Destaque Tudo de Bio

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Novas Espécies

Cientistas descobrem nova espécie de cobra-de-duas-cabeças no Cerrado

A construção de uma hidrelétrica no sudoeste de Goiás acabou trazendo à superfície uma nova espécie de cobra-de-duas-cabeças, ou anfisbênio. Esses répteis, que passam a maior parte de sua vida debaixo da terra, ainda são relativamente misteriosos para os biólogos, e sua diversidade ainda é pouco conhecida -- tanto que muitas outras espécies ainda podem estar esperando para serem descobertas.

"Em regiões mais quentes eles parecem ser de difícil acesso, havendo poucos registros de encontros ocasionais para muitas das espécies de anfisbênios. Em lugares nos quais alguns meses do ano são mais frios, é possível encontrá-los mais facilmente perto da superfície para tentar se aquecer. No entanto, obras grandes para construções ou para abertura de áreas para plantio estão revelando animais desconhecidos com frequência no Cerrado e na Caatinga", contou ao site G1 (http://g1.globo.com) a bióloga Síria Ribeiro, doutoranda da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Ribeiro e seus colegas Alfredo Santos-Jr., também da PUC-RS, e Willian Vaz-Silva, da Universidade Federal de Goiás, descreveram formalmente o novo réptil em artigo na revista científica "Zootaxa". A criatura ganhou o nome de Leposternon cerradensis por ser, por enquanto, o primeiro membro de seu gênero, o Leposternon, a ser encontrado apenas no Cerrado. Os pesquisadores ainda não têm dados precisos sobre as profundidades que ele habita, sua dieta (provavelmente composta por pequenos insetos também subterrâneos, como formigas, cupins ou larvas deles) ou mesmo sua distribuição geográfica.

"Normalmente, o que acontece é que, quando a terra está sendo escavada durante determinada obra, os bichos são encontrados. Também pode acontecer de eles subirem à superfície quando o reservatório de uma hidrelétrica está se enchendo", fugindo da água, explica Ribeiro. Por isso mesmo, os biólogos acabam dependendo de um golpe de sorte (ou de azar, levando em conta a bagunça no habitat do animal) para conseguir observar as criaturas.

Foi Vaz-Silva, que acompanhava a construção da Usina Hidrelétrica de Espora no município de Aporé (GO), o responsável por recolher os espécimes da cobra-de-duas-cabeças durante um procedimento de resgate de fauna. "Ele me mandou as fotos e eu logo notei que se tratava de um bicho novo, porque morfologicamente ele é muito diferentes das outras espécies de Leposternon", diz a bióloga da PUC-RS.

Cabeças

Ribeiro explica que "cobra-de-duas-cabeças" está longe de ser um nome popular adequado. "Na verdade a cabeça verdadeira é bem característica. O problema é que as pessoas têm tanto medo de serpentes e assemelhados que não conseguem olhar direito", brinca. Bobabem: para humanos, os anfisbênios são inofensivos. Na verdade, o que confunde o observador casual, diz ela, além da leve semelhança no formato das duas extremidades, é o fato de que a locomoção do animal envolve o movimento de ambas as pontas do corpo, de forma que a cauda pode dar a impressão de ser a cabeça.

A nova espécie tem uma conformação especial da cabeça que faz com que ela funcione como pá, escavando o caminho adiante no subsolo. As principais diferenças do bicho em relação a seus parentes próximos estão em detalhes como as escamas da cabeça, nos chamados poros pré-cloacais e no número de meio-anéis dorsais e ventrais e anéis caudais que recobrem o corpo.

Os poros, como o nome diz, ficam perto da cloaca (abertura que, nos répteis, serve para todas as funções fisiológicas, como expelir urina e fezes e copular). "Não temos dados diretos sobre a função dos poros nessa espécie. Mas, em outros anfisbênios, estudos morfológicos indicaram que eles podem estar relacionados com a comunicação entre indivíduos da mesma espécie e de espécies distintas", diz Ribeiro.

A cor rosada do bicho não significa que ele seja albino, explica ela. "Ainda não sabemos muito a respeito disso, mas o Leposternon cerradensis compartilha com as demais espécies com poros a ausência de coloração escura, e essas espécies estão presentes, principalmente, em áreas abertas, podendo a coloração estar relacionada com o solo utilizado ou até mesmo um determinado ambiente", afirma a bióloga. É mais um mistério ainda não-elucidado sobre os anfisbênios, como o de sua distribuição geográfica -- ninguém sabe se as espécies encontradas num só lugar até hoje, como a nova, são mesmo únicas daquela região ou apenas muito discretas e comuns em outras.

Urso Surpresa

Bebê panda nasce de surpresa em zoológico tailandês

Uma panda gigante que havia sido emprestada pela China a um zoológico de Chiang Mai, na Tailândia, surpreendentemente deu à luz um filhote de 200 g nesta quarta-feira após uma inseminação artificial. O nascimento era inesperado pelos tratadores porque Lin Hui não mostrou sinais de gravidez depois que recebeu o sêmen do parceiro, Xuang Xuang, em fevereiro. As informações são da agência Reuters.

"O acontecimento é um grande sucesso. Não esperavámos por um bebê tão depressa", disse Sophon Dumnui, responsável pelo zôo. O bebê, pequeno e frágil, ainda não teve o sexo determinado. Especialistas chineses na espécie devem chegar ao local para orientar a direção do zoológico tailandês no trato com o filhote.

A primeira tentativa de inseminação entre Lin Hui e Chuang Chuang não obteve êxito em 2007. Desde que chegou à Tailândia em 2003, o casal é uma das principais atrações do zôo.

Um acordo entre os dois países determina que o filhote seja devolvido à China quando completar dois anos, mas os tailandeses têm a intenção de renegociar o acerto para que o bebê fique um período maior no país.

Macaco Fluorescente

Cientistas criam macacos com proteína fluorescente verde

Uma equipe de cientistas japoneses conseguiu criar macacos transgênicos portadores da proteína fluorescente verde (GFP, na sigla em inglês), o que permite ver com maior clareza a evolução das doenças no organismo.

Os pesquisadores, dirigidos pela diretora do Instituto de Pesquisa Animal de Kawasaki (Japão), Erika Sasaki, conseguiram criar cinco exemplares de Callithrix pygmaea, a menor espécie de macaco do mundo.

Eles serão usados como modelo para diferentes testes clínicos sobre o mal de Parkinson, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) ou a doença de Huntington.

Até agora, os modelos mais utilizados para este tipo de pesquisas eram ratos e camundongos, pela capacidade que têm de herdar os genes introduzidos em seu organismo, algo que não tinha sido conseguido até agora nos primatas.

