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Genética

Novo ancestral humano

DNA coletado na Sibéria sugere espécie humana desconhecida

Entre os últimos 5 milhões e 7 milhões de anos durante os quais os seres humanos vêm evoluindo, várias espécies de nossos antepassados coexistiam. Eventualmente, outras linhagens foram extintas deixando apenas a nossa, Homo sapiens, para dominar a Terra. Cientistas pensavam que, ao longo de 40 mil anos, nossa espécie partilhou o planeta com apenas uma outra espécie humana, ou hominídea: os neandertais. Entretanto, nos últimos anos surgiram evidências de que mais espécies de hominídeos viveram entre esse tempo. Indicações de que H. erectus possa ter persistido na ilha Indonésia de Java até 25 mil anos atrás vieram à tona. E também H. floresiensis, pequena espécie humana comumente referida como hobbits, que viveram em Flores, outra ilha do arquipélago indonésio, há 17 mil anos.

Pesquisadores relataram em um artigo na revista Nature que encontraram um quinto tipo de hominídeo que pode ser sobreposto com essas espécies. (Scientific American faz parte do Nature Publishing Group). Diferentemente de todos os outros membros conhecidos da família humana que os pesquisadores têm descrito a partir de características morfológicas dos ossos, o novo hominídeo foi identificado apenas com base no seu DNA.

Johannes Krause e Svante Pääbo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig na Alemanha, e seus colegas, obtiveram o DNA de um osso do dedo mindinho fossilizado encontrado na caverna Denisova, nas montanhas de Altai, sul da Sibéria. Foi impossível determinar a espécie a partir da forma e tamanho do osso, ela simplesmente não contém quaisquer traços morfológicos para um diagnóstico. Porém, existem boas razões para acreditar que veio de um neandertal ou de um humano moderno. Por um lado, o osso foi recuperado de uma camada estratigráfica da caverna datada entre 50 mil e 30 mil anos que continha artefatos pertencentes ao chamado Paleolítico Médio e Paleolítico Superior e as indústrias associadas a esses dois grupos. Por outro lado, os neandertais e os humanos modernos eram hominídeos apenas conhecidos por ter vivido na região durante esse período de tempo. Mas a equipe que estudou o DNA extraído do osso de Denisova relatou que existem diferenças significativas nas seqüências do DNA obtido anteriormente a partir do início dos humanos modernos e neandertais.

Pesquisadores se concentraram em um tipo de DNA conhecido como o DNA mitocondrial (mtDNA). As mitocôndrias são as usinas de energia da célula, e têm o próprio DNA, separado do que a abrigava no núcleo da célula e é transmitido de mãe para filho. Como cada célula tem milhares de mitocôndrias, mas apenas um único núcleo, o DNA mitocondrial é mais abundante do que o DNA nuclear e, portanto, é mais provável que seja o último preservado em um osso fossilizado. Até o momento, os cientistas sequenciaram o genoma mitocondrial de dois neandertais e os seres humanos da era moderna, e as seqüências dos dois grupos são bastante diferentes.

Comparando a ordem das “letras” genéticas ou pares de bases, como são chamados, que compõem o mtDNA de Denisova, com as sequências dos humanos atuais e um homem da era moderna, Krause e seus colaboradores descobriram que o mtDNA de Denisova é diferente do dos seres humanos atuais em quase o dobro de pares de bases em relação ao dos neandertais.Uma análise mais aprofundada indicou que o mtDNA do antecessor comum mais recente entre as espécies de Denisova, neandertais e humanos modernos data cerca de 1 milhão de anos atrás (duas vezes mais velho que o mais recente ancestral comum). A equipe diz que essa divergência de data indica que o mtDNA de Denisova é distinto da população do H. erectus, que deixou a África 1,9 milhões anos atrás e também do H. heidelbergensis, ancestrais dos neandertais, que foi ramificada da linhagem principal do homem moderno em torno de 466.000 anos atrás. Como tal, os pesquisadores consideram que o mtDNA de Denisova revela uma migração, até então desconhecida, para fora da África por um grupo desconhecido dos hominídeos. (A equipe ainda não “batizou” formalmente essa nova criatura, mas informalmente se referem a ela como mulher-X).

Fonte: SciAm Brasil

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