Destaque Tudo de Bio

segunda-feira, 22 de março de 2010

Alga Anti-Obesidade?!

Algas marinhas podem reduzir obesidade, diz pesquisa

Uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha afirma que algas marinhas podem ser usadas para combater a obesidade.

A equipe de cientistas da Universidade de Newcastle descobriu que os alginatos, uma fibra extraída das algas, ajudam o corpo a reduzir a absorção de gordura em até 75%. O índice é melhor do que a maioria dos tratamentos contra obesidade.

Os cientistas estão fazendo testes com a fibra adicionada a pão, para determinar o efeito que ela teria em uma dieta normal.

"Essa pesquisa sugere que se nós podemos adicionar fibras naturais a produtos usados diariamente, como pães, biscoitos e iogurtes, até três quartos da gordura contida em uma refeição podem passar diretamente pelo corpo", afirma Iain Brownlee, da equipe de pesquisadores de Newcastle.

"Nós já adicionamos o alginato ao pão e testes iniciais de gosto têm sido extremamente animadores."

Estômago artificial

Os cientistas usaram um "estômago artificial" para testar a eficácia dos 60 tipos diferentes de fibras naturais ao medir o quanto cada um afeta a digestão da gordura. O estômago artificial é um aparelho que replica as reações físicas e químicas do estômago humano.

As descobertas foram apresentadas na Sociedade Americana de Química, durante uma conferência em San Francisco, nos Estados Unidos.

"Há inúmeros relatos de curas milagrosas para se perder peso, mas apenas alguns poucos casos têm evidência científica sólida para amparar esses relatos."

Alginatos já são atualmente adicionados a alguns alimentos em pequenas quantidades, para aumentar a sua consistência.

Para o diretor do National Obesity Fórum (NOF), uma entidade britânica que reúne médicos e estudiosos, a descoberta é "interessante".

"A pesquisa parece interessante, mas nós só podemos começar a recomendar [as algas] se os cientistas conseguirem gerar boas provas após testes rigorosos."

Fonte: G1

Ética: Controle de Cobaias

Conselho vai aumentar controle de cobaias em pesquisas no Brasil

Mais de um ano após a aprovação da Lei Arouca, que trata do uso de cobaias em pesquisas e no ensino, entrou em funcionamento no País o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). Como o próprio nome diz, um dos principais objetivos do órgão, vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, é aumentar o controle da utilização de cobaias e garantir o cumprimento das normas para o uso ético de animais.
A indicação dos 28 integrantes do colegiado, entre titulares e suplentes, foi feita em dezembro. Há representantes de ministérios, da Academia Brasileira de Ciências, da Federação Brasileira de Indústria Farmacêutica e de sociedades protetoras dos animais, entre outros. No fim de fevereiro, o pesquisador da Fiocruz Renato Cordeiro foi nomeado coordenador do conselho.

Hoje não há no Brasil informações sobre o número de cobaias criadas e utilizadas em laboratórios e em aulas em universidades. Essa é uma das questões que o Concea terá de responder. O próximo passo será o cadastramento no Concea das instituições que usam ou criam cobaias - as mais utilizadas no País são ratos e camundongos, diz Cordeiro. A partir do registro será mais fácil mapear a situação da experimentação animal no País.

Para se credenciar no Concea, as instituições precisam ter comitês de ética - muitas delas já possuem. Os comitês têm a responsabilidade de aprovar os estudos que necessitam de animais. Uma das metas do conselho é que as agências de financiamento só liberem auxílios para pesquisas cujos projetos tenham sido autorizados previamente por esse tipo de comitê.

Fonte: G1 Ciência e Saúde

Imagem da Semana

Nascem na Tailândia os primeiros elefantes gêmeos machos do mundo

Foto mostra Thong-Kum e Thong-Tang. A imagem foi divulgada hoje (22). Os animais vivem em Tha Lad, na Tailândia. Acredita-se que se trata do primeiro caso do mundo de gêmeos do sexo masculino da espécie. A mãe, chamada Phang Thong Khun, tem 35 anos.

Foto: Bronek Kaminiski / Barcroft Indi / Getty Images - 08-03-2010

Fonte: G1

Hepatite: Progresso em experimento

Infecção de hepatite é induzida e eliminada em ratos com células humanas

Para compreender como bactérias e vírus agem no corpo humano e testar novos tratamentos, cientistas costumam usar animais para seus estudos. Mas o que esses animais tem a ver com doenças que afetam somente seres humanos? Um grupo convidado do La Jolla’s Salk Institute trabalhou em torno desse problema com um meio-termo—um rato com um fígado humano.

“Precisávamos de um fígado humano em um rato como uma ferramenta para estudar as hepatites B e C, hepatotrópicos importantes que infectam somente células humanas”, explica Inder Verma, autor sênior do estudo publicado em 22 de fevereiro no Clinical Investigation Journal. “Seria ótimo se pudéssemos estudar o vírus da hepatite em uma placa de cultura, mas infelizmente as células vivas perdem suas propriedades in vitro.”

Em 2007, a equipe publicou um estudo no Proceedings of the National Academy of Sciences, no qual mostrou que poderiam substituir algumas células hepáticas de um roedor por células hepáticas humanas. O atual estudo foi uma nova etapa, na qual os cientistas puderam substituir um número maior de células para causar uma inflamação hepática após a exposição ao vírus. Mostraram também que as drogas antivirais convencionais poderiam ajudar no tratamento da infecção nos ratos chimera.

Os pesquisadores dizem que esse modelo permitirá selecionar uma nova terapia antiviral. “O tratamento atual para hepatite C é realizado com interferon e o ribaviron, que tem uma taxa do sucesso de 40%-80%”, diz Karl-Dimiter Bissig, principal autor do estudo.

Bissig afirma que a prevalência nos Estados Unidos dos genótipos resistentes faz com que a taxa de sucesso chegue perto de 50%. “Muitos dos pacientes retêm o vírus após a terapia”, diz ele. Além disso, o tratamento é muito longo e doloroso. “Há espaço para as terapias mais eficazes e que sejam mais bem toleradas por pacientes. Podemos usar esse modelo para a avaliação pré-clinica de drogas potenciais”, completa.

A pior consequência do vírus da hepatite B e da infecção de C nos seres humanos é o câncer no fígado. Porém, ao contrário dos seres humanos, os ratos infectados não mostraram nenhum sinal de câncer, apesar de serem particularmente suscetíveis à formação do tumor em consequência do imunossupressor que permitiu o transplante das células hepáticas humanas. “Pensávamos que poderíamos identificar tumores pela imunossupressão, mas isso não ocorreu”, diz Verma. “Em seres humanos, o carcinoma demora anos para se desenvolver”, completa ele, explicando que talvez o tempo de vida desse rato, de 2 anos, não seja suficiente para o desenvolvimento do tumor.

A equipe planeja usar em breve esse modelo para gerar órgãos com o transplante de células embrionárias ou com a indução de células pluripotentes, que seriam melhores que as células maduras do fígado. Também colaborará com pesquisadores da University of California em San Diego, para estudar outros patógenos que necessitam de um hospedeiro humano, como a malária.

Fonte: Scientific American Brasil

terça-feira, 16 de março de 2010

Enxergando com a Língua

Aparelho faz cego "enxergar com a língua"

Um equipamento pioneiro, desenvolvido nos Estados Unidos, promete ajudar pessoas cegas a ler com a língua. O aparelho consiste em uma câmera acoplada a óculos especiais, que manda sinais de luz para uma placa de eletrodos introduzida na boca. Esta placa dá pequenos choques formando uma "imagem" sobre a língua.