A descoberta, publicada na última edição da revista Nature, promete revolucionar este campo, ao conseguir não só que os cinco macacos apresentem a proteína em seu sistema reprodutivo, mas também que os pequenos saguis sejam capazes de ter descendência que porte esta proteína.

Para conseguir isso, os cientistas injetaram a proteína fluorescente através de vetores virais em 91 embriões de saguis, dos quais nasceram cinco bebês.

Depois, pegaram sêmen de um destes animais e o submeteram a um processo tradicional de fecundação in vitro, a partir do qual nasceram outros dois exemplares portadores de GFP.

Golfinho Albino

Imagem de raro golfinho albino é divulgada nos EUA

A imagem de um raro golfinho albino nadando no lago Charles, na cidade de Los Angeles, EUA, foi divulgada nesta quarta-feira. O golfinho foi visto no dia 18 de maio na companhia de outro animal da mesma espécie com coloração normal. As informações são da agência AP.

Segundo biólogos, os golfinho albinos são extremamente raros, sendo este o 14º encontrado e registrado em todo o mundo e o terceiro no Golfo do México.

Resgate

Filhotes de falcão são resgatados para evitar colisão aérea

Dois filhotes de falcão-de-cauda-vermelha foram resgatados nesta quarta-feira de uma área próxima ao Aeroporto Internacional Seattle-Tacoma, em Seatac, no Estado americano de Washington. Os animais, com cerca de 28 dias, foram removidos do ninho que ficava sobre uma árvore de 18 m. As informações são da agência AP.

A ação integra um programa responsável por colocar os jovens falcões em áreas mais seguras. Seis casais de adultos adestrados da espécie foram mantidos nos arredores do aeroporto para impedir que outros tipos de pássaros façam ninho na área, reduzindo assim os riscos de acidentes provocados por colisões com aeronaves.

O falcão-de-cauda-vermelha, bastante encontrado na América do Norte, está entre os pássaros que voam a maiores alturas.

Raro Diagnóstico

Inglês de 8 anos é diagnosticado com tipo raro de demência

Um menino inglês de oito anos foi diagnosticado com um tipo raro e fatal de demência e já sofre com os sintomas da doença. Ben Scott, de Yeovil, no sul da Inglaterra, sofre da doença de Niemann-Pick, um distúrbio hereditário provocado pela ausência de uma enzima que resulta no armazenamento de quantidades anormais de colesterol em alguns órgãos do corpo como o cérebro, medula óssea, fígado e baço.

Esse acúmulo causa lesões que afetam os movimentos, a fala e o metabolismo de uma forma geral. De acordo com a Fundação Nacional da Doença de Niemann-Pick, na Grã-Bretanha, o tipo fatal do transtorno afeta apenas cerca de 500 crianças no mundo.

Segundo a mãe do menino, Lyndsay Scott, foi difícil fazer o diagnóstico correto e os primeiros sintomas começaram a aparecer quando Ben tinha apenas três anos. "Ele tinha dificuldades de aprendizado e percebemos uma degeneração de seus movimentos", disse.

De acordo com os médicos, Ben não deve viver além dos 20 anos de idade e sua condição pode piorar. "Não posso nem imaginar quando ele não nos reconhecer mais e não puder mais sorrir", afirmou Lyndsay.

Atualmente, Ben vive em uma cadeira de rodas e não consegue falar ou se alimentar corretamente. "É de partir o coração. Ele aprende coisas novas e depois esquece tudo o que aprendeu. É como se o aprendizado fosse em vão", disse a mãe.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Mal do Mal de Chagas!

Células-tronco podem ajudar no tratamento do mal de Chagas

Cem anos após a descoberta da doença de Chagas, ainda não há cura nem tratamento adequado para a enfermidade que atinge seis milhões de brasileiros. Mas uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, na Bahia, traz grandes esperanças para reverter as complicações cardíacas causadas pela doença. Trata-se de uma terapia com uso de células-tronco dos próprios pacientes infectados, que mostrou resultados positivos.

"Com a terapia de células-tronco, verificamos que houve diminuição da inflamação do coração. Os pacientes apresentaram melhora, passaram a caminhar distâncias maiores. O coração também passou a bombear o sangue com mais força" diz a imunologista da Fiocruz Milena Soares, que participa da pesquisa.

Complicações cardíacas são a principal conseqüência da doença. Cerca de 30% dos infectados passam a ter problemas graves de coração. Ele também provoca dilatação no esôfago e no cólon do intestino.

O trabalho foi feito inicialmente com 30 pacientes, nos anos de 2003 e 2004. Eles receberam um volume de 20 mililitros de células-tronco retiradas de suas próprias medulas. Com base neste resultado preliminar, o estudo foi ampliado. Foram selecionados 200 portadores da doença de Chagas espalhados pelo Brasil. Este estudo, em fase de conclusão, pretende criar um padrão de tratamento a ser utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

"Já temos fortes indícios que o tratamento funciona e, o melhor, sem efeitos adversos" diz Milena. Segundo ela, o tratamento das complicações cardíacas resultantes da doença de Chagas é muito agressivo. Ou é feito o transplante do coração - que esbarra na pouca disponibilidade de órgãos - ou o paciente recebe medicação para insuficiência cardíaca. Mas os medicamentos são muito tóxicos.

"Com as células-tronco é possível recuperar o tecido lesado do coração, o que abre uma nova perspectiva para a doença" diz. O mal de Chagas é uma doença classificada como negligenciada. Embora tenha sido descoberta há cem anos, há 30 anos não é desenvolvido um medicamento novo. Daí, a importância e o pioneirismo da pesquisa.

O estudo conduzido pela Fiocruz e financiado pelo Ministério da Saúde envolveu 16 hospitais do país - um deles o Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio. Com o auxílio de um cateter inserido pela artéria femoral, na virilha, e conduzido até o coração, os médicos injetaram as células-tronco em cada uma das três coronárias dos pacientes. As células-tronco promoveram uma recuperação de tecidos e a eliminação de células inflamatórias.

A doença de Chagas foi descoberta pelo cientista brasileiro Carlos Chagas. Há cem anos, ele descreveu a doença de forma completa. Identificou o transmissor, o inseto barbeiro, descreveu os sintomas e alterações no organismo e ainda descobriu a espécie de protozoário que causa a enfermidade - o Trypanossoma cruzi.

Procura-se Neurônios!

Biólogo quer fazer cobaia com neurônio de criança autista

Quando o biólogo Alysson Muotri publicou um trabalho envolvendo injeção de células humanas em embriões de roedores, em 2005, seu laboratório recebeu diversos e-mails hostis. "Diziam que eu queria criar a ilha do dr. Moreau aqui", conta. A ideia, porém, não era gerar bestas meio humanas e meio animais como as do livro de H.G. Wells. Muotri quis mostrar como usar a técnica para estudar doenças humanas em cobaias. E seu objetivo, afinal, será posto à prova agora num trabalho sobre autismo.

