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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Bioluminescência: o fenômeno que faz o vaga-lume "brilhar" no escuro

Heytor Neco

Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/blogs/files/2012/11/medium_198487523.jpg
Os vaga-lumes são bem bonitos vistos à noite, quando estão "brilhando", mas quando vemos mais de perto não achamos eles tão formosos quanto pensávamos, como vocês podem ver na foto ao lado.
Os vaga-lumes são tipos de pirilampos notórios por emitirem luz fosforescente. A classificação científica desses animais  é a seguinte:
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Coleoptera
Famílias: Elateridae, Fengodidae e Lampyridae

Indo direto ao que interessa, você já ouviu falar em bioluminescência?
A bioluminescência é o fenômeno responsável pelo "brilho" desses insetos. Na verdade, os vaga-lumes emitem essa luz graças a uma reação química com uma proteína chamada Luciferina. Na bioluminescência, a Luciferina é oxidada pelo oxigênio que o vaga-lume inspira e, com o auxílio de uma enzima chamada Luciferase, gera a Oxiluciferina, que perde sua energia, acarretando na emissão da luz.
A Luciferase é importante no processo de bioluminescência. Inclusive, a sequência das centenas de aminoácidos que foram essa proteína é quem vai determinar a cor da luz que cada espécie de vaga-lume vai emitir.
Vale lembrar que os vaga-lumes emitem a luz como um "pisca-pisca", o que é explicado em alguns estudos pelo período de acasalamento, no qual os machos querem atrair as fêmeas sexualmente. Assim, eles voam, emitindo a luz, e as fêmeas permanecem pousadas emitindo luz em resposta ao sinal do macho.
Além disso, esses insetos também podem se aproveitar da bioluminescência para atrair a caça ou se defender.
Demais né?!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Cientistas têm elucidado o modo pelo qual o protozoário causador da amebíase provoca lesões intestinais no homem

Por Paulo Henrique Santos Gonçalvesbiólogo, mestre em Botânica e professor de Parasitologia Humana Básica da Universidade de São Vicente de Pão de Açúcar (Alagoas)

Entamoeba histolytica é uma espécie de ameba que causa uma infecção no homem denominada de amebíase. Essa infecção ocorre quando ingerimos alimentos ou água contaminada por cistos (células de resistência) da E. histolytica. Ao chegar ao final do intestino delgado ou ao intestino grosso, as amebas eclodem dos cistos e colonizam o intestino grosso.
Geralmente, E. histolytica vive aderida à mucosa do intestino, alimentando-se de detritos e bactérias e, nesses casos, sua presença pode não resultar em nenhum mal para o hospedeiro. No entanto, por motivos ainda pouco compreendidos, esses protozoários podem invadir os tecidos localizados abaixo da mucosa intestinal e, nesses casos, formam-se lesões que resultam em diarreias, incluindo diarreias sanguinolentas. Estima-se que, anualmente, cerca de 50 milhões de pessoas apresentem infecções diarreicas devido à amebíase no mundo.
Você certamente já conhece os processos de fagocitose e pinocitose. A fagocitose consiste do processo pelo qual uma célula engloba partículas sólidas que lhe servirão de alimento. É este o processo empregado por protozoários para ingerir bactérias, por exemplo. A pinocitose, por sua vez, é o processo pelo qual algumas células ingerem líquido ou pequenas partículas através de minúsculos canais que se formam em sua membrana plasmática. É através da pinocitose que células do nosso intestino absorvem gotículas de lipídios, por exemplo. No entanto, pesquisadores da Virginia (Estados Unidos) em parceria com pesquisadores de Nova Delhi (Índia) observaram um mecanismo um tanto diferente utilizado pela E. histolytica para ingerir células do nosso intestino.
Entamoeba histolytica, protozoário causador da amebíase.
Fonte: http://csabio.tk/wp-content/uploads/2013/08/3_entamoeba_histolytica_cyst1334268403794.png
Esses pesquisadores realizaram um tipo de “filmagem microscópica” da ação desses protozoários em células intestinais do homem mantidas em laboratório. Esses pesquisadores observaram que, cerca de um minuto após entrar em contato com células do hospedeiro, a E. histolytica ingere pequenos pedaços das células do hospedeiro, fenômeno que os pesquisadores denominaram de trogocitose. Interessantemente, após a morte das células intestinais (devido à perda na integridade da membrana plasmática), as amebas se separam desta célula e param de ingerira-la. Por outro lado, se células intestinais mortas são oferecidas às amebas, que as ingerem através da fagocitose. Deve-se ressaltar, contudo, que E. histolytica consome hemácias através da fagocitose.
Processos morfologicamente similares também têm sido observados em outras espécies de amebas parasitas e em Dictyostelium caveartum (uma espécie de protozoário ameboide encontrado no solo). Além disso, processos semelhantes têm sido observados em células de defesa de mamíferos. Nesses casos, uma célula de defesa obtém fragmentos da membrana plasmática a partir de outra célula de defesa que tenha anteriormente detectado a presença de um organismo estranho no corpo.
Além da elucidação do mecanismo pelo qual E. histolytica provoca lesões em células intestinais do homem, a compreensão deste processo é importante do ponto de vista da biologia celular e evolutiva. Como este processo surgiu em diferentes grupos de organismos e se ele também ocorre em outros organismos são aspectos que ainda precisam ser estudados.