Segundo os cientistas da Universidade de Pittsburgh, o equipamento funciona melhor com pessoas que já tiveram a visão normal antes. Por isso, um dos primeiros voluntários é um ex-soldado britânico que ficou cego após um ataque no Iraque.

O novo aparelho poderá custar mais de US$ 15 mil.

Fonte: Terra Tecnologia

Banana X Aids

Proteína da banana pode prevenir transmissão sexual da aids

Um estudo americano publicado nesta segunda-feira revela que uma classe de proteína presente nas bananas pode prevenir a transmissão sexual do vírus da aids. Segundo os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, a lectina BanLec é um inibidor natural do HIV "tão potente quanto duas das principais drogas utilizadas atualmente no tratamento da doença".

A pesquisa publicada na mais recente edição da revista especializada Journal of Biological Chemistry explica que o BanLec bloqueia a ação do vírus HIV antes que ele possa se fixar às células sanguíneas.

As lectinas como a BanLec têm despertado interesse cada vez maior dos pesquisadores justamente por serem uma classe de proteína que se liga a carboidratos e é capaz de identificar invasores. Assim, quando um vírus aparece, ela pode ligar-se a ele impedindo a propagação de infecções.

No caso do HIV, a BanLec pode ligar-se à cobertura rica em carboidratos do vírus e bloquear sua propagação no corpo humano. A pesquisa defende ainda que, por sua forma de ação, a BanLec pode oferecer uma "proteção mais ampla".

"O problema com algumas das drogas anti-HIV é que o vírus pode sofrer mutações e tornar-se resistente, mas isso é muito mais difícil na presença das lectinas. Elas podem se ligar aos carboidratos presentes em diversas partes da cobertura do HIV, e isso presumivelmente exigirá múltiplas mutações para que o vírus consiga livrar-se delas", explicou Michael Swanson, um dos autores do trabalho.

Mais barato
Essa não seria a única vantagem da BanLec, que seria também mais barata do que os atuais coquetéis anti-aids. Os cientistas de Michigan defendem em seu relatório que a descoberta de novas formas de prevenção e controle da Aids são essenciais, justamente porque a cada duas pessoas que adquirem acesso ao tratamento com o coquetel de drogas, cinco contraem o vírus.

"O HIV ainda é rampante nos Estados Unidos e a explosão em países pobres continua a ser um problema sério por causa do tremendo sofrimento humano e do custo para tratar os pacientes", disse outro autor da pesquisa, David Marvovitz.

Nesse contexto, o uso de um microbicida à base de BanLec, em forma de gel ou creme a ser espalhado nos órgãos sexuais masculino e feminino, pode ser um grande ganho no combate à disseminação da aids. Mas o grupo de Michigan enfatiza que ainda levará anos até que o uso clínico do BanLec seja possível.

Fonte: Terra Ciência

Germe Identificador

Germes das mãos podem identificar pessoas, afirma estudo

Pesquisadores forenses poderão utilizar em breve os germes encontrados nas mãos para identificar criminosos e vítimas, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira. Pesquisadores dirigidos por Noah Fierer, da Universidade do Colorado, em Boulder, utilizaram três teclados de computadores pessoais para obter DNA de bactérias e compará-las às bactérias dos dedos dos usuários.

Também identificaram germes de um número indeterminado de outros teclados de computadores públicos e privados que os três indíviduos não usaram, para ver se havia coincidências entre as bactérias dos dois grupos de teclados. O processo indicou que as bactérias dos dedos são "pessoais" e apresentam muitas coincidências com os germes dos teclados que cada pessoa utiliza, assinalaram os pesquisadores.

O trabalho utilizou ainda nove mouses de computadores pessoais não utilizados por um lapso de 12 horas, assim como material da palma das mãos de seus proprietários. As bactérias de cada mouse foram "significativamente mais similares" que as encontradas na mão de seu proprietário do que as verificadas em outras 270 mãos.

"Cada um de nós deixa um rastro único de germes", disse Fierer, professor do departamento de ecologia e biologia evolutiva da Universidade, acrescentando que as bactérias das mãos podem se "converter num valioso novo elemento na caixa de ferramentas dos cientistas forenses". Os germes das mãos são abundantes e resistentes, enquanto as impressões digitais podem aparecer difusas ou impossíveis de se obter.

A menos que haja sangue, tecido, sêmem ou saliva em um objeto, é difícil obter DNA humano suficiente para a identificação forense, destaca estudo publicado nas Atas da Academia Nacional de Ciências (PNAS) dos EUA. "Dada à abundância das células bacteriais na superfície da pele (...) pode ser mais fácil recuperar o DNA bacteriano do que o DNA humano, mas serão necessários mais estudos para confirmar a certeza do método".

Fonte: Terra Ciência

sábado, 13 de março de 2010

Fotos da Natureza

Veja fotos da natureza selecionadas por concurso mundial de fotografia

A organização da Sony World Photography Awards divulgou dia 23 os 190 fotógrafos finalistas em 21 categorias de um dos mais importantes prêmios de fotografia do mundo. Ao todo, cerca de 80 mil imagens, de profissionais de 148 diferentes países, foram inscritas no concurso. Os vencedores serão conhecidos em 22 de abril em Cannes. Veja abaixo alguns dos selecionados na categoria “história natural”.


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Imagem da Semana

Filhote de elefante dado como morto surpreende ao nascer vivo

Um filhote de elefante surpreendeu os veterinários de um zoológico australiano após ter nascido vivo mesmo depois de ter sido declarado morto quando ainda estava na barriga de sua mãe.

Às 3h27 da madrugada de quarta-feira, a elefante asiática Porntip deu à luz a um filhote macho, pesando 100 quilos, no parque zoológico Taronga, o principal do país, em Sidney. O diretor do zoo, Cameron Kerr, classificou o nascimento como "inacreditável".

"Quando os veterinários notaram que o elefante estava vivo, não conseguiam acreditar", disse ele à imprensa local. Tanto espanto pelo nascimento do filhote se deve ao fato de que, na última segunda-feira, depois de seis dias de trabalho de parto, os veterinários haviam declarado que o feto deveria estar morto, pois não apresentava nenhum sinal vital.

Thomas Hildebrandt, especialista do Instituto Zoológico de Berlim em reprodução de elefantes, declarou então que "se o elefante nascesse vivo, seria um milagre".

Segundo o veterinário responsável pelos elefantes do zoo, Larry Vogelnest, a única explicação para a completa ausência de sinais vitais durante os exames seria que o filhote passou dias em coma.

O zoo informou que o filhote passa bem. Ele já começou a dar os primeiros passos e a procurar pelo leite de sua mãe. O bebê recebeu litros de colostro, o leite importante para recém nascidos.

Porntip, a mãe elefante, também passa bem e está aos poucos demonstrando afeto pelo recém nascido. Segundo Kerr, "a equipe de veterinários dedica-se exclusivamente ao filhote, especialmente nas primeiras 24 horas, que determinarão o futuro do animal".

"Não há garantia de sobrevivência por longo-prazo do elefante nesse estágio inicial, mas nós esperamos que seu nascimento contra todas as probabilidades o favorecerá", disse o diretor do zoo. Para Hildebrandt, "o parto prolongado e bem sucedido nunca foi visto antes e vai ficar na história de nascimentos de elefantes".

Fonte: Terra Ciência

Diferenciando Espécies

Peixe usa visão ultravioleta para diferenciar espécies

Se você já viu um castanheta, você já viu todos. Isso pode ser verdade para as pessoas, para quem é difícil diferenciar as espécies de castanheta. Mas os peixes se veem de forma diferente, de acordo com um estudo na Current Biology. Eles podem usar padrões faciais ultravioletas para diferenciar uma espécie da outra.