O experimento que o grupo do biólogo na Universidade da Califórnia em San Diego está fazendo começa com a obtenção de células de crianças portadoras da doença. Elas são depois revertidas para o estágio similar ao de células-tronco de embriões e então transformadas em neurônios primitivos.

Essas células, então, podem ser usadas tanto para estudar aspectos celulares e moleculares do autismo quanto para a injeção em embriões de animais. Uma vez chegando a esse estágio, os cientistas serão capazes de criar quimeras: indivíduos em que uma parte das células tem DNA de uma espécie, e uma segunda parte, de outra.

Usando esses animais quiméricos para compará-los com outros comuns, Muotri espera obter informações sobre como o autismo se manifesta fisiologicamente. É uma abordagem ousada para estudar uma doença ainda cercada de mistério.

"Ainda não se sabe bem como é a divisão entre a contribuição ambiental e a contribuição genética do autismo", diz Muotri. Nesse contexto, o estudo com células de animais quiméricos tem uma vantagem. "A gente não precisa nem saber quais são os genes envolvidos."

Uma desvantagem, em contrapartida, é a polêmica que a ideia de criar animais quiméricos costuma gerar. Por ter objetivos específicos e bem demonstrados, Muotri conseguiu passar pelo crivo de um comitê de ética para fazer seus experimentos, mas foi proibido de gerar as cobaias quiméricas indefinidamente. Seus animais não poderão se reproduzir.

Quem teme ver algo parecido com o homem-leopardo do Dr. Moreau, porém, não precisa se preocupar. As células humanas incorporadas ao cérebro do roedor devem ser de 0,1% a 1,0%, diz Muotri. Talvez isso nem seja suficiente para despertar sintomas da doença na cobaia. E acreditar que um rato pode se tornar "autista", claro, é algo relativo, já que a doença é caracterizadas por inibir habilidades de cognição humanas.

Em modelos para estudo da epilepsia -outro experimento considerado por Muotri--, porém, isso poderia acontecer: um roedor ter surtos como os de humanos epilépticos. "Seria um resultado fenomenal, porque mostraria que a doença é "autônoma", está codificada em cada neurônio", diz Muotri, com a ressalva de que não espera ver isso logo de cara.

O temor público às quimeras, ao que parece, não foi tão intenso quanto a reação negativa à pesquisa de 2005 permitia prever. No caso da epilepsia, foi a própria comunidade de portadores da doença e familiares que pediu a Muotri que elaborasse uma proposta de estudo.

Vencidos preconceitos, porém, vem agora a parte mais difícil: fazer o experimento. As culturas de neurônios com DNA de autistas devem ficar prontas ainda neste ano, criando um material que já pode ser usado para pesquisar alguns aspectos da doença, diz Muotri. Mas a criação das quimeras ainda tem barreiras técnicas.

Os cientistas pretendem que as células humanas ocupem partes específicas do cérebro dos roedores, mas ainda não descobriram como fazer isso.

O grupo de pesquisa que vencer a corrida para resolver esse problema será o primeiro a obter cobaias com traços autistas, epilépticos ou o que mais os cientistas conseguirem criar.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Imagem da Semana

Zôo belga exibe raros filhotes brancos de tigre-de-bengala

O Zoológico Olemse, em Olmen, na Bélgica, apresentou nesta sexta-feira três filhotes brancos de tigre-de-bengala. Exibidos pela primeira vez, as fêmeas Kamika e Kamala e o macho Khalid foram alimentados pelos tratadores frente às câmeras e o público. As informações são da agência Reuters.

Os pequenos felinos nasceram no último dia 12 de maio na instituição. De acordo com uma fonte oficial do zôo, os filhotes não são albinos, mas possuem uma pigmentação rara em relação aos demais da espécie - que apresentam a cor alaranjada com listras pretas.

O tigre-de-bengala (Panthera tigris tigris) está entre os grandes felinos mais ameaçados de extinção por causa da caça ilegal ou destruição do habitat. Atualmente, as maiores populações vivem principalmente em florestas da Índia, mas também em algumas regiões do Nepal e do Butão.

Nova Levedura!

Encontrada nova espécie de levedura na Floresta Amazônica

Pesquisadores equatorianos e britânicos descobriram uma nova espécie de levedura na Floresta Amazônica. A nova espécie, denominada de Candida carvajalis sp. Nov., foi descrita no periódico FEMS Yeast Research. Leveduras são muito importantes na produção de alimentos e bebidas. Cada nova espécie descoberta amplia o conhecimento a respeito de sua variabilidade genética e mesmo pequenas diferenças entre cada uma têm elevado potencial econômico.

"Trata-se de uma corrida contra o tempo, por conta da enorme perda da biodiversidade em curso no planeta. Esse estudo destaca a importância de coletar, caracterizar e preservar o que sobrou", destacou Steve James, do Institute of Food Research, com sede na Inglaterra, um dos autores da pesquisa em colaboração com colegas da Universidade Católica do Equador.

"As quatro diferentes regiões climáticas do Equador e os tipos de fermentação conhecidos por populações indígenas antigas fazem desse país um local promissor para a descoberta de novas espécies de levedura", disse Javier Carvajal, líder do grupo de pesquisa equatoriano.

A levedura foi descoberta pelo pai do cientista, Enrique, que não é cientista, mas estava na floresta em uma missão de prospecção de petróleo. O nome dado à nova espécie é uma homenagem a ele. Enrique, advogado de formação, coletou amostras da nova espécie encontradas em madeira apodrecida e em folhas, próximo à cidade de Dayuma, na província de Orellana, na região central da Amazônia equatoriana.

Careca de saber disso?!

Cientistas identificam possível gene da calvície

Pesquisadores do Japão identificaram um gene que parece determinar a queda cíclica de cabelos em ratos e acham que isso pode ser responsável pela calvície humana. Em estudo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas descreveram como geraram uma linhagem de ratos sem o gene Sox21.

"Os ratos começaram a perder pelos do dia pós-natal 11, começando pela cabeça e progredindo para a região do rabo", escreveram. "Entre os dias 20 e 25, esses ratos tinham já perdido todo o pelo corporal, inclusive os bigodes. Curiosamente, o renascimento do novo pelo começou dias depois, mas foi seguido por uma renovada perda de pelos."

A chamada alopecia cíclica continuou por mais de dois anos e os pesquisadores observaram que os ratos mutantes tinham glândulas sebáceas aumentadas em torno dos folículos pilosos e uma camada mais grossa de células cutâneas durante o período de perda de pelos. "O gene deve estar envolvido com a diferenciação das células-tronco que formam a camada externa do cabelo", escreveram os pesquisadores, liderados por Yumiko Saga, da Divisão de Desenvolvimento de Mamíferos do Instituto Nacional de Genética do Japão, em Mishima.