Referências:

RALSTON, K.S., SOLGA, M.D., MACKEY-LAWRENCE, N.M., SOMLATA, BHATTACHARYA, A., PETRI JR W.A. Trogocytosis by Entamoeba histolytica contributes to cell killing and tissue invasion. Nature, v. 508, p. 526-530. 2014.

RALSTON, K.S. Chew on this: amoebic trogocytosis and host cell killing by Entamoeba histolytica. Trends in Parasitology. In press. 2015.

SILVA, E.F., GOMES, M.A. Amebíase: Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar. In: NEVES, D.P., MELO, A.L., LINARDI, P.M., VITOR, R.W.A. Parasitologia Humana. 11 ed. P. 127-138.Ed. Atheneu.

http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/fagocitose.php

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O que é o virus Zika?

Por Heytor Neco

Nos últimos meses, muitos brasileiros vem sendo acometidos por uma "virose" difícil de identificar devido a semelhança entre seus sintomas e os de outras doenças, como a Dengue, por exemplo. Porém, agora estamos lidando com um vírus até então desconhecido na mídia brasileira, o vírus Zika.

Mosquito do gênero Aedes.
Fonte: http://latinonews.com.br/wp-content/uploads/(...)e125e7b1a31753.jpg
O ZIKV (Zikavirus) é um vírus da família Flaviviridae e do gênero Flavivirus, assim como os vírus da Dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e da Febre Amarela (vírus amarílico). 


Todos os vírus citados anteriormente são conhecidos como arbovírus (Arthropod-borne virus) porque parte de seu ciclo de replicação ocorre em artrópodes, geralmente insetos, e podem ser transmitidos aos seres humanos através da picada desses insetos hematófagos (que se alimentam de sangue). No caso do ZIKV, ele é transmitido por mosquitos do gênero Aedes, que inclui o Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus da dengue.

Voltando a falar especificamente do ZIKV, esse vírus é o agente etiológico da febre Zika, cujos sintomas são semelhantes aos da dengue, como dito anteriormente. A diferença é que os sintomas da febre Zika, como "pintas"  no rosto e no tronco (enxantema maculopapular), dores nas articulações, dor de cabeça, febre e conjuntivite, são mais brandos e podem durar até 7 dias. 

A identificação do ZIKV pode ser feita através da técnica de RT-PCR (Reverse Transcriptase - Polymerase Chain Reaction), quando os pacientes estiverem com quadro agudo, ou por sorologia (detecção de anticorpos específicos IgM), em pacientes em que a febre regrediu. Ainda assim, podem acontecer reações cruzadas com outros vírus da mesma família.

É isso, pessoal! Espero que eu tenha conseguido explicar um pouco do Zikavirus para vocês e fiquem atentos a qualquer sintoma.

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