Ulrike E. Siebeck, da Universidade de Queensland, na Austrália, e colegas estudaram o Pomacentrus amboinensis e o P. moluccensis, duas espécies de castanheta capazes de enxergar o espectro ultravioleta da luz. Eles são também altamente territoriais: machos da P. amboinensis, por exemplo, expulsam membros estranhos de sua espécie por considerá-los competidores, mas pegam leve com intrusos da espécie P. moluccensis.

Para as pessoas, as duas espécies de peixe de coral parecem praticamente idênticas. Mas, sob luz ultravioleta, revela-se que elas possuem desenhos diferentes nas linhas ao redor dos olhos. "São padrões intrincados e muito belos que não conseguimos enxergar", disse Siebeck.

A pergunta dela e de seus colegas foi se os padrões, e a capacidade de enxergá-los, afetam o comportamento dos peixes. Em uma série de experimentos nos quais, entre outras coisas, os cientistas colocaram peixes dentro de câmaras de vidro com filtros UV, descobriu-se que o P. amboinensis usava as marcas para diferenciar as duas espécies.

O trabalho dá suporte à ideia, sugerida por outros cientistas, de que a parte ultravioleta do espectro pode ser uma forma usada por algumas espécies para se comunicar secretamente, de maneira invisível àqueles que não enxergam a luz UV.

Fonte: Terra Ciência

Etanol: perjudica ou não o clima?

O etanol do milho é prejudicial ao clima?

O governo Obama recentemente deu sinal verde para o etanol de milho como combustível renovável de baixo teor de carbono. A decisão é uma aparente contradição à declaração da Califórnia, no verão passado, de que a pegada de carbono do biocombustível é grande demais para mitigar a emissão de gases de efeito estufa do estado.

Reguladores e peritos em políticas insistem na inexistência de um conflito: as duas regras obedecem à ciência; é simplesmente uma questão de em que ano se começa a contabilizar as emissões.

De fato, o timing é tudo. A Califórnia verificou suas atuais emissões associadas ao etanol de milho e concluiu que eram demasiado elevadas.

A Casa Branca, visando triplicar a produção anual para 163,29 bilhões de litros por ano em 12 anos, baseou sua decisão em projeções para o ano 2022. O governo presumiu que uma produtividade maior, mais eficiência de produção e novas descobertas mitigariam as emissões.

“Não existe conflito”, declarou Stanley Young, um porta-voz do California Air Resources Board (CARB), o órgão californiano que executa a primeira iniciativa nacional contra o aquecimento global. “Utilizamos metodologias diferentes”, alegou. “Além disso, indicamos que há vários caminhos para produzir etanol de milho com volumes de carbono que se encaixam em nossos padrões”, acrescentou. “Nem todos os etanóis são criados iguais”.

A decisão suscitou algumas dúvidas – e ceticismo – entre os peritos, que questionam se o governo não teria aproveitado uma folga política, propiciada pelas projeções futuras, para chegar a uma conclusão politicamente expediente.

“À primeira vista, isso parece um tanto duvidoso”, diz Nathanael Greene, diretor da política de energia renovável do Natural Resources Defense Council (NRDC). “Você pode até acreditar nisso, mas de todo modo, eles fazem muitas projeções sobre como será a produtividade, como estará o mercado”.

“O resultado é que as coisas parecem bem mais positivas naquele ano (2022) que a Califórnia calcula”.

Para atender ao padrão renovável do país, o “ciclo de vida” de emissões de carbono de um combustível deve estar pelo menos 20% abaixo do da gasolina. Calcular esses custos é complicado. As lavouras de plantas que geram combustíveis tendem a substituir as que produzem alimentos, e isso origina novas emissões à medida que os fazendeiros derrubam florestas e cultivam terras previamente intocadas para atender à demanda de alimentos.

Essas emissões podem ser consideráveis. Um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences concluiu que o Brasil corre o risco de contrair uma dívida de carbono de 250 anos, com base no desmatamento esperado até 2010, à medida que o país expande sua produção de álcool de cana-de-açúcar e biodiesel de soja.

Os pesquisadores estão céticos quanto às alegações federais de que os avanços do etanol serão suficientes para compensar as emissões associadas ao desalojamento de lavouras de alimentos.

“Isso não é consistente com o que tenho lido em publicações revisadas por iguais”, declarou David Tilman, um professor de Ecologia da University of Minnesota, que estudou o conflito entre os biocombustíveis e as lavouras de alimentos.

“Você pode fazer projeções muito otimistas sobre produtividades futuras, mas se verificar as tendências passadas verá que até durante a Revolução Verde os aumentos foram insuficientes para atender às demandas que teremos no futuro”.

Evidências recentes, vindas do Brasil, sustentam esse ponto. Uma equipe de pesquisadores, chefiada por David Lapola, da Universidade de Kassel, na Alemanha, constatou que 90% da expansão brasileira de cana-de-açúcar, nos últimos cinco anos, desalojaram terras de pastagens, forçando os criadores de gado a avançar floresta adentro. O grupo de Lapola concluiu que o plano do Brasil, de ampliar suas lavouras destinadas a biocombustíveis na próxima década, forçará as áreas de pasto a penetrar em mais de 121.730 km2 de florestas e outros 45.998 km2 de habitats indígenas.

Isso equivale a uma área igual a dos estados de Nova York e New Jersey combinados.

“Parece que no caso do etanol de milho americano, haverá muito atrito (inclusive a utilização indireta de terras) com as lavouras de produtos alimentares, não só nos Estados Unidos, como no exterior”, Lapola informou via e-mail, da Alemanha.

O governo Obama insiste em ter utilizado a ciência mais recente e precisa. Ao falar à imprensa, quando a mudança foi anunciada, o Secretário da Agricultura Tom Vilsack frisou que a ciência da produtividade de lavouras “está evoluindo constantemente”.

A administradora da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) Lisa Jackson defendeu os cientistas de seu órgão governamental em meio a acusações de que a instituição cedeu a pressões do lobby agrícola. “Não concordo que tenhamos mudado a ciência para adaptá-la a qualquer resultado”, declarou ela. “Eu não assinaria uma norma se não acreditasse que tivéssemos atendido às exigências da lei”.

Mas, sob certos aspectos, a economia de carbono derivada do etanol de milho pode ser um ponto secundário – ou até mesmo questionável.

Ao anunciar a mudança de política, o governo ressaltou o potencial do biocombustível para criar empregos e proporcionar independência energética. Falando a governadores, o presidente Obama mencionou a mudança climática apenas uma vez: “mesmo que não acreditem na severidade da mudança do clima, como eu, ainda assim vocês deveriam seguir esta agenda”.

Além disso, o governo – e muitos na indústria do etanol – encaram o combustível à base de milho como uma ponte para biocombustíveis menos intensivos em carbono. “Acreditamos que este é o rumo do mercado”, disse Vilsack.

Mas a pressão para desenvolver etanol de milho tem um preço e Greene, do NRDC, questiona se essa é a política mais sábia. “É tolice fazer o que estamos fazendo hoje, que é mandar, conceder múltiplos créditos de impostos e outros subsídios governamentais”, ponderou ele. “Estamos subornando o mercado... Isso são US$ 5 bilhões por ano que poderíamos utilizar para ajudar nossos fazendeiros e nossa indústria a desenvolver a próxima geração desse material”.

Referindo-se ao Brasil, Lapola observou que alguns biocombustíveis não têm a enorme pegada de carbono, deixada pela cana-de-açúcar, a soja ou o milho. Mas enquanto os governos mantiverem um rigoroso controle sobre mudanças no uso de terras, ele acredita que os biocombustíveis constituem uma boa opção para contornar a necessidade de combustíveis derivados do petróleo.