Os cientistas também examinaram amostras de pele humana, onde encontraram sinais do mesmo gene. "Isso confirma que o Sox21 também se expressa na cutícula do cabelo humano... Esses resultados indicam que o gene Sox21 poderia ser responsável por algumas condições de perda de cabelos em humanos", concluíram os autores.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um possível e perdido elo...

Fóssil de 47 milhões de anos seria elo perdido dos primatas

Cientistas apresentaram em Nova York nesta terça-feira o fóssil de uma criatura de 47 milhões de anos que pode ser um elo perdido na evolução dos primatas superiores - macacos, gorilas e os seres humanos. O fóssil, batizado de Ida, está em estado tão bom de conservação que é possível ver sua pele e traços de sua última refeição.
Os restos do animal, que se assemelha a um lêmure (tipo de animal parecido com um macaco que vive na ilha africana de Madagascar) foram apresentados no Museu Americano de História Natural pelo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.
Eles foram descobertos na década de 1980 na Alemanha e pertenciam a uma coleção particular.
Importância e críticasA pesquisa sobre sua importância foi liderada pelo cientista Jorn Hurum, do Museu de História Natural de Oslo, Noruega. Hurum diz que ida representa "a coisa mais próxima que temos de um ancestral" e descreveu a descoberta como "um sonho que se tornou realidade".
Mas parte da comunidade científica se mostra cética em relação à descoberta. Um dos principais editores da revista Nature, Henry Gee, disse que o termo "elo perdido" pode induzir ao erro e que o fóssil não deve figurar entre as grandes descobertas recentes, como os dinossauros com penas. Os cientistas que já examinaram o fóssil concluíram que este se trata de uma espécie nova, batizada Darwinius masillae.
Um dos pesquisadores que analisou Ida, Jenz Franzen, o fóssil tem traços que guardam "grande semelhança conosco", como unhas em vez de garras e o polegar em uma posição que permite agarrar coisas com a mão, como o homem e outros primatas. Ainda assim, segundo ele, o fóssil não parece ser um ancestral direto do homem, mas sim estaria "mais para uma tia do que uma avó".

Ainda mais assustador

Estudo confirma que dragão-de-komodo usa veneno para matar
O dragão-de-komodo, réptil carnívoro encontrado na Indonésia, já era assustador, mas agora ficou ainda mais. Segundo um novo estudo, a maior espécie de lagarto no mundo, com média de 2,5 m de comprimento e 70 kg, também dispõe de veneno para matar suas vítimas. O Varanus komodoensis é conhecido por morder suas presas e depois soltá-las, deixando-as sangrar por conta dos ferimentos. Após entrar em choque, são mortas e devoradas.
Acreditava-se que as presas fossem vítimas de bactérias presentes na boca do réptil, mas pesquisa feita por um grupo internacional indica que o efeito se deve a um veneno. O estudo será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
"A idéia de que o komodo mata por meio de bactérias orais está errada. O dragão tem veneno. Durante a evolução, ele modificou suas glândulas salivares de modo a produzir agentes hipertensivos e anticoagulantes que, combinados com adaptações cranianas e dentárias específicas, permitiu que pudesse matar animais maiores por meio de hemorragias fulminantes", disse Stephen Wroe, da Universidade de New South Wales, na Austrália, um dos autores do estudo.
O veneno causa uma grande perda de pressão sanguínea na vítima ao dilatar os vasos sanguíneos e evitar a coagulação na área atingida, levando a presa a um estado de choque. Os cientistas usaram simulações feitas em computador para analisar a mordida do dragão e verificaram que são mais fracas do que as de crocodilos de tamanhos semelhantes. Entretanto, exames em ressonância magnética apontaram que o komodo conta também com complexas glândulas de veneno.
Depois de extirparem a glândula de veneno de um dragão doente em um zoológico, os cientistas usaram espectrometria de massa para obter um perfil químico do veneno. Descobriram que a toxina tem semelhanças com as do monstro-de-gila (Heloderma suspectum) e de diversas serpentes.
A espécie é classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza e tem uma população estimada entre 4 mil e 5 mil exemplares soltos em seus hábitats.

"Macacoruja"

Raro filhote de macaco-coruja é exibido em zôo da Colômbia

O zoológico de Santa Fé, em Medelín, na Colômbia, exibiu nesta terça-feira um pequeno filhote do raro macaco-coruja, também conhecido como macaco da noite, uma espécie semelhante ao famoso lêmure. A instituição afirmou que o filhote, nascido no mês passado, é o primeiro da espécie nascido em cativeiro. As informações são da agência AP.
Segundo o zôo, o exemplar nasceu após mais de dez anos de tentativas de reprodução. O filhote não desgrudou dos pais durante a apresentação ao público e foi filmado recebendo comida na boca pela mãe.
O macaco-coruja, que pode atingir cerca de 30 cm de comprimento, chama a atenção pelos olhos grandes - característica comum em animais com hábitos noturnos. A espécie habita as selvas tropicais, mas atualmente corre sério risco de extinção.


Um coração gelado esquentando...

Pinguins são devolvidos à natureza na África do Sul


Heytor Victor

Sem dúvida esta imagem poderia estar sendo colocada no Tudo de Bio como a Imagem da Semana, mas como já foi postada a imagem desta, a foto acima quer apenas ilustrar que ainda existem pessoas que se preocupam com outras formas de vida. Trata-se de 84 pinguins que haviam sido contaminados com petróleo proveniente de um vazamento de petróleo na costa da Namíbia.

Os pinguins foram tratados na Fundação Sul-Africana para Conservação de Aves Costeiras e foram devolvidos ao meio ambiente. Com os peitos marcados em cor-de-rosa, as aves caminharam rumo ao mar em uma praia nos arredores da Cidade do Cabo, na África do Sul.

Imagem da Semana

Bicho Homem: Zôo de Londres expõe "animal mais destrutivo do mundo"

O animal mais destrutivo do mundo, como é considerado por muitas pessoas, está exposto no Zoológico de Londres, na Inglaterra. O homem é o protagonista da mais nova atração da instituição, batizada de "Quarto com Zoológico". As informações são da agência AP.
Paul Hutton, funcionário do zôo, foi trancado em um recinto - como os animais que vivem no local - construído de forma personalizada, onde mostrará a vida do ser humano no habitat natural. Além do quarto com mobiliário completo, o recinto possui uma espécie de pátio ao ar livre para Hutton representar as atividades diárias do homem, entre elas, a alimentação.
A exposição permite que os visitantes, formados principalmente por crianças e estudantes, conheçam mais sobre os efeitos que a espécie dominante pode provocar no planeta.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Coisa de Gene

Americana deu à luz gêmeos de pais diferentes

Testes de DNA revelaram que os filhos gêmeos nascidos de uma mulher nos Estados Unidos há quase um ano são de pais diferentes.

