risco têm menos probabilidade de arriscar, mesmo quando não há nada a perder.

Considerando que aversão à perda pode soar abstrata para um economista, segundo De Martino isso provavelmente reflete um mecanismo muito antigo no cérebro. “Pense em um animal. Ele precisa obter comida, mas ao mesmo tempo tem de se proteger dos predadores. Seria muito sábio para um animal avaliar ganhos e perdas em uma perspectiva de evolução.” Embora tenha se passado um longo tempo desde que humanos tinham que se preocupar com predadores, o bem-estar financeiro ainda é necessário para sobrevivência no mundo moderno, ainda que de forma mais abstrata. O estudo de De Martino sugere que a amídala – conhecida por estar envolvida em processar o medo – pode nos deixar com medo do risco de perder dinheiro. “Pode ser que a amídala controle um mecanismo biológico muito geral para inibição do comportamento arriscado quando resultados são potencialmente negativos”, sugere De Martino.

Fonte: Scientific American

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