“Uma forma de contornar, mas não uma solução completa”, acrescentou. “O fato é que, a partir de agora, precisamos avaliar mais cuidadosamente nossa matriz energética para não incorrer nos mesmos erros que cometemos com o petróleo”.

*Esse artigo foi publicado originalmente em The Daily Climate, a fonte de notícias sobre mudanças climáticas da empresa de mídia sem fins lucrativos, Environmental Health Sciences.

Fonte: Sciam Brasil

Telômeros Curtos

Variação genética pode acelerar envelhecimento biológico

Não há resposta correta quando alguém pergunta: “Que idade você acha que eu tenho?”

Em face de tal dilema, a maioria de nós chuta baixo – errando mais por cortesia do que por honestidade. Mas a verdade é que adivinhar com precisão a idade de alguém é tarefa difícil e talvez seja melhor deixá-la para trabalhadores de parques de diversão e atores de rua.
Por que algumas pessoas simplesmente parecem mais velhas (ou jovens) do que realmente são? Cientistas podem ter encontrado a resposta.

A idade cronológica é muito diferente da idade biológica – a condição dos cromossomos após cada divisão celular – de acordo com Nilesh Samani da University of Leicester, co-autor de um relatório publicado na Nature Genetics em 7 de fevereiro. A idade biológica, afirma Samani, é relacionada ao comprimento dos telômeros – extensões de DNA ao final dos cromossomos que protegem esses preciosos pacotes de genes do desgaste diário. Os cientistas acham que, quando nascemos, nossos telômeros têm um certo comprimento que vai diminuindo conforme nossas células se dividem e, como resultado, nós envelhecemos.

Mas nem todos os telômeros nascem iguais. O comprimento dos telômeros varia de pessoa para pessoa, mas é similar em irmãos, o que sugere que pode estar sob algum tipo de controle genético. Samani e seus colegas analisaram mais de 500 mil variações genéticas (ocorridas naturalmente, com diferenças em um único nucleotídeo) abrangendo o genoma de células sanguíneas coletadas de quase 3 mil pessoas. Os pesquisadores descobriram que indivíduos que carregavam uma determinada variação tinham telômeros mais curtos – o que significa menos proteção para esses frágeis genes. A variação é próxima de um gene chamado de componente RNA da telomerase, ou TERC em inglês, e estudos recentes em animais mostraram que uma baixa expressão do TERC está associada a telômeros mais curtos e envelhecimento biológico acelerado.

Os telômeros das pessoas que carregam uma cópia da variação pareceram, em média, de três a quatro anos mais velhos, de acordo com seus comprimentos, do que aqueles de alguém da mesma idade cronológica sem a variação. Também havia um efeito relacionado à quantidade de genes: duas cópias do gene variante (herdadas uma de cada um dos pais) resultavam em um envelhecimento de seis a oito anos maior – o que significa que uma pessoa de 50 anos que carregasse duas cópias desse gene, teria os telômeros de alguém com 58 anos. Os resultados sugerem que algumas pessoas são geneticamente programadas para envelhecer a uma taxa de velocidade maior, de acordo com o co-líder do estudo, Tim Spectos, do King’s College London.

As chances de carregar essa variação são relativamente altas, observa Samani. “Nas populações que estudamos, cerca de 7% das pessoas carregavam duas cópias da variante e cerca de 38% carregavam uma”. Mas ainda não se sabe se telômeros mais curtos fazem com que seus portadores pareçam fisicamente mais velhos do que realmente são. “Ainda não examinamos esse ponto – é uma questão interessante”, considera ele; refletindo sobre como medir a idade aparente de uma pessoa em um próximo estudo. “Talvez tiremos fotos dos participantes e montemos um painel ‘adivinhe a idade’”, adiciona o pesquisador, brincando.

Samani, cardiologista e professor de cardiologia, está mais interessado em se as pessoas carregando a variação estão sob um risco maior de desenvolverem problemas associados à idade, como doenças cardíacas. “Eu vejo pessoas com 80 anos que têm artérias bem normais, e pessoas com 40 com doenças cardiovasculares”, compara. Um trabalho anterior publicado por Samani ligou o encurtamento dos telômeros a doenças cardíacas, o que sugere que a idade biológica pode ser mais relevante aos problemas relacionados à idade do que a idade cronológica. “Nós temos um medidor de idade biológica – o comprimento dos telômeros – então estamos estudando se é possível relacioná-lo a um maior risco de desenvolver alguma dessas doenças associadas à idade. Isso com certeza colocaria o conceito de envelhecimento biológico em terreno firme.”

Samani agora planeja investigar como a variação deixa os telômeros mais curtos. “Pode ser através da regulação da TERC, mas isso deverá aparecer em estudos posteriores”, analisa ele. As pessoas que carregam o gene variante podem acelerar ainda mais o envelhecimento biológico se forem fumantes, obesas ou sedentárias – tudo isso é ruim para os telômeros.

Fonte: Scientific American Brasil

terça-feira, 9 de março de 2010

Proveta e Saúde

Bebês de proveta podem enfrentar maiores riscos de saúde

Desde o nascimento do primeiro bebê de proveta, em 1978, mais de 3 milhões de crianças nasceram com a ajuda da tecnologia reprodutiva. A maioria delas é saudável. Mas, como grupo, têm maior risco de nascer com peso menor, o que se associa no decorrer da vida à obesidade, hipertensão e diabetes tipo 2.

Carmen Sapienza, geneticista da Temple University School of Medicine, na Filadélfia, está estudando dois grupos de crianças – um constituído por concebidas naturalmente e outro por concebidas por meio de tecnologia de reprodução assistida – a fim de identificar suas diferenças epigenéticas (alterações na expressão genética molecular causadas por outros mecanismos de mutações na seqüência do DNA propriamente dito). Ele está particularmente interessado em uma alteração cromossômica chamada metilação do DNA, segundo pesquisa que apresentou em 22 de fevereiro no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência. “Descobrimos que 5% a 10% dessas alterações cromossômicas eram diferentes em crianças nascidas por meio de reprodução assistida, e isso alterou a expressão de genes próximos”, diz Sapienza. Vários dos genes cuja expressão difere entre os dois grupos têm sido responsáveis por doenças metabólicas crônicas, como obesidade e diabetes tipo 2.

Por termos DNA idêntico em cada uma das nossas células, nossos corpos desenvolvem mecanismos como a metilação do DNA, para controlar quais genes são expressos em certos tipos de célula – processo chamado de impressão genômica. Quando um grupo metilo (átomo de carbono com três átomos de hidrogênio em anexo) se liga a uma molécula de citosina (um dos quatro nucleotídeos que compõem o DNA), passa-se a informação ao mecanismo das células para não transcrever aquele gene “É importante, porque todos os genes do mesmo tipo não podem ser expressos em toda célula”, Sapienza explica. “Metilação do DNA no rim é diferente de metilação do DNA no fígado”, diz ele. Isso é o que faz cada órgão único.

Mas o mecanismo não é perfeito: “Se você olhar para os tumores, eles tendem a ter hipometilação global, mas hipermetilação em alguns genes”, continua Sapienza. “Se você tomar por base a população normal, e pesquisar qual o número de pessoas com um defeito de metilação no gene que codifica insulina como fator de crescimento 2, chegará à cifra de cerca de 5%. Mas, se você for para uma clinica gastrintestinal e selecionar todas os as pessoas com câncer do cólon, essa cifra aumenta para um terço do total.”