Segundo informações da rede de TV americana Fox 4, Mia Washington, de Dallas, engravidou do namorado James Harrison, e também de um outro homem, cuja identidade não foi revelada. Intrigada porque os meninos - hoje com 11 meses de idade - estavam crescendo com feições bastante diferentes, a mãe decidiu fazer um exame de DNA para provar a paternidade.
Para sua surpresa, o resultado confirmou que os meninos tinham 99,999% de chances de serem filhos de pais diferentes. Mia Washington então procurou a rede de TV para contar sua história. A mãe admitiu o caso, e o noivo, James Harrison - pai de um dos meninos -, diz ter perdoado a traição. Ele prometeu criar Justin e Jordan como se fossem seus filhos.
O pai do outro menino não foi identificado, mas Mia Washington disse à rede Fox que pretende contar a história aos filhos no futuro. Ela, no entanto, não pensa em entrar em contato o outro pai. "De todas as pessoas nos Estados Unidos, e de todas as pessoas no mundo, foi acontecer comigo. Estou chocada", disse Mia Washington à Fox.
O caso de dois gêmeos de pais diferentes é bastante raro, mas pode ocorrer se a mulher liberar mais de um óvulo durante seu período fértil e tiver relações sexuais com dois homens em um curto período.
O fenômeno é conhecido como superfecundação heteropaternal. De acordo com o médico Chris Dreiling, da Associação Pediátrica de Dallas, ouvido pelo canal de TV, "este provavelmente será o único caso que vamos ver na cidade de Dallas. É raro assim".

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Imagem da Semana

Médicos retiram tumor de peixe em zoológico britânico


Um peixe do Aquário do Zoológico de Londres foi anestesiado e submetido a uma operação para a retirada de um tumor benigno.
Prudence, da espécie leatherjacket espinhoso (Chaetodermis penicilligerus) ficou na mesa de operações durante uma hora, e foi mantido úmido durante todo o procedimento.
Esta espécie de peixe é originária das costas de Austrália e Malásia, e pode atingir até 31 centímetros de comprimento. O Zoológico informa que Prudence já voltou ao seu aquário, onde se recupera rapidamente.

Banana Combustível...

Cientistas transformam restos de banana em combustível


Cientistas estimam que cada tonelada produzida no cultivo da banana - negócio global que envolve mais de cem países - gera até dez toneladas de detritos não aproveitados. Pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha, afirmam ter achado uma maneira de acabar com o desperdício, transformando os restos em uma fonte de combustível eficiente, usando instrumentos simples e serragem para criar blocos de banana prensada.
"Esse projeto teve origem em Ruanda, quando uma pessoa de lá chamou a nossa atenção para o problema com os restos de banana. Há muitos detritos não utilizados e também há falta de lenha, então essa é uma solução para os dois problemas," diz Mike Clifford, da Universidade de Nottingham.
A queima de lenha é a fonte mais comum de energia na África e uma das causas de desmatamento, aumentando o impacto das mudanças climáticas. Os blocos de banana podem ser uma alternativa mais barata que madeira e são fáceis de fazer. Podem ser uma solução sustentável para milhares de famílias na África.

Droga de Ar!

Com nova técnica, cientistas detectam cocaína no ar de cidades espanholas

Um grupo de cientistas espanhóis identificou a presença de cocaína no ar das cidades de Madri e Barcelona, O anúncio foi feito quarta-feira (13), com base em uma nova técnica de identificação de substâncias.
Os pesquisadores procuraram por 17 substâncias, presentes em cinco tipos diferentes de drogas ilegais: cocaína, anfetaminas, opiáceos, cannabis e ácido lisérgico.
Os resultados revelaram que a cocaína é a droga predominante no ar das duas principais cidade espanholas, segundo o instituto CSIC, que realizou o estudo. Os cientistas encontraram concentrações de 29 picogramas a 85 picogramas da droga (um picograma equivale a um milionésimo de micrograma) por metro cúbico de ar.
O estudo recorreu a um novo método de detecção de drogas no ar, usado pela primeira vez e adaptado especificamente para o objetivo dos pesquisadores, que publicarão os resultados na revista científica "Analytical Chemistry".
'A heroína também foi encontrada em níveis detectáveis nas amostras recolhidas em Madri, mas não em Barcelona', afirma o CSIC, explicando que isso provavelmente se deve ao fato das amostras de ar madrilenas terem sido recolhidas perto de um bairro onde há atividade suspeita de traficantes de drogas na cidade.
Os pesquisadores também apontaram para uma concentração maior dos componentes durante o fim de semana, "o que sugere um consumo maior durante esse período".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Credibilidade

Periódico científico publica dois estudos plagiados na íntegra

Um caso de plágio envolvendo dois estudos publicados no periódico científico "Revista Analytica" surpreendeu os autores dos artigos originais. Publicados em 2007, os dois trabalhos eram cópias de artigos anteriores da primeira à última palavra, com alterações apenas nos títulos. A revista "Química Nova", da SBQ (Sociedade Brasileira de Química), que havia publicado os estudos originais, negocia agora uma forma de retratação (anulação) dos plágios.

Um dos artigos, um estudo que descrevia um novo método para controle de qualidade de cachaça, foi copiado do grupo do químico Ivo Küchler, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense).

"Eu trabalho no meio universitário há muitos anos, e a gente sempre fica sabendo de casos em que alguém copiou um pedaço do trabalho do outro, ou copiou uma ideia. Mas copiar um artigo inteiro eu nunca tinha visto", disse Küchler. O cientista ficou sabendo do caso de plágio pela SBQ e disse que ligou para um diretor da "Revista Analytica" na tentativa de se informar melhor.

"Ele não quis nem conversar comigo", conta. "Falou que o problema não era dele e que eu teria de conversar com a pessoa que tinha assinado o artigo."

O autor principal do artigo que plagiou Küchler é o engenheiro químico Johnson Pontes de Moura, formado pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Moura também já se desligou da faculdade onde dava aula, em Aracruz (ES).

Milena Tutumi, editora da "Revista Analytica" disse que está em negociação com a SBQ para publicar uma retratação. "Cedi uma página da próxima edição", diz. "Vamos dar um editorial explicando a posição da revista nesse caso e dando os devidos créditos aos autores verdadeiros." Além do artigo de Küchler, Moura plagiou um estudo sobre combustão de metano, do grupo de Ione Baibich, da UFRGS.