Os primeiros indícios de que a reprodução assistida causava alterações na metilação e na expressão de genes surgiram de estudos de clonagem de animais em 2001, disse Sapienza. “Eles perceberam que a fertilização in vitro resultou na síndrome de prole grande [caracterizada por uma placenta grande e disfuncional] e defeitos do coração”, diz ele. “Quando você usa os modelos animais e faz coisas comumente feitas na reprodução assistida, a resposta é sim, isso afeta a metilação do DNA.”

Defeitos de metilação também causam desordens cromossômicas raras: síndrome de Angelman e síndrome de Beckwith-Wiedemann – ambas doenças congênitas complexas que se caracterizam por peso anormal no nascimento. O risco aumenta em até cinco vezes com a reprodução assistida – saltando de 1 em 15 mil-20 mil crianças, para 1 em 4 mil, diz Sapienza.

Ainda não se sabe se a tecnologia reprodutiva ou algum subproduto da infertilidade é o causador dos defeitos de metilação. Mas Sapienza planeja chegar à resposta em estudos futuros. “Uma fração de pessoas que têm filhos utilizando a tecnologia de reprodução assistida foi fértil antes da laqueadura tubária. Você pode comparar essas crianças com os nascidos de pais inférteis para determinar se a fertilidade é a questão. Esse é o modo como vamos tentar fazer isso”, diz. Ele não especula sobre qual é a causa mais provável, mas disse que muitas coisas, como as mutações do gene, podem causar defeitos de metilação e resultar em infertilidade. “A tecnologia de reprodução assistida subverte esses [defeitos]”, diz ele.

Sapienza diz que o próximo passo é repetir o estudo considerando mais genes. O atual estudo analisou cerca de 800, mas ele gostaria de analisar todos os 54 mil. Ele também espera acompanhar essas crianças a longo prazo para determinar se elas têm maiores taxas de obesidade ou diabetes. Para Sapienza, o objetivo não é fazer com que os pais se preocupem, mas sim para tornar as pessoas conscientes de suas predisposições genéticas e incentivá-los a manter a boa saúde.

Fonte: SciAm Brasil

segunda-feira, 8 de março de 2010

Remédio contra Alzheimer sem eficácia!

Pfizer: ineficácia de remédio contra Alzheimer decepciona

O laboratório farmacêutico americano Pfizer anunciou nesta quarta-feira que os testes clínicos de fase 3 mostraram a falta de eficácia de um novo medicamento contra o mal de Alzheimer, batizado de Dimebon. "Os resultados do estudo são inesperados e estamos decepcionados pela comunidade que sofre com o Alzheimer", comentou David Hung, diretor geral do laboratório Medivation, que trabalha em conjunto com a Pfizer no projeto.

"Avaliamos os dados deste estudo com a Medivation. Depois da análise, a Pfizer poderá decidir as próximas etapas do programa Dimebon", declarou um diretor da Pfizer, Briggs Morrison.

Dois estudos revelaram que o Dimebon era bem tolerado, mas um teste para examinar especificamente a eficácia, que analisou 598 pacientes na América do Norte, Europa e América do Sul durante seis meses, não alcançou os objetivos de eficácia em relação a placebos, fornecendo apenas melhoras marginais.

Outros quatro estudos de fase 3 do Dimebon estão em curso.

Fonte: Terra Ciência

Imagem da Semana

Zoológico rejeita castração de Knut, que terá nova namorada

A prometida história de amor entre o urso Knut e sua parceira Giovanna não terá o final romântico feliz que muitos esperavam, pois o casal será separado no próximo outono europeu.

A boa notícia para os fãs do urso é que o zoo de Berlim rejeitou o pedido para que o urso fosse castrado, feito nesta semana pela organização de defesa de direitos de animais Peta.

Knut e Giovanna são primos de primeiro grau, pois descendem de um mesmo avô, o urso Olaf. A organização temia que a relação incestuosa dos dois pudesse gerar descendentes com problemas genéticos e ameaçar os programas de reprodução da vulnerável população dos ursos em cativeiro.

"Os fãs do Knut precisam entender que apenas sua castração permite a convivência com Giovanna", disse Frank Albrecht, especialista da Peta à revista alemã Focus. Qualquer outra solução "aceleraria o inevitável fim da população dos ursos em cativeiro", disse Albrecht.

A Peta causou uma onda de indignação quando pediu, em 2007, que o filhote Knut fosse sacrificado porque a educação por mão humana seria prejudicial para o animal.

Separação
O zoológico Hellabrunn, em Munique, dono de Giovanna, confirmou que a ursa terá que retornar às suas dependências para fazer parte do seu programa de reprodução de ursos.

Giovanna tinha sido emprestada ao zoológico de Berlim, onde vive Knut, durante o período de reformas do cercado de ursos no zoológico de Munique, planejado para durar nove meses.

A notícia da partida de Giovanna decepcionou vários fãs do famoso urso polar e que se encantaram com as imagens dos dois animais brincando e "namorando".

Knut virou um fenômeno mundial de mídia a partir de março de 2007, quando era apenas um filhote que tinha sido rejeitado pela mãe e que estava seria criado por funcionários do zoológico.

Giovanna chegou ao zoo de Berlim em setembro de 2009, e ambos eram vistos - e fotografados - constantemente juntos. Como eram apresentados pela mídia como "namorados", não demorou para que surgissem especulações de que o zoo pudesse estar negociando uma possível aquisição definitiva da ursa - o que acabou não ocorrendo.

Os dois animais ainda não atingiram a maturidade sexual, que se dá aos quatro anos de idade. Knut tem pouco mais de três anos e o zoológico de Berlim terá que procurar uma nova parceira para ele.

Fonte: Terra Ciência

Conclusão: Asteróide "matou" dinossauros!

Fim da discussão: asteroide extinguiu os dinossauros

A colisão de um asteroide gigante contra a Terra é a única explicação plausível para a extinção dos dinossauros, disse uma equipe de cientistas na quinta-feira, esperando encerrar uma discussão que há décadas divide os especialistas.

Um grupo de 41 pesquisadores de todo o mundo reviu 20 anos de pesquisas para tentar confirmar a causa da chamada extinção do Cretáceo-Terciário (KT), que criou um "ambiente infernal" há cerca de 65 milhões de anos e extinguiu mais de metade de todas as espécies da época. Além do asteroide, outra possibilidade cogitada era a atividade vulcânica na atual Índia, onde uma série de supererupções durou 1,5 milhão de anos.

O novo estudo, publicado na revista Science, mostrou que a culpa pelo fim dos dinossauros é de um asteroide de 15 quilômetros de diâmetro que caiu em Chicxulub (México). "Isso desencadeou enormes incêndios, terremotos medindo mais de 10 na escala Richter e deslizamentos continentais, que criaram tsunamis", disse Joanna Morgan, do Imperial College londrino, coautora do estudo.

A colisão teria liberado uma energia 1 bilhão de vezes mais poderosa que a bomba atômica de Hiroshima.

Segundo Morgan, "o último prego no caixão dos dinossauros" ocorreu quando o material da explosão voou para a atmosfera, envolvendo o planeta na escuridão e causando um inverno global ao qual muitas espécies não conseguiram se adaptar.

Os cientistas analisaram o trabalho de paleontólogos, geoquímicos, climatologistas e geofísicos. Com base nos registros geológicos, eles descobriram que na época da grande extinção houve uma rápida destruição dos ecossistemas marinhos e terrestres, e que o asteroide "é a única explicação possível para isso".

Peter Schulte, também autor do estudo, da universidade alemã de Erlangen, disse que os registros fósseis mostram claramente uma extinção em massa há cerca de 65,5 milhões de anos - época conhecida como fronteira K-Pg.

Apesar das evidências de vulcanismo ativo na Índia, os ecossistemas marítimos e terrestres só mostraram mudanças limitadas nos 500 mil anos prévios à fronteira K-Pg, sugerindo que a extinção não ocorreu antes e não foi motivada pelas erupções.

Gareth Collins, outro coautor do Imperial College, disse que a colisão do asteroide criou um "dia inferno" que marcou o fim do reinado de 160 milhões de anos dos dinossauros - mas também acabou sendo um grande dia para os mamíferos.

"A extinção KT foi um momento-chave na história da Terra, o que acabou abrindo caminho para que os humanos se tornassem a espécie dominante na Terra", escreveu ele no estudo.

Fonte: Terra Ciência

Extinção de Caramujos

Irlanda tem duas espécies de caramujos extintas

De acordo com nova pesquisa do Centro de Dados de Biodiversidade Nacional (NBDC, na sigla em inglês), organização fundada há três anos para estudar a biodiversidade da Irlanda, a má qualidade da água e a perda de hábitat estão levando à extinção os caramujos terrestres e de água doce do país, bem como espécies relacionadas.
O estudo de moluscos não-marinhos irlandeses descobriu que, de 150 espécies, um terço está ameaçado de extinção. Duas já estão regionalmente extintas, 5 em perigo crítico, 14 em perigo, 26 vulneráveis e 6 quase ameaçadas. (Essas classificações são da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, à qual contribuíram os dados deste relatório.)

Das 150 espécies na Irlanda, 15 são invasivas, incluindo o mexilhão-zebra (Dreissena polymorpha), que está se sobrepondo aos nativos mexilhão-cisne e mexilhão-pato (Anodonta cygnea e A. anatina).

As espécies extintas incluem o caramujo lapidar (Helicigona lapicida, ver foto), observado pela última vez na Irlanda em 1968, e o caramujo de lama de lagoa (Omphiscola glabra), que a NBDC diz terem sido “perdidos pela destruição do hábitat” em 1979.

Os moluscos da Irlanda são de “importância internacional”, de acordo com a NBDC, ao ressaltar que várias espécies existem em porcentagens maiores no país do que em qualquer outro lugar do mundo. Por exemplo: pelo menos um quinto das populações globais, tanto do Ashfordia granulata quanto do Leiotyla anglica vive na Irlanda.

As ameaças aos caramujos e outros moluscos incluem poluição, drenagem agrícola de pantanais, outras perdas de hábitat, mudança climática e espécies invasivas.

Apesar de o relatório não examinar o impacto que a diminuição das populações de molusco possa ter na ecologia da Irlanda, caramujos e outras espécies desempenham papéis importantes no meio ambiente: Eles são a fonte de alimento primária de muitos animais e peixes, e ajudam a filtrar a água para manter rios e lagos limpos. Apesar de sua importância, os moluscos são raramente estudados e representam a taxonomia de “mais afetados pela extinção”, de acordo com um artigo publicado no ano passado na Conservation Biology.

Fonte: Scientific American Brasil

A Amídala e o ato de correr riscos!

Dano na área do cérebro que toma decisões encoraja riscos

Imagine que você perdeu o emprego. Mas tem algum dinheiro guardado e a chance de duplicá-lo com uma aposta. Mas, se perder a aposta, perde tudo. O que faria?


A maioria das pessoas não arriscaria suas economias, de acordo com Benedetto De Martino, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, autor de um estudo publicado em 8 de fevereiro em Normas da Academia Nacional de Ciências. Pessoas tendem a preferir evitar perdas em vez de tentar ganhar – comportamento conhecido como aversão à perda.

Mas pessoas com danos na amídala – parte do cérebro com forma de uma amêndoa, envolvida com emoções e tomada de decisões – são mais propícias a encarar grandes riscos, mesmo com pequenos potenciais de ganhos, segundo descobriu o estudo de De Martino. Duas mulheres com danos bilaterais na amídala mostraram redução dramática na aversão à perda quando comparadas com um grupo da mesma idade em uma série de apostas experimentais, apesar de entenderem totalmente valores e riscos envolvidos.

De Martino já suspeitava que a amídala era crucial para a aversão à perda, baseado em estudos anteriores com imagens de ressonância magnética funcional (FMRI – Functional Magnetic Resonance Imaging). Mas esses dois casos raros com danos na estrutura em questão permitiram a De Martino testar diretamente sua hipótese. “Nas imagens da ressonância magnética funcional, você nunca sabe se a resposta está refletindo alguma outra coisa. Com a lesão na amídala, você tem uma resposta direta”, diz De Martino.

Enquanto sujeitos equilibrados que ganhassem US$ 20, mas perdessem US$ 15, apresentam menos tendência a apostar do que se ganhassem US$ 50, mas perdessem US$ 10, as duas pacientes com danos na amídala se afetavam muito menos por grandes diferenças entre potenciais de ganhos e perdas. Em alguns casos, elas optam por apostar mesmo quando o potencial de perdas supera o potencial de ganhos.

O conceito de aversão à perda pode ser aplicado a muitas coisas. Considere, por exemplo, alguém avaliando se submeter a uma cirurgia eletiva. Quanto mais sérias as possíveis complicações – não importando a probabilidade – é menos provável que a pessoa aceite fazê-la. Mas De Martino é especialmente interessado em determinar como a aversão à perda se aplica ao dinheiro. “Meu sonho seria formular uma teoria econômica que pudesse capturar as complexidades do comportamento humano, baseada em pessoas reais e cérebros reais em vez de suposições”, explica. O campo de estudos de De Martino é adequadamente nomeada neuroeconômia. “É uma visão mais biológica das ciências sociais”, diz ele. “Muitos teóricos da economia pensam nos humanos como máquinas e esquecem do processo emocional.”

Em trabalho anterior, De Martino mostrou que danos na amídala fazem as pessoas se comportarem mais como essas máquinas teóricas. “É estranho, mas pessoas com dano no sistema emocional são, paradoxalmente, mais racionais ao tomar certos tipos de decisões. Não levam em consideração nenhum processo emocional.”

De forma interessante, a mais velha das duas mulheres não só não manifestou aversão à perda, como estava até com perda de procura. Essa diferença entre as duas mulheres foi espelhada pelas diferenças entre os grupos de mesma idade. “Conforme você fica mais velho, tem menos aversão à perda”, diz De Martino, explicando que mesmo os sujeitos do grupo de controle mais velhos receavam menos a perda. “Sua perspectiva de vida muda, porque você tem menos anos para viver.” Esse efeito poderia ser consequência das reduções no volume da amídala relacionadas ao envelhecimento – conforme a idade, nosso cérebro diminui. De Martino diz que, somados à idade, outros fatores como renda e educação também estão em jogo.

O dano na amídala não pareceu afetar a aversão ao risco – comportamento similar com uma importante diferença. Pessoas com aversão ao risco têm menos probabilidade de arriscar, mesmo quando não há nada a perder.

Considerando que aversão à perda pode soar abstrata para um economista, segundo De Martino isso provavelmente reflete um mecanismo muito antigo no cérebro. “Pense em um animal. Ele precisa obter comida, mas ao mesmo tempo tem de se proteger dos predadores. Seria muito sábio para um animal avaliar ganhos e perdas em uma perspectiva de evolução.” Embora tenha se passado um longo tempo desde que humanos tinham que se preocupar com predadores, o bem-estar financeiro ainda é necessário para sobrevivência no mundo moderno, ainda que de forma mais abstrata. O estudo de De Martino sugere que a amídala – conhecida por estar envolvida em processar o medo – pode nos deixar com medo do risco de perder dinheiro. “Pode ser que a amídala controle um mecanismo biológico muito geral para inibição do comportamento arriscado quando resultados são potencialmente negativos”, sugere De Martino.