Em seu boletim informativo, a SBQ diz que vai dar "apoio aos autores reais em quaisquer ações jurídicas que venham a ser consideradas", mas afirma que a "Revista Analytica" também foi "vítima" no episódio. Küchler, porém, discorda.

"Acho que houve negligência dos editores", diz. "Se você pega as palavras-chave do meu artigo --cachaça, determinação de cobre, etc.-- encontra na internet facilmente." Segundo a SBQ, esse procedimento não é comum em revistas científicas, mas "tem permeado discussões em fóruns internacionais".

No Futuro... Eficiência

Contraceptivo masculino mostra eficácia de 98,8%

Um estudo chinês traz resultados promissores para o desenvolvimento de um anticoncepcional hormonal para homens. O ensaio clínico de fase três (última etapa antes de o fármaco ser aprovado para comercialização) foi feito com 1.045 homens chineses de 20 a 45 anos e mostrou que uma injeção mensal de 500 mg de testosterona misturados com óleo de semente de chá tem eficácia de 98,8%. A pílula anticoncepcional feminina, por exemplo, tem eficácia de 97% a 99%.

Todos os voluntários possuíam parceiras férteis de 18 a 38 anos, tinham filhos e histórico médico normal. Após dois anos de acompanhamento, ocorreram nove gravidezes entre as parceiras dos 733 homens que completaram o estudo --o que sugere um índice de falha do método de 1,2%.

Os pesquisadores afirmam no trabalho que o uso mensal do fármaco oferece "contracepção efetiva, reversível e confiável". Segundo eles, o óleo de semente de chá propicia uma melhor dispersão do hormônio pelo organismo. A pesquisa foi publicada em março no "Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism".

"A novidade do estudo é a forma de administração em intervalos de um mês --em outros estudos, a administração era semanal. Na pesquisa, o veículo usado [o óleo] garante uma absorção mais lenta", diz o endocrinologista Ricardo Meirelles, presidente da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

O hormônio é injetado por via intramuscular, fica no músculo e passa para a circulação sanguínea aos poucos, sendo absorvido gradativamente. Isso garante níveis mais estáveis de testosterona, afirma Meirelles.

Contras

O uso desse método anticoncepcional ainda causa preocupação na comunidade médica. Vários estudos com a testosterona vêm sendo realizados nos últimos anos, baseados no fato de que a aplicação dessa substância no organismo impediria a ação dos hormônios FSH e LH, que são responsáveis por estimular a produção de espermatozoides. No entanto, apresentaram fatores de risco como potencialização de câncer, infertilidade e baixa ação contraceptiva.

Alguns trabalhos anteriores apontaram que o método pode ser irreversível --o excesso de hormônio, a longo prazo, pode atrofiar os testículos e levar à infertilidade. "Muitos estudos não tiveram sucesso pois esbarraram na questão da fertilidade masculina", afirma o urologista Celso Marzano.

Apesar de os pesquisadores chineses afirmarem que os níveis de espermatozoides voltaram ao normal seis meses após a interrupção da aplicação de testosterona, especialistas acreditam que estudos de prazo mais longo sejam necessários para confirmar a reversibilidade do método.

Outro problema apontado pelos médicos ouvidos pelo jornal Folha é a contraindicação no caso de câncer de próstata. O uso em excesso de testosterona poderia favorecer o desenvolvimento de um tumor já existente.

"Não é possível afirmar, do ponto de vista oncológico, que o seguimento de dois anos é o tempo adequado", diz Nilson Roberto de Melo, presidente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Os voluntários da pesquisa chinesa ainda relataram, como efeitos colaterais, dor no local da injeção, maior incidência de acne e oscilações de humor.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Gripe A: O Retorno


A compreensão da história evolutiva dos diferentes grupos de vírus é vital para que possamos entender a sua epidemiologia e desenvolver estratégias eficazes para o combate de uma série de doenças humanas. Alguns vírus têm profundo efeito sobre a história da humanidade, enquanto outros têm impacto marcante e atual sobre a saúde pública. Compreender a evolução dos vírus e dos meios pelos quais eles obtiveram sua diversidade genética atual pode nos auxiliar a entender esses efeitos.

Os vírus são extremamente diversos e podem ser agrupados de acordo com seu material genético: DNA ou RNA de fitas simples ou dupla. Contudo, diferentemente de outros grupos taxonômicos, não há entre os variados grupos de vírus similaridade filogenética – ou seja, relação evolutiva. Tipicamente, vírus pertencentes a uma mesma família possuem genoma similar e alguns genes semelhantes ou homólogos. Membros de famílias diferentes raramente possuem genes homólogos identificáveis. Podemos, portanto, traçar uma árvore filogenética descrevendo as similaridades evolutivas dos organismos que apresentam estrutura celular (bactérias, arqueobactérias e seres eucariotos), mas isso não é possível para os vírus. Os vírus são classificados em cerca de setenta famílias. Destas, vinte infectam o homem. A diversidade genética dos grupos de vírus é afetada por sua história evolutiva e a de seus hospedeiros.

Ancestrais humanos foram infectados por muitos vírus e a compreensão dessa relação nos diz muito sobre a nossa própria história evolutiva. Por exemplo, vírus que causam doenças associadas com aglomerações não puderam se manter nas pequenas populações caçadoras e coletoras de homens pré-históricos. O vírus do sarampo é um exemplo clássico desse grupo. Indivíduos afetados por essa infecção desenvolvem imunidade durante sua vida. Por isso, a manutenção desse vírus requer um suprimento constante de indivíduos não infectados – principalmente crianças.

Tem-se estimado que o sarampo pode persistir em populações com pelo menos 250 mil indivíduos, algo que só ocorreu com grupos humanos há 5 mil anos, no Oriente Médio. Uma vez que os primeiros humanos chegaram ao continente americano há mais de 10 mil anos, eles não estiveram expostos – até 1492, quando a América foi “descoberta” por Cristóvão Colombo – a vírus adquiridos por populações humanas aglomeradas. Por isso, estima-se que até o século 16 cerca de 90% das populações nativas das Américas morreram de doenças causadas por vírus como o sarampo e a varíola, provenientes dos invasores europeus.

Por outro lado, alguns vírus passaram a afetar a saúde humana apenas nas últimas décadas do século 20. O HIV é o exemplo mais conhecido desses vírus. Existem, contudo, diversos outros, como o Marburg, o Ebola, o Nipah, o Hendra e o SARS, que têm um espectro de ação mais limitado.

Essas viroses emergentes estão associadas com o crescimento demográfico e as alterações ambientais e a poluição que vêm nos trilhos desse aumento populacional. Além disso, a maior facilidade dos indivíduos para se deslocar para qualquer lugar do planeta contribui para o surgimento dessas infecções. Por exemplo, em 1999, foi noticiado um caso de infecção por um vírus da região oeste do rio Nilo (África) nos Estados Unidos e, em 2005, o vírus Chikungunya, originário da África Central, contaminou aproximadamente um terço dos cerca de 770 mil habitantes das ilhas Reunião, no oceano Índico. Outro caso que estamos acompanhando atualmente nos noticiários é o alastramento global da gripe suína a partir do México.

Diversidade genética viral A diversidade genética contemporânea dos vírus está associada com o período de separação dos diferentes grupos a partir de seus ancestrais e com a sua respectiva taxa de evolução. Diversos vírus têm sido adquiridos pelo homem a partir de outras espécies animais (por exemplo, o vírus da gripe suína) e sofrem muitas vezes modificações posteriores na espécie humana.

Forças como a deriva genética, a seleção natural, as taxas de mutação e a competição entre indivíduos de espécies iguais ou diferentes obviamente atuam sobre esses vírus. Grupos menores ou que apresentem uma menor capacidade de dispersão e que sofram uma proporção maior de mutações genéticas podem evoluir mais rapidamente. Vírus de RNA que dependem da RNA polimerase para a sua replicação estão mais sujeitos a sofrer mutações. Isso se deve ao fato de que essa enzima é mais propensa a erros do que a DNA polimerase, associada à multiplicação dos vírus de DNA.

Substituições das subunidades componentes do DNA e do RNA – conhecidas como nucleotídeos – que não afetam o tipo de aminoácido codificado (substituições sinonímias) são provavelmente neutras do ponto de vista evolutivo. Por outro lado, substituições não-sinonímias podem afetar de forma negativa ou positiva a estrutura tridimensional da proteína codificada e influenciar, portanto, a sua atividade.

Como as proteínas têm sido, durante milhões de anos, submetidas a uma forte pressão seletiva, baseada na eficiência de seu relacionamento com os seus substratos, modificações na sequência de aminoácidos e, consequentemente, na estrutura tridimensional das proteínas quase sempre são nocivas para essas moléculas orgânicas.

Vírus da gripe

O vírus da gripe ou influenza representa – juntamente com o HIV – o exemplo mais extensivamente estudado de vírus que têm se associado ao homem. Os homens são infectados por três vírus da gripe relacionados entre si.

Esses vírus, denominados A, B e C, pertencem à família Orthomyxoviridae. Dentre esses três vírus da gripe, apenas o tipo C causa infecções mais brandas. O vírus tipo B pode provocar consequências danosas para a saúde de seus hospedeiros.

Por isso, ele é utilizado no Brasil em campanhas de vacinação para idosos, nos quais pode causar problemas graves e mesmo óbitos. O vírus tipo A, por sua vez, está associado à maioria das epidemias com consequências sérias.


Tipicamente, as propriedades antigênicas (capazes de provocar a formação de anticorpos) dos vírus tipo A variam um pouco de um ano para o outro, um processo conhecido como deriva antigênica. Esse processo é responsável pela incapacidade do organismo humano hospedeiro de criar uma resistência permanente contra a gripe. Contudo, em três ocasiões durante o século 20, as propriedades antigênicas do vírus da gripe tipo A modificaram-se radicalmente.

Essas mudanças (conhecidas como mudanças antigênicas) fizeram com que esses vírus passassem a apresentar um sorotipo diferente (linhagem que induz anticorpos diferentes no hospedeiro) e geraram pandemias que levaram milhões de pessoas à morte.

O vírus da gripe tipo A possui um genoma formado por uma cadeia de RNA de fita simples com oito segmentos separados. Cada um desses segmentos corresponde grosseiramente a um gene. Cada sorotipo é determinado pelas proteínas hemaglutinina (H) e neuraminidase (N), codificadas respectivamente pelos segmentos 4 e 6. Dezesseis sorotipos H e nove N são conhecidos.

Existe também uma série de combinações entre eles. Porém, apenas poucos desses sorotipos são encontrados no homem e, tipicamente, apenas um ou poucos estão presentes na população humana em um dado período. Por outro lado, todos os sorotipos são encontrados em aves aquáticas, o reservatório natural do vírus da gripe tipo A. Alguns sorotipos estão presentes também em mamíferos como os cavalos e os porcos.

A evolução dos vírus da gripe

Os vírus da gripe foram caracterizados inicialmente na década de 1930 e o primeiro sorotipo identificado foi denominado H1N1. Uma mudança antigênica ocorreu em 1957, levando ao surgimento do sorotipo H2N2 e à pandemia conhecida como gripe asiática. Outra mudança ocorreu em 1968 e deu origem ao sorotipo H3N2 e à gripe de Hong Kong.

Estudos indicam que a gripe espanhola de 1918 marcou o início da infecção dos vírus H1N1 no homem. Essa foi de longe a pandemia humana mais severa do século 20 – e obviamente de todos os tempos. Estima-se que ela tenha levado pelo menos 40 milhões de pessoas à morte. O enorme impacto dessa pandemia sobre a saúde humana não ocorreu devido a uma associação de formas virais já presentes na espécie humana, mas sim devido à introdução de um sorotipo completamente novo de vírus (o H1N1) proveniente das aves.

Durante os últimos anos, tem-se observado o ressurgimento do sorotipo H1N1 na população humana. Um exemplo desse tipo de evento é a atual gripe suína, que, até 30 de abril já havia infectado 260 pessoas somente em seu local de origem – o México – e provocado 12 mortes no país. Portanto, a gripe suína não representa uma grande novidade em termos evolutivos, mas sim um velho fantasma que a humanidade tem combatido nos últimos 90 anos.

Gripe Suína, a Gripe A

Heytor Victor

Como está sendo veiculado nos diversos meios de comunicação, a Gripe Suína teve o nome alterado devido à queda nas vendas de carne de porco. Agora ela é a Gripe A (H1N1, um tipo de Influenza) e como também já foi divulgado, o Brasil registrou seu primeiro caso nesta semana. Abaixo, segue uma reportagem retirada do site Diário da Saúde, sobre as medidas adotadas aqui no Brasil.

Brasil terá exame para detectar gripe A (H1N1) na próxima semana

Exame para detectar H1N1

Os primeiros casos de pacientes brasileiros possivelmente infectados pelo influenza A (H1N1), que causa a gripe suína, deverão começar a ser diagnosticados no início da semana que vem em território nacional, de acordo com docentes da Universidade de São Paulo (USP) reunidos em evento no Instituto da Criança da USP, na manhã desta quarta-feira (6/5), na capital paulista.
Isso porque os laboratórios e órgãos de saúde pública no Brasil estão prestes a receber, do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), os kits de biologia molecular para o diagnóstico de pessoas infectadas pelo vírus no país.

"Os laboratórios devem começar a receber os kits ainda no fim desta semana, quando poderão dar início aos testes para sabermos quantas são as pessoas no Brasil que de fato contraíram o H1N1 suíno. Certamente muitas crianças e adultos suspeitos no país contraíram outras formas da doença", disse Edison Durigon, professor titular do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Kit diagnóstico

Segundo ele, os kits devem chegar primeiramente a três laboratórios colaboradores da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Instituto Adolfo Lutz, a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Evandro Chagas, para em seguida serem enviados a outros órgãos de saúde no país.
"Ao mesmo tempo, a OMS e o CDC já disponibilizaram em suas páginas na internet toda a sequência de reagentes necessários para a montagem dos kits por qualquer laboratório interessado. E muitos deles, em diversos países, já estão usando esse protocolo para elaborar o kit diagnóstico", explicou Durigon.

Tipos de vírus influenza

De acordo com o pesquisador, existem três tipos do vírus influenza: A, B e C. O vírus da gripe suína que surgiu no México e que se espalhou por 22 países é da família dos vírus de tipo A, o que o tornou conhecido pela OMS como influenza A (H1N1).
Os diferentes subtipos da gripe são definidos em função das proteínas do envelope viral, sendo que os vírus A e B têm dois tipos de proteínas de superfície: a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N).
"A hemaglutinina é a proteína responsável pela adesão do vírus e pelo seu primeiro contato com a célula, enquanto a neuraminidase faz com que o vírus penetre e se replique na célula", disse.
A denominação H1N1 atual, que é uma mistura de duas cepas suínas, uma aviária e uma humana, corresponde, portanto, à hemaglutinina de tipo 1 e à neuraminidase de tipo 1. "Existem hoje 15 tipos diferentes de hemaglutinina e, pelo menos, nove de neuraminidase, o que permite combinações que podem gerar, teoricamente, uma infinidade de novos vírus", conta.
Vírus do tempo dos dinossauros

Segundo Durigon, todos os 15 tipos de hemaglutinina e os nove tipos de neuraminidase coexistem nos anatídeos, família de aves aquáticas que inclui patos, gansos e marrecos.
"Os anatídeos foram contemporâneos dos dinossauros e o vírus influenza também existe desde aquela época. Por isso, há até quem diga que os dinossauros foram extintos por causa do influenza, enquanto os anatídeos existem até hoje e são considerados hospedeiros naturais do influenza, especialmente os patos", explicou.

Gripe suína e gripe da estação

O vírus influenza A (H1N1) da gripe suína é diferente do H1N1 da gripe sazonal, o vírus de origem humana mais comum e que responde por uma taxa de letalidade de 0,5%, enquanto que as mortes causadas pela variação suína do vírus já representam 0,6% dos casos confirmados de pessoas infectadas.
Em sua escala de risco de pandemia, a OMS considera o nível 5 de alerta em relação à influenza A (H1N1), sendo 6 o nível máximo. Até o momento, de acordo com os números oficiais da OMS, 1.516 pessoas já contraíram a gripe suína em todo o mundo, com 30 óbitos registrados.
O estado de pandemia ocorre, explicou Durigon, quando há uma epidemia do mesmo vírus em pelo menos dois continentes e é nesse momento que a OMS decreta a classificação 6 em sua escala. "Isso ainda não ocorreu oficialmente, pois acredita-se que a maior parte dos casos registrados ao redor do mundo, apesar de crescerem rapidamente, seja importada de outros países. Mas tudo indica que teremos um vírus pandêmico muito em breve", apontou.
Grupos de risco do vírus influenza

Marcelo Vallada, infectologista clínico do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, vinculado à Faculdade de Medicina da USP, também presente no encontro, destacou os grupos de risco do vírus influenza, entre os quais crianças, idosos e pacientes de qualquer idade com doenças cardiopulmonares crônicas.
"As gestantes têm quatro vezes mais riscos de ter complicações causadas pelo influenza, quando comparada a mulheres sadias não gestantes da mesma idade. Por isso, existe uma recomendação da OMS para que todas as gestantes tomem a vacina da gripe", alertou.
De acordo com Vallada, calcula-se que mais de 250 mil pessoas morram todos os anos no mundo devido a doenças relacionadas ao influenza, em suas diferentes linhagens. "Só nos Estados Unidos, onde os dados são mais apurados, são estimadas 20 mil mortes anuais causadas pelo vírus."
Rede de Diversidade Genética de Vírus

Durigon é um dos coordenadores gerais da Rede de Diversidade Genética de Vírus (VGDN, na sigla em inglês), lançada em 2000 como um dos resultados do Programa Genoma FAPESP.
A VGDN também está se organizando internamente, de acordo com ele, em seis centros de pesquisa vinculados à rede para a realização dos testes diagnóstico da gripe suína nas máquinas "real-time PCR" (Polymerase Chain Reaction), adquiridas com recursos da FAPESP.
São eles: Instituto Adolfo Lutz, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, Instituto de Ciências Biomédicas da USP e Universidade Estadual Paulista (Unesp), nos campus de Botucatu e São José do Rio Preto, no interior paulista.
"A idéia é disponibilizar a capacidade instalada na rede VGDN, por meio dos laboratórios nesses centros de pesquisa, a pesquisadores de outras entidades vinculadas à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. Temos seis laboratórios montados com capacidade para fazer as análises do influenza A (H1N1), seguindo todos os padrões de biossegurança exigidos atualmente pela OMS", disse à Agência FAPESP.
Variedade genética de vírus

A VGDN é formada por dezenas de laboratórios espalhados pelo Estado que estudam as variedades genéticas de vírus. Para montagem e treinamento da rede foram estudadas as variedades genéticas de quatro vírus: HIV-1, tipo de vírus da Aids mais comum no Brasil; o HCV, agente causador da hepatite C; o hantavírus, que provoca a síndrome pulmonar; e o vírus respiratório sincicial, responsável por infecções no trato respiratório.
A VGDN se concentra na classe de microrganismos que abriga os menores agentes causadores de processos infecciosos de que se tem notícia. Apesar de terem um genoma pequeno, estudá-los é fundamental para entender a diversidade entre as cepas e as suas mutações.
Além de serem organismos com estruturas genéticas instáveis, os quatro vírus do projeto têm características em comum, fato que pesou na sua escolha como objeto de estudo da VGDN: todos causam doenças com alto grau de letalidade, para as quais ainda não há vacinas.
Ao capacitar laboratórios de várias cidades de São Paulo a lidar com vírus, a VGDN persegue ainda o objetivo de dotar o Estado de um conjunto de laboratórios que, no futuro, poderão ser utilizados de forma permanente e corriqueira pela Secretaria de Estado da Saúde.

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