Fonte: Scientific American

Lêvedo livra as plantas do frio

Lêvedo serve como cobertor para plantas, diz estudo

O lêvedo é bom não só para fazer pão ou produzir cerveja. A levedura, formada por fungos unicelulares, está em toda a natureza e tem muitas funções ecológicas, como quebrar o tecido morto de plantas e estimular o crescimento da raiz. Pesquisadores espanhóis descobriram mais uma coisa: a levedura mantém as plantas aquecidas.

Carlos M. Herrera e Maria I. Pozo, na Estação Biológica Donana do Conselho Espanhol para Pesquisa Científica, em Sevilha, estudaram o efeito da levedura em uma planta que floresce no inverno, a Helleborus foetidus.

Estudos anteriores haviam demonstrado que o néctar floral dessa planta, conhecida como erva-besteira, contém altas concentrações de levedura, que é carregada até a flor por abelhas polinizadoras. Toda essa levedura se alimenta do açúcar no néctar.

A quebra do açúcar também produz calor, então a hipótese de Herrera era que um efeito da levedura na H. foetidus seria o aquecimento do néctar e da própria flor. Ele e Pozo realizaram diversos experimentos, inclusive um que impedia as abelhas de chegar às flores de algumas plantas, mantendo o néctar sem levedura.

Num artigo publicado no periódico The Proceedings of the Royal Society: B, eles relatam que a temperatura do néctar e do ar dentro da planta era significativamente menor em plantas sem levedura do que aquelas com.

Como a H. foetidus floresce no frio do inverno, o calor produzido no néctar provavelmente beneficia tanto a planta quanto o polinizador, segundo Herrera por e-mail. Entre vantagens possíveis para a planta, disse ele, estaria o crescimento acelerado dos tubos de pólen. Para as abelhas, o resultado é uma "recompensa" de calor que pode fazer a diferença na sobrevivência ao inverno.

Fonte: Terra Ciência

HIV se esconde!

Vírus da aids se esconde em células do sangue, diz artigo

O vírus da aids escapa dos tratamentos ao se esconder dentro das células progenitoras de sangue e se multiplica depois do fim de um tratamento, segundo um artigo publicado neste domingo pela revista Nature Medicine.

Uma equipe de pesquisadores liderada por Kathleen Collins, bióloga da Universidade de Michigan, descobriu que as células progenitoras que se desenvolvem em células do sistema imunológico são um importante local de depósito do vírus. Segundo o artigo, a infecção pode persistir apesar dos tratamentos porque o vírus continua latente dentro das células, pronto para se multiplicar quando o tratamento é interrompido.

Estes depósitos de reserva celulares são resistentes à resposta do organismo e ao tratamento antirretroviral de alta eficácia administrado aos pacientes. Isto significa que o vírus pode atacar os linfócitos, células que ajudam na resposta imunitária do corpo, depois do tratamento.

"Há muitos casos nos quais os pacientes deixaram de tomar os remédios e o vírus reapareceu, Não há forma de suspender totalmente a administração dos medicamentos", disse Collins, principal autora do estudo.

O tratamento antirretroviral pode deter a propagação do vírus impedindo que o genoma viral se integre nas novas células. As combinações de remédios usadas nestes tratamentos não atacam a célula que faz cópias dos vírus, mas podem impedir que os vírus novos infectem mais células.

Os pesquisadores demonstraram que o vírus HIV pode atacar as células progenitoras hematopoéticas, aquelas que dão origem a todos os elementos celulares do sangue, e que são uma fonte potencial de células usadas para a correção de várias condições patológicas.

O grupo de pesquisadores coletou estas células de pacientes submetidos ao tratamento antirretroviral e que não demonstravam amostras detectáveis de vírus por pelo menos seis meses. Quando os pesquisadores forçaram as células a diferenciar-se em linfócitos, no laboratório, encontraram o genoma do HIV em aproximadamente 40% dos participantes do estudo.

Os cientistas também recolheram células da medula espinhal de pessoas saudáveis e mostraram que o vírus matava algumas das células. Em outras, ele se integrava no cromossomo celular e não se reproduzia. Estas células cresceram como se não estivessem infectadas pelo vírus.

Fonte: Terra Ciência

Lembrando o Inesperado

Cérebro tem processo especial para lembrar algo inesperado

Você se lembra da última vez em que alguma atitude de um amigo te pegou de surpresa? Provavelmente sim; isso acontece porque o cérebro humano é ajustado para lembrar especialmente de coisas que fujam do comum.

A forma exata como o cérebro trata desses casos, no entanto, era incerta. Alguns cientistas haviam proposto a hipótese que um estímulo inesperado dispararia um circuito envolvendo tanto o hipocampo (responsável em parte pela memória de longo prazo) quanto o núcleo accumbens (relacionado com recompensa e prazer) para tornar essas memórias mais facilmente retidas. Infelizmente, sem poder investigar de perto esses centros, os investigadores não podiam ter certeza.

Uma equipe de pesquisa, no entanto, acabou de encontrar uma oportunidade para fazer justamente isso. Eles conseguiram implantar eletrodos no hipocampo de oito voluntários que haviam recebido tratamento para epilepsia, bem como no núcleo accumbens de seis pacientes voluntários para estimulação cerebral experimental profunda contra depressão. Esses eletroencefalogramas (EEG) permitiram que os pesquisadores detectassem mudanças no cérebro em “milissegundos, em vez de segundos” comparados com a fMRI (sigla em inglês para imagens funcionais de ressonância magnética), escreveu Nikolai Axmacher, da Universidade de Bonn, na Alemanha e autor principal do estudo, em um e-mail para a ScientificAmerican.com.

Quando os pesquisadores apresentavam para os pacientes uma série de faces contra um fundo vermelho por diversos segundos, seguida por uma imagem de uma casa contra um fundo verde, o EEG capturava o momento no qual cada um desses pontos era ativado quando o cérebro reagia, com precisão de milissegundos. Os pesquisadores registraram esses momentos e conseguiram construir o padrão de atividade geral entre os dois grupos de pacientes.

Axmacher e a sua equipe encontraram que, no caso de estímulos inesperados (a casa com fundo verde), o hipocampo se ativa duas vezes, e a última ativação – que é imediatamente precedida por uma atividade no centro de recompensa, o núcleo accumbens – prevê a formação de memória. As descobertas foram publicadas em um estudo on-line em 24 de fevereiro na revista Neuron.

Por que a localização precisa desses processos é tão importante para os cientistas? “O processo de aprendizado é muito seletivo”, afirmou Axmacher no e-mail. Embora os seres humanos tenham cérebros enormes, nós certamente não temos a capacidade de registrar todos os aspectos de toda experiência. “Apenas as informações relevantes recebem um ‘impulso de memória’ pelo sistema de recompensa, o que inclui o núcleo accumbens”, ele enfatizou; assim, as pessoas são mais inclinadas a lembrar os incidentes a partir dos quais possam aprender alguma coisa nova.

Às vezes, no entanto, quando encontramos alguma coisa inesperada, nós a deixamos de lado porque ela não bate com a nossa compreensão do mundo. Axmacher explica que, nesse caso, “a supressão de memórias indesejadas parece depender de um controle vertical descendente da atividade do hipocampo pelo córtex pré-frontal”, em vez de uma resposta rápida do circuito hipocampo-núcleo accumbens que ele e seus colegas confirmaram.

O implante de eletrodos, bem como o trabalho anterior sobre processamento de linguagem, gerou novos insights sobre o cérebro, incluindo essa descoberta sobre formação de memória, mas ele também tem alguns inconvenientes, Axmacher admite. Esses tipos de leituras intracerebrais “só podem ser obtidas de populações de pacientes e só permitem registros de regiões específicas do cérebro”, e, portanto, eles fornecem fotografias instantâneas do cérebro trabalhando – e em cérebros que já possuem uma disfunção. Mas ele e os seus colegas apontam que, pelo menos neste estudo, é improvável que a doença dos pacientes tenha mudado o padrão dessas ativações neurais em particular. E “esses resultados só puderam ser obtidos em populações de pacientes com eletrodos implantados nessas regiões”, Axmacher escreveu.

Apesar disso, ele e seus colegas enfatizaram no estudo que suas descobertas não explicam completamente como e porquê esses casos surpreendentes recebem um tratamento preferencial pela memória, em comparação com acontecimentos comuns. “A ocorrência de um evento inesperado provavelmente recruta uma rede de regiões do cérebro que se estendem muito além” dessas duas, eles escreveram. Só se lembre disso da próxima vez que seu amigo fizer alguma esquisitice – quer dizer, se isso for inesperado.

Fonte: Scientific American Brasil

Mistérios da Natureza

Criaturas idênticas encontradas em águas árticas e antárticas: um mistério

Há dois anos, vários navios de pesquisa zarparam rumo aos polos, para recensear as criaturas que vivem sob o gelo. Uma das descobertas mais surpreendentes foi a de que 235 espécies idênticas vivem em lados opostos do mundo, sem terem sido documentadas em qualquer outro lugar. É fácil compreender como enormes baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) são capazes de nadar de águas árticas para antárticas, mas a maioria dos diminutos vermes, caramujos e crustáceos na lista dos pesquisadores não são maiores que um grão de arroz. Como criaturas tão minúsculas, adaptadas a águas gélidas, percorrer 9.500 km través de climas mais quentes, para chegar ao polo oposto?

Sob o microscópio, esses invertebrados às vezes parecem tiras de sacos plásticos picotados, ou camarões com chifres. Não está claro como eles poderiam cruzar uma piscina a nado, muito menos viajar ao redor do globo. Sua “bipolaridade” constitui um mistério oceânico de 160 anos – que só aumentou com o tempo. “Se espécies bipolares são tão comuns como sugere nossa lista inicial, isso realmente significa que não apreciamos os mecanismos importantes para a conectividade no oceano tão bem como acreditávamos”, admite Russ Hopcroft, líder da porção ártica do projeto Census of Marine Life (Censo da Vida Marinha), do Consórcio para Lideranças Oceânicas.

A descoberta de espécies bipolares remonta às expedições do explorador vitoriano James Clark Ross e seus dois pesados navios de guerra, os cruzadores HMS Erebus e Terror, na década de 1840. Durante missões para mapear os polos Norte e Sul, ele coletou amostras da flora e fauna marinhas que eram notavelmente similares. Ross ponderou que, de algum modo, essas minúsculas espécies foram capazes não apenas de sobreviver nas águas gélidas que acabariam por afundar seus navios, mas também transitar ao redor de metade do planeta.

Desde então, os céticos têm disputado as evidências. Alguns reclamaram que os espécimes submarinos foram erroneamente identificados ou pareciam muito diferentes. Mas, em 2000, Kate Darling, oceanógrafa da University of Edinburgh, na Escócia, pôs fim ao debate. Ela coletou, em águas subpolares setentrionais e meridionais, respectivamente ao largo da Islândia e das Ilhas Falkland/Malvinas, amostras de foraminíferos, vagabundos oceânicos unicelulares, que lembram pedaços mastigados de goma de mascar descartada. Ao sequenciar o DNA ribossômico de três espécies – Globigerina bulloides, Turborotalia quinqueloba e Neogloboquadrina pachyderma – Darling constatou que os genes eram tão semelhantes que, segundo ela, “eles devem estar se misturando, talvez até agora”. (Por coincidência apropriada, ela coletou suas amostras a bordo de um navio britânico batizado com o nome de seu predecessor, o James Clark Ross).

No mesmo ano em que Darling publicou suas descobertas, milhares de biólogos marinhos se uniram a fim de mapear as criaturas dos oceanos para o censo. A campanha, de uma década e US$ 650 milhões, lançou centenas de viagens de pesquisas ao redor do globo, dezenas delas rumo aos polos. Nada dessa envergadura tinha sido empreendido antes.

“Isso nos possibilitou a começar a enxergar padrões em escalas muito maiores que qualquer um de nós poderia ver individualmente em nossos próprios quintais”, diz Hopcroft. No ano passado, quando os pesquisadores árticos e antárticos reuniram seus dados, o mistério da bipolaridade expandiu-se para 235 espécies. E a questão ressurgiu: como os mesmos tipos de criaturas abrangem os dois polos?

Alguns cientistas e naturalistas, inclusive Charles Darwin, levantaram a hipótese de que espécies migraram durante milhares de anos, quando as temperaturas oceânicas médias eram muito mais baixas, provavelmente em algum período geológico entre o Terciário e a última Era de Gelo, há 18 mil anos. Mas os dados de Darling contradizem essa teoria. As minúsculas diferenças genéticas em seus “insetos”, como os chama, sugerem que as espécies se misturaram muito mais recentemente.

Hoje, a maioria dos cientistas acredita que as espécies viajam por uma espécie de esteira rolante submarina, chamada circulação termohalina, o fenômeno que se manifesta em todo o oceano, responsável por correntes marítimas, como a Corrente do Golfo no Atlântico. Como a água fria nos dois polos altera a salinidade e afunda à medida que se alastra ela forma discretos rios submarinos que descem até o Equador e reemergem nos lados opostos do planeta. Ao longo do caminho, as temperaturas oscilam apenas de 2ºC a 4ºC, o suficiente para a maioria dos habitantes polares sobreviver. As criaturas em si viajam de um polo ao outro suspensas em forma de larvas ou ovas, ou como adultos que se reproduzem por gerações em sua jornada de 9.500 km, antes de chegarem ao destino de 400 a 600 anos depois. O retorno ao seu polo de origem poderia levar mais 1.600 anos, em razão das correntes dominantes.

Além da viagem tremendamente longa, a teoria refuta a bipolaridade em parte. Ela sugere que as espécies poderiam viver fora das regiões polares, só não as encontramos ainda. “É o inconveniente de como definimos alguma coisa. A definição é funcional ou baseada em falta de dados? Sabemos tão pouco sobre as camadas profundas do oceano em comparação com a superfície”, declara Hopcroft.

A lista de espécies bipolares é tentativa por outra razão: os biólogos identificaram a maioria das espécies com base em morfologia, em forma e estrutura. Espécies que vivem em ambientes similares frequentemente têm aparência idêntica, mas podem ser estranhos genéticos. “Até você desvendar a genética não se pode saber com certeza que são bipolares”, diz Darling.

No ano passado, uma equipe de recenseamento vinha depurando coleções marinhas para encontrar espécimes dos dois polos, preservados em um grau de álcool puro o bastante para permitir a retirada de amostras de DNA dos organismos. (A vasta maioria foi armazenada em formol e não pode ser genotipada). Para investigar a bipolaridade dos espécimes, eles sequenciaram, até agora, centenas de amostras de DNA mitocondrial, conhecido como o gene codificador de barras. Eles esperam encerrar sua busca até a data de publicação do Censo da Vida Marinha, em outubro.

“Acredito que nossos resultados realmente revisarão o paradigma sobre a conexão entre os polos”, afirma Hopcroft. Toda forma de vida provavelmente fez uma jornada única, mas, vistas em conjunto, revelarão um mundo entrelaçado, até mesmo em suas extremidades.

Fonte: Scientific